Análise DLC

Análise: Monster Hunter World Iceborne (XBO/PS4) traz uma avalanche de desafios para os caçadores mais experientes

A expansão gelada se destaca por oferecer um conteúdo mais variado, mecânicas divertidas e uma história mais envolvente.

O frio do inverno está chegando ao mundo de Monster Hunter World por meio de Iceborne. A massiva expansão gélida promete virar o Novo Mundo de cabeça para baixo com a adição de diversas novidades, monstros e mecânicas inéditas. A Capcom fez de tudo para atender a todos os pedidos de melhorias feitos pelos fãs, mas será que só isso foi o bastante para consertar as principais falhas do jogo original?



Clima frio, relações quentes

Com tanto conteúdo novo para explorar, é cada vez mais comum esquecer que a série Monster Hunter também tenta contar uma história durante a sua campanha. Não há dúvidas que a trama e o desenvolvimento de personagens são aspectos que nunca nem chegaram perto de serem considerados o “forte” da franquia. Inclusive, grande parte dos jogos antigos nem sequer apresentavam uma história básica com início, meio e fim justificados.

Por mais que a tentativa da Capcom de dar mais foco na história de World fosse relativamente decente no jogo base, a franquia ainda assim nunca havia chegado perto do ponto de realmente motivar o jogador a querer conhecer o próximo desfecho narrativo. Para o bem ou para o mal, pode-se dizer que Iceborne finalmente implementou algumas mudanças necessárias na estrutura narrativa da série.

A primeira grande mudança que a maioria dos jogadores deve notar é que agora os personagens secundários não são tratados apenas como ferramentas de roteiro que estão no jogo somente para explicar qual monstro é o alvo atual. Dessa vez, os humanos são mais “humanos”. Eles carregam inseguranças, backstories e, acima de tudo, nutrem entre si mesmos relações de amizade e admiração.



Mesmo que poucos personagens recebam o desenvolvimento, toda a guilda de caçadores ganha mais carisma apenas pela presença desses elementos na trama. Não é mais só uma batalha contra um monstro aleatório. A história continua não apresentando um roteiro digno de um oscar, mas pelo menos agora você realmente tem um motivo para se importar em salvar aquelas vidas que estão em risco.

Muito melhor, mas não perfeito

O mundo de Iceborne é lotado de conteúdo para dar e vender. Tem de tudo aqui: novas mecânicas, mapas, habilidades, movimentos, armaduras, itens, minigames e mais algumas dezenas de pequenas novidades. Dentre todas elas, as adições da Clutch Claw e Clutch Shot são, de longe, as mais impactantes da expansão. Trazendo diversas novas possibilidades de aproximação, o uso desses movimentos torna os confrontos bem mais dinâmicos, além de promover uma maior interação com o cenário e os ambientes do jogo.

A Clutch Shot, em específico, torna indispensável o uso de uma mecânica antiga que havia sido esquecida pelos jogadores pela falta de utilidade. Lembra das munições espalhadas por todos os cantos do mapa? Agora elas são extremamente úteis por causa do combo em conjunto da Clutch Claw e da Clutch Shot, que é capaz de descarregar toda a munição disponível para empurrar o monstro contra qualquer parede ou armadilha afim de enfraquece-lo.

Os benefícios de sempre reabastecer a sua munição é tão importante que os combates ganham uma dinâmica diferente pois, além de se preocupar com o monstro, também é preciso procurar constantemente por munições no chão para forçar um tombo da criatura. Além do mais, utilizar e experimentar com as possibilidades desse combo é extremamente divertido.



A mecânica de montaria, por outro lado, continua sendo tão desapontante e desnecessária quanto em sua primeira aparição na beta do jogo. Montar em cima dos monstros é chato, aleatório e lento. É uma ideia legal no papel, mas que vai continuar sendo inútil enquanto não contar com melhorias em pelo menos uma dessas três características mencionadas.

A média de qualidade das músicas de combate foi um outro fator que melhorou exponencialmente com a chegada dos temas dos monstros antigos da franquia. Um dos maiores erros da versão original de World era a falta de melodias realmente empolgantes para acompanhar as batalhas. Nem de longe eram temas ruins, mas faltava estilos musicais mais animados e variados para que a trilha demorasse mais tempo para enjoar. Em cima desse problema, a lista de músicas de Iceborne fez um ótimo trabalho ao adicionar composições criativas e com maior potencial de ser “chiclete”, como os temas de Brachydios e Zinogre.

Monstruosidade variada

Se no quesito de personagens os humanos são mais “humanos”, então também pode-se dizer que os monstros são mais “monstros” em Iceborne. Muito mais agressivos, fantasiosos e variados do que nunca, as novas criaturas adicionadas na expansão chegaram para provar que ser criativo na hora de criar o conceito de um monstro pode aumentar completamente a diversão do jogador no momento da batalha.

Sejam completamente inéditos ou antigos na franquia, o novo elenco de monstrengos conta com adições simples que se provam mais do que suficientes para fugir da mesmice dos designs de dragões e dinossauros convencionais da versão original de World. Algumas feras podem até funcionar de forma semelhante entre si, mas a sensação de enfrentá-las é completamente única, muito por causa do conceito criativo por trás de cada criatura clássica ou inédita.



Em comparação com o jogo base, a dificuldade dos monstros também aumentou consideravelmente. As missões de “Master Rank” conseguiram transformar algumas batalhas até então simples em verdadeiros testes de resistência e paciência. Finalizar facilmente a maioria dos monstros em menos de 4 minutos ainda é possível, mas com certeza vai ser bem menos comum do que no jogo base.

Por causa do aumento na inteligência e na durabilidade dos inimigos, os combates passaram a depender mais de elementos estratégicos, ao invés de só serem definidos por uma disputa de “força bruta”. Isso faz com que a dificuldade cresça de forma orgânica e divertida sem precisar apelar igual fizeram com as batalhas injustas contra os “Arch Tempered” da versão original de World.

As quests de fim de jogo apresentam um excelente meio termo entre a facilidade de World e a dificuldade dos títulos antigos da franquia. Ao invés de concentrar o foco dos desafios totalmente na possibilidade de morrer por pequenos descuidos, Iceborne prefere te punir por jogar constantemente mal e não se planejar antes dos confrontos. Alcançar a vitória ainda pode não ser tão complicado como os fãs antigos desejam, mas isso também não quer dizer que o desafio é um passeio num mar de rosas.


Aquecendo o coração

Muito mais que uma simples expansão, Iceborne é praticamente um título a parte da versão original. Entregando tudo o que prometeu e mais um pouco, a expansão consegue capturar perfeitamente a essência que transformou a franquia de caçar monstros no sucesso mundial que ela é hoje. Apesar de não ser perfeito, o conteúdo presente aqui poderia facilmente valer mais do que o preço de muitos lançamentos recentes.

Com a confirmação de que ainda mais conteúdo será adicionado ao jogo por meio de DLCs grátis, só resta esperar que as atualizações futuras possam extrair ao máximo o enorme potencial que Iceborne carrega.

Lindo, frio e cheio de conteúdo: Monster Hunter World Iceborne é sem dúvida nenhuma um dos maiores destaques da geração atual de consoles. Capaz, até mesmo, de fechar o incrível ano da Capcom com uma merecida chave de ouro.

Prós:

  • Mecânica das Clutch Claw traz dinâmica divertida;
  • História e desenvolvimento de personagens superior ao jogo original;
  • Pós-jogo mais interessante;
  • Elenco de monstros mais variado;
  • Dificuldade mais árdua, porém justa.

Contras:

  • Mecânica de montaria é desnecessária;
  • Ainda apresenta problemas do jogo base, mesmo que em menor escala.

Monster Hunter World Iceborne - PS4/XBO - Nota: 9.5

Versão utilizada para análise: PS4

Análise produzida com cópia digital gentilmente cedida pela Capcom

Revisão: Francisco Camilo



Estudante de jornalismo que não vê a hora de achar um estágio. Apaixonado por videogames e esperando o fim de Hunter x Hunter e Berserk desde que me entendo por gente.

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