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Análise: Concrete Genie (PS4) é uma linda aventura artística e sentimental

Use o poder da arte para salvar a cidade da escuridão.

Anunciado há praticamente dois anos, pouco podia se esperar de Concrete Genie (PS4). Produzido pelos criadores de Entwined (PS3), já era de se esperar que o título teria um grande apelo artístico. Porém, o que ninguém poderia imaginar é como eles também conseguiram lidar de maneira leve e muito madura com um assunto sério que é o bullying. Com foco na narrativa e desenvolvimento dos personagens, o pessoal da PixelOpus criou um jogo simples, mas bastante cativante

O garoto com o pincel

Ash é um garoto solitário que vive apenas acompanhado do seu caderno de desenhos e seu pincel. Nele, o menino desenha e pinta diversas criaturas e paisagens. Mesmo contra a vontade de seus pais, ele continua a frequentar a pequena cidade portuária de Denska, um lugar que já foi muito bonito e movimentado, mas que agora caiu em completo abandono e foi consumida por uma estranha escuridão.

O outro único contato humano que Ash tem na cidade é com um grupo de crianças que o persegue e vivem caçoando de suas pinturas, fazendo a prática constante de bullying. A aventura começa quando essa gangue local rasga todas as páginas do caderno de desenho e as jogam no mar. Para completar a maldade, prendem o jovem pintor em um bondinho que segue em direção a um farol considerado mal assombrado.

Ao parar na estação, Ash reconhece a folha em que desenhou sua criatura mais querida, Luna. Essa página é carregada por um vento mágico justamente em direção ao tal farol. O jovem entra no local e ao encontrar sua criação, vê uma luz mágica dar vida a ela. Luna o conduz por todo o farol e lhe dá um pincel mágico e a missão de trazer Denska de volta à vida. Como fazer isso? Pintando todas as luzes espalhadas pela cidade e trazer a alegria das cores para todo canto possível.

Um jovem genial

Com toda a magia que conseguiu, Ash consegue desenhar gênios que ganham vida e podem se locomover pelas paredes. Eles podem ser vermelhos (com poder de fogo), amarelos (poderes elétricos) ou azuis (poderes de vento). O que determina sua cor é a marca de invocação usada. Já a forma do corpo deles fica a critério do jogador, que pode escolher a direção, tamanho e até mesmo se ele terá duas ou quatro patas. Os adereços, como chifres, asas, penas, caudas ou chapéus, também são de livre escolha.

Uma vez desenhados, os gênios seguirão o protagonista e o ajudarão na hora de indicar onde estão os pontos chave para prosseguir. Eles também farão pedidos para ficarem felizes, como desenhar alguma paisagem para eles ou até fazer alguma brincadeira pelo cenário. O único obstáculo que os afeta é o mofo de tinta negra, que pode ser removido com uma rajada de super tinta. Gênios felizes sempre te seguirão e encherão seu medidor de super tinta, por isso é importante ficar atento aos pedidos deles.

As cores da cidade

Para conseguir revitalizar Denska, Ash precisa acender as diversas luzes espalhadas pelos três pontos chaves da cidade: o porto de pesca, a usina hidrelétrica e os canais subterrâneos. Todos eles, junto com o já citado farol, serão os ambientes percorridos durante a jornada. Para acender as luzes da cidade, devemos fazer pinturas perto delas, até que a área se ilumine por completo. É possível visualizar a localização de cada uma delas pelo mapa no menu de pausa, porém como o ambiente em si é pequeno, ele não foi usado muitas vezes.

Por falar em menu, talvez esse seja um dos pouquíssimos pontos estranhos do jogo. Ele tem mapas, galeria, colecionáveis, configurações e as diversas modalidades de desenhos possíveis de uma vez só em abas, sem utilizar submenus. Isso torna tudo um pouco mais confuso, uma vez que tanto os desenhos que fazemos ao longo do jogo estão dispostos da mesma maneira que os que são feitos apenas uma única vez. Seria melhor se tudo estivesse separado em opções diferentes ou até mesmo se deixassem as opções de galeria somente no menu principal.

Além da tarefa principal, temos que recolher as páginas do nosso caderno que foram arrancadas e agora flutuam pelos cantos e telhados. Algumas estão bem escondidas, enquanto outras aparecem flutuando pelo nosso caminho. Elas podem conter novas paisagens, novos gênios e novos adereços, como chifres, caudas ou chapéus. Por fim, também existem painéis pela cidade que precisam ser coloridos para voltar a funcionar. Parece muita coisa, mas o ritmo da história e a facilidade de execução dos movimentos e pinturas deixa tudo bastante intuitivo e simples. 

Arte e combate

O nosso protagonista possui apenas um item no começo da aventura, o pincel mágico. É com ele que os gênios são desenhados, as luzes são acesas e as diversas paisagens são espalhadas pelas paredes. O jogador tem a liberdade de escolher se fará os movimentos com o analógico direito do controle ou com o sensor de movimento, como se estivesse pintando de verdade. É muito bom ver um jogo utilizando de maneira criativa uma função do DualShock 4 que pouco foi explorada.

Além disso, ele se movimenta normalmente, correndo, pulando e se pendurando até perto do final do jogo. Ao chegarmos próximos do clímax, ele desenvolve habilidades de combate inspiradas nos poderes dos gênios que o auxiliam, podendo disparar projéteis e usar esquis mágicos para se deslocar com velocidade e se esquivar. Não revelaremos o motivo por trás desses poderes para não darmos spoilers sobre a narrativa.

Um jogo feito com amor

Concrete Genie se mostrou algo muito maior do que aparentava. Conseguiu unir de maneira competente jogabilidade descomplicada, belíssimos visuais e uma história linda. Outro ponto fortíssimo a ser levado em consideração é a dublagem, o que torna o título ideal para todas as idades, levando em conta que ele prioriza mais a narrativa do que o desafio em si. No fim, a mensagem que fica é que todos nós temos problemas, precisamos de compreensão e violência nunca é a chave para resolver nada. Empatia sempre gera empatia.

Prós

  • Jogabilidade descomplicada e uso criativo do controle, como se realmente fosse um pincel;
  • Estilo artístico muito bem elaborado;
  • Personagens e história cativantes, sem exageros;
  • Tratar de uma temática delicada de maneira leve e lúdica;
  • Dublagem muito bem feita.
  • Indicado tanto para jogadores jovens quanto para os veteranos.

Contras

  • Menu do jogo é mal organizado, com tudo no mesmo lugar;
  • Mapas não são tão vitais para progredir pelos cenários.
Concrete Genie — PS4 — Nota: 9.5
Revisão: Farley Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sony 


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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