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Análise: Monster Boy and the Cursed Kingdom (PC) é uma aventura básica, mas muito caprichada

A clássica franquia "Wonder Boy" recebeu um sucessor espiritual que aposta no estilo Metroidvania.


Um herói corajoso, um reino amaldiçoado e uma jornada épica. Monster Boy and the Cursed Kingdom tem uma premissa típica de um clássico da era dos 16 Bits. Não é para menos. Este simpático Metroidvania desenvolvido pela Game Attelier é uma sequência espiritual da franquia de jogos Wonder Boy, famosa aqui no Brasil por dar origem ao clássico “Mônica na Terra dos Monstros“ de Master System.



Apostando na nostalgia, os criadores originais de Wonder Boy se reuniram para produzir um novo projeto que busca inspiração nos clássicos do passado, ao mesmo tempo que adiciona um toque de modernidade. Essa mistura resultou em Monster Boy and the Cursed Kingdom, que estreia pela primeira vez nos PCs, após ser lançado originalmente em 2018 para os consoles de mesa da atual geração.

Cadê o Omnitrix?

Monster Boy and the Cursed Kingdom te coloca no controle de Jin, um jovem garoto que vivia tranquilamente no fantasioso Reino dos Monstros. Era uma vida tranquila, pelo menos até o dia em que Nabu, tio do menino, encontrou uma poderosa varinha mágica que jogou toda a paz por água abaixo.

Enlouquecido pelos poderes misteriosos do artefato, Nabu começou a transformar todos os cidadãos do reino em animais e monstros, causando um enorme caos por onde passa. Para quebrar essa maldição e salvar o seu tio, Jin decide então embarcar em uma jornada em busca dos 5 orbes lendários que, se reunidos, podem transformar todo o povo de volta para a sua forma humana.


Cada uma das cinco orbes também permitem que Jin se transforme em um animal único. Entre as possibilidades estão as formas de porco, cobra, sapo, leão e dragão. Todas com habilidades distintas que são bem divertidas de controlar, principalmente as formas do sapo e do leão.

O uso dessas diferentes transformações é a principal mecânica que rege a estrutura de Monster Boy. As áreas do jogo são criadas pensando no uso das habilidades específicas de cada animal, de forma que é necessário explorar o potencial de cada cada um para poder avançar sem maiores problemas.

A exploração dos cenários é na maioria das vezes linear, sempre com um objetivo claro na mente do jogador. Apesar disso, muitas áreas são recheadas de segredos, itens secretos e puzzles que adicionam uma camada extra de profundidade na exploração.

O jogo consegue mesclar sem maiores problemas a linearidade dos objetivos principais com partes de exploração individual, porém em comparação com outros Metroidvanias da atualidade, Monster Boy não oferece nada de realmente especial ou único. Os controles são precisos e o game design das áreas é bem competente, mas não há nada que já não foi feito melhor em outros jogos.


Charme monstruoso

Não há muito o que se destacar na parte da gameplay, mas também não há muito o que reclamar. O próprio jogo não se leva a sério em muitos momentos. Ele promete ser divertido e cumpre isso muito bem.

Na verdade, grande parte do charme de Monster Boy se deve aos gráficos e às animações do jogo, que fazem uso de um simpático traço estilo anime. Assim como tudo no título, não é nada muito detalhado ou inovador, mas ainda consegue conquistar o jogador pela ótima execução e paixão colocada na criação da aventura.

Em comparação com o resto, a trilha sonora é o aspecto que mais se destaca no jogo. As músicas são vibrantes, empolgantes e passam uma grande vibe de aventura épica e divertida, típica de desenhos e jogos japoneses. O mesmo também vale para os efeitos sonoros que são satisfatórios e bem colocados.

Apesar dos elogios, simplicidade nem sempre significa que algo é bom. A falta de profundidade nos inimigos normais é bem enjoativa. Os chefões podem até explorar ideias divertidas, mas os inimigos pequenos continuam sendo bem sem-graça e repetitivos de enfrentar.

A necessidade de trocar constantemente de equipamento, forma e itens pode irritar ao longo do tempo. Similar ao que acontece no Water Temple de Zelda: Ocarina of Time(N64), uma hora fica cansativo ter que ficar abrindo constantemente o menu de pause para poder avançar em algum obstáculo que não deveria precisar de tanto esforço.

Aliás, “avançar” também é um acontecimento que começa a ficar bem massante durante as áreas mais avançadas do jogo. A grande maioria dos puzzles espalhados pelos cenários são sólidos e intuitivos na medida certa de dificuldade. Eles dificilmente estressam e ainda trazem uma boa sensação ao solucioná-los. Porém, alguns problemas começam a ficar aparentes especificamente durante a penúltima “dungeon” do jogo.

Além dessa masmorra ser confusa e recheada de puzzles nem um pouco intuitivos, para poder enfrentar o chefão dela é necessário abrir o menu de opções e marcar uma opção específica que aparece somente naquele lugar. Tudo isso sem nenhuma espécie de dica dentro do jogo. Isso não é nem um pouco intuitivo ou justo com o jogador, além de não fazer o menor sentido em termos de game design.


Garoto maravilha

Mesmo com erros comuns, a sequência espiritual de Wonder Boy se prova como uma ótima porta de entrada para o gênero de Metroidvania. Monster Boy and the Cursed Kingdom não se arrisca a fazer mais do que o básico, mas pelo menos faz isso muito bem. É uma aventura carismática e convidativa para quem quer passar o tempo. Nem tão fácil, nem tão difícil. Um Metroidvania sem compromissos que agrada pela simplicidade e uma execução sólida.

Prós:

  • Gráficos simpáticos
  • Ótima trilha sonora
  • Controles sólidos
  • Porta de entrada perfeita para o gênero

Contras:

  • Decai em qualidade na penúltima dungeon
  • Sem muita profundidade nos inimigos
  • Troca de equipamentos truncada
Monster Boy and the Cursed Kingdom - PC/Switch/XBO/PS4 - Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Raphael Barbosa
Análise produzida com cópia digital cedida pela FDG Entertainment



Estudante de jornalismo que não vê a hora de achar um estágio. Apaixonado por videogames e esperando o fim de Hunter x Hunter e Berserk desde que me entendo por gente.

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