Blast from the Past

Croc: Legend of the Gobbos (PS) trouxe fofura e muito carisma ao primeiro console da Sony

Um dos precursores do gênero de plataforma 3D, Croc divertiu muito no PlayStation e merecia aparecer novamente nesta ou na próxima geração.

Croc: Legend of the Gobbos, desenvolvido pela Argonaut Games e publicado pela Fox Interactive, foi lançado inicialmente para Playstation em setembro de 1997, chegando ao Saturn e PC no fim daquele ano. Croc, o carismático e fofo jacarezinho, fez parte da infância de muitos jogadores, sendo um dos primeiros jogos em ambiente 3D.


O malvado feiticeiro Baron Dante, uma espécie de Bowser de armadura, resolve sequestrar os Gobbos, pequenas criaturinhas redondas e peludas, e a missão do jogador é justamente resgatá-los. Que tal fazer uma viagem ao passado e revisitar em detalhes a terra dos Gobbos?

Qualquer semelhança não é mera coincidência

O PlayStation sempre foi conhecido como uma plataforma de jogos mais realistas e violentos, diferente da Nintendo. Porém, no começo do seu ciclo de vida, o saudoso PSX precisava de jogos cartunescos com mascotes carismáticos. Crash Bandicoot iria fazer muito bem esse papel, mas em 1997 Croc caiu como uma luva na nascente biblioteca de jogos da caixa cinzenta da Sony.

Na verdade, o jogo se originou de uma parceria entre a Argonaut e a Nintendo, logo após o lançamento do famoso chip Super FX. Star Fox mostrou o potencial dos gráficos 3D poligonais no Super Nintendo, e a casa do Mario queria fazer algo envolvendo algum de seus personagens em um jogo de plataforma. A Argonaut não perdeu tempo e começou a desenvolver o protótipo de um jogo tridimensional do Yoshi.

Esse jogo, em tese, seria o primeiro jogo de plataforma totalmente 3D da Nintendo, inclusive o próprio Shigeru Miyamoto estava bem entusiasmado com o protótipo mostrado pela Argonaut. Provavelmente teríamos um jogo 3D do Yoshi no Snes ou mesmo no Nintendo 64, bem antes do icônico Super Mario 64. Pelo menos era o que parecia que iria acontecer, mas como todos nós sabemos, não foi bem isso que aconteceu.

A desenvolvedora não contava com o rigor da Big N em relação às suas marcas, e todo o trabalho da Argonaut foi rejeitado pela alta direção. A relação entre as duas empresas chegou ao fim, mas a Argonaut conseguiu manter o controle autoral sobre o protótipo do jogo, sem o Yoshi, é claro. Saindo da influência nipônica, o game designer Simon Keating ficou com a tarefa de redesenhar o personagem, enquanto que Justin Scharvona compunha a tão memorável trilha sonora do jogo.

Croc: Legend of the Gobbos foi um sucesso de vendas, conseguindo a incrível marca de 3 milhões de unidades vendidas e resultou em uma sequência, Croc 2, lançado em 1999. Apesar disso, o jogo teve críticas mistas, com pontos positivos para seu visual e trilha sonora, porém sua jogabilidade difícil e câmera confusa deixavam muito a desejar. Era 1997 e os jogos tridimensionais estavam aprendendo como trazer uma jogabilidade para aquele ambiente.

A pré-história dos jogos de plataforma 3D

Em Croc, o jogador controla o carismático crocodilo de um dente só, que carrega sua simpática mochila por várias ilhas através de Gobbo Valley. Os estágios são acessados em um mapa mundi, no mesmo estilo de Donkey Kong Country, e são compostos basicamente por ambientes terrestres que se dividem em partes acima e abaixo do solo (subsolo).

Normalmente o jogador acessa a parte das dungeons através de poços ou entradas de cavernas, e o design lembra muito as fases de subsolo da franquia Super Mario World. Ocasionalmente nosso personagem também acessa ambientes de gelo, montanhas e aquáticos.

O objetivo é chegar ao final de cada fase, onde o jogador encontrará uma espécie de sino chinês que ao ser acionado transporta Croc para o próximo level. Durante o percurso, existem colecionáveis em forma de cinco joias coloridas que ao serem coletadas dão acesso a uma fase bônus especial. Fora isso, temos os Gobbos para serem resgatados e diamantes que coletados podem dar vidas ao personagem.

Claro, não podemos esquecer de mencionar que os diamantes funcionam como os anéis nos jogos do Sonic – ao ser acertado por um inimigo, Croc perde os diamantes que se espalham pelo local, podendo ser recuperados. Ao ser atingido sem nenhum diamante no estoque, Croc perde uma vida. Os corações escondidos na fase servem como vidas, caso o jogador os encontre.

Ao todo são 6 Gobbos espalhados por cada fase, esperando serem resgatados (o sexto fica sempre na sala bônus, acessível ao coletar os 5 diamantes coloridos). Se você conseguir resgatar os seis Gobbos de cada fase antes da boss fight, ganha acesso a uma fase bônus. Nessa fase bônus o jogador coleta uma peça de quebra cabeça e, ao coletar todas as peças, você terá acesso ao final verdadeiro do jogo. Claro, tudo isso é opcional, e vai do quanto cada um quer investir na aventura.

As habilidades de Croc lembram as das mascotes da Nintendo, de tão básicas que são. Croc anda, corre, pula, usa pulo concentrado para quebrar caixas e coletar itens, e ataca seus inimigos acertando-os com sua cauda ao executar um giro. Os efeitos sonoros dos jogos são muito bem feitos, e as vozes, principalmente a do personagem principal, refletem todo o carisma e fofura do jogo. É impossível não se encantar com as peripécias do jacarezinho.

Recepção e legado

Como dito acima, Croc recebeu avaliações mistas, ficando com um escore acumulado de reviews em torno de 79,14% no site GameRankings. Contudo, as versões do Saturn e do PC tiveram notas de Review um pouco inferiores, sendo a versão do PC é pior avaliada de todas (60,5%). O jogo é bem quisto nos detalhes gráficos, na trilha sonora e no carisma dos personagens, porém a jogabilidade e a câmera são apontados como elementos frustrantes.

Em 2014, a GamesRadar incluiu Croc na lista dos melhores jogos de todos os tempos do Sega Saturn, sem deixar de fazer referência aos jogos da Nintendo. O site diz que o jogo dá aos donos dos consoles da Sony e da Sega o gostinho de explorar 42 mundos coloridos, no mesmo clima do Mushroom Kingdom. O game foi o maior sucesso da Argonaut para Playstation, vendendo ao longo do seu ciclo de vida 3 milhões de cópias no mundo inteiro.

Uma sequência de Croc: Legend of the Gobbos foi lançada em 1999 para o PlayStation, logo depois chegando ao Windows e ao Game Boy Color. Apesar de ter sido anunciado também para o Sega Saturn, o jogo nunca foi lançado para a plataforma da Sega.

Dois jogos mobile baseados no carismático jacarezinho foram lançados em 2000 para smartphones, desenvolvidos pela Morphone. Porém, esse estúdio foi fechado logo em seguida, deixando Jez San, fundador da Argonaut, com os direitos do personagem. Depois disso nosso querido mascote verde sumiu do mundo dos games, deixando saudades em quem se divertiu com sua aparição inicial no console da Sony.

Com as recentes remasterizações e remakes de jogos dessa época, chama a atenção que nosso querido jacarézinho não faça parte desses novos jogos nostálgicos. Também chama a atenção o fato dos jogos não terem se tornado uma franquia, já que foram muito bem-sucedidos comercialmente.

O que será que aconteceu no meio do caminho? Provavelmente questões de direitos autorais com a Fox, que não mais publica jogos eletrônicos sejam parte das respostas. A nós, fãs nostálgicos do carismático Croc, resta a esperança de um dia ver novamente nosso mascote verde pulando em caixas na terra dos Gobbos.

Revisão: Raphael Barbosa 

Apaixonado por JRPG, video game, Rock'n'Roll e literatura. Fanboy de Final Fantasy, admirador nato de The Legenda of Zelda, sonha em se tornar escritor. Enquanto esse dia não chega, escreve sobre as coisas que ama na Game Blast

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