Análise: Solo: Islands of the Heart é uma reflexão profunda das nossas vidas amorosas

Lançado para PC no ano passado, e agora para as demais plataformas, o game nos conduz a revisitar nossos relacionamentos passados com jogabilidade estilo plataforma e pequenos quebra-cabeças.

Em diversos momentos da vida, nos indagamos sobre o destino tomado pelos nossos relacionamentos passados e se poderíamos ter feito algo de diferente. Solo: Islands of the Heart (Multi) nos ajuda a reavaliar tudo o que passamos de maneira simples e bastante criativa. Porém, diversos bugs e erros de direcionamento tiram a beleza de algo que tinha tudo para ser bastante emocionante.

As ilhas do coração

A mecânica do jogo é bastante simples. Basta resolver os enigmas e avançar pelos três arquipélagos para concluir a aventura. Essa tarefa demora  aproximadamente uma hora.

Dentro da proposta de Solo, que é mais gerar uma reflexão do que só divertir, esse período combina perfeitamente com a temática, sem parecer muito curto ou muito longo.

O procedimento é sempre o mesmo: devemos sempre acionar um farol que "acorda" um totem gigante de pedra. Após responder a pergunta que ele nos faz, a próxima porção do arquipélago é liberada.

A medida que a aventura prossegue, o totem e seu farol vão ficando cada vez mais distantes um do outro. Para se deslocar é necessário usar caixas para construir escadas, pontes e plataformas. Além das caixaa simples, existem as com esteiras, com ventosas e com hélices. Primeiro começamos a pegar as que estão por perto, depois ganhamos um bastão mágico que ajuda a alcançar e posicionar caixas a distância, mas o controle dele é um tanto quanto confuso, a ponto de às vezes selecionarmos o objeto errado e precisar recomeçar tudo de novo.

Por esse ser o único tipo de mecânica utilizada, o jogo tende a se tornar monótono entre seus obstáculos. Nosso personagem também possui um violão, que não tem serventia alguma, e uma câmera fotográfica que só é exigida em duas tarefas paralelas.

Um mar de sensibilidade

Solo consegue ser amplamente inclusivo de maneira simples. Logo de início temos que escolher o gênero do nosso avatar e indicar o gênero pelo qual sentimos afinidades. Nessa parte, as opções não se limitam a masculino ou feminino, possuindo também a opção não binário.

Quanto a nossa companhia, ela também pode ser não binária ou podemos simplesmente optar por "sem gênero definido". Isso pode parecer algo simples, mas é um passo grande em quebrar alguns preconceitos que existem no geral, inclusive no mundo dos games.

Esta escolha influencia apenas nas perguntas feitas pelos totens, que não possuem respostas erradas. Qualquer uma das três opções disponíveis é válida e elas afetam as indagações feitas pelo espectro que nos segue durante o caminho. Esse fantasma simboliza nossos relacionamentos anteriores e sempre trará um questionamento diferente, baseado nas nossas respostas prévias.

Falha coronária

Apesar da sua simplicidade, o game possui algumas falhas bobas, que atrapalham o aproveitamento de sua história. Uma delas é a falta de instrução em determinados pontos. Entendemos a ideia de deixar tudo mais intuitivo, mas em alguns momentos travamos por aparecer um elemento novo que não teve sua funcionalidade explicada.

A câmera pode ser controlada livremente, porém isso pode gerar confusões e diversos pontos cegos. Isso dificulta na hora de procurar os blocos espalhados pela ilha.

Outro aspecto que pode incomodar o público é o uso de cores vibrantes muito fortes, principalmente o rosa e o azul. Elas predominam nas porções do arquipélago enquanto ainda existem enigmas a serem resolvidos. O problema é que são tonalidades que podem acabar causando uma certa confusão em alguns momentos.

Entretanto, acima de tudo isso, houve coisa pior. Durante nossa análise, o jogo travou por duas vezes, nos finais do segundo e terceiro arquipélago. Ao reiniciarmos, o arquivo nos levou de volta ao começo de cada um, respectivamente. O mais estranho é que em ambos os casos, quase tudo precisou ser refeito, exceto por duas séries de enigmas subterrâneos, envolvendo sombras. Eles já constavam como resolvidos ao chegarmos nesta parte.

Já dissemos que a aventura não é longa, mas qualquer título que venha a travar e fazer o jogador retroceder causa frustrações. Este fator pode acabar fazendo o título ficar de canto por um bom tempo depois de comprado.

À deriva

Solo: Islands of the Heart tem como ponto muito forte a sua proposta e como ela é conduzida, de maneira sutil e bastante tocante. Inclusive, seu estilo artístico e mecânica combinariam bastante com as plataformas VR do mercado (PSVR, Oculus Rift, etc…).

Porém, fica difícil recomendar totalmente um título que traz sérios problemas de travamento. Não podemos garantir que isso irá acontecer com todos, como aconteceu durante nossa avaliação, mas é sempre bom deixar avisado.

Prós

  • Narrativa criativa;
  • Título bastante inclusivo, visando abranger qualquer gênero;
  • Estilo artístico bem colorido e bonito;
  • Trilha sonora combina perfeitamente com a ambientação do jogo.

Contras

  • Câmera livre pode esconder diversos objetos em pontos cegos;
  • Algumas cores podem ser fortes demais e causar desconforto ao jogar;
  • Falta de instruções a cada inserção de um objeto novo;
  • Itens e elementos que não tem uso efetivo no jogo, como a câmera é o violão;
  • Ter apenas um tipo de desafio para resolver torna a tarefa monótono em certos pontos;
  • Travamentos que reiniciaram uma parte inteira da experiência.
Solo: Islands of the Heart — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela Merge Games
Revisão: Henrique Moreno

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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