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Análise: Under Night In-Birth Exe:Late[st] (Multi) é um pequeno notável que merece respeito e atenção

Apesar de ter uma idade considerável, game tem bastante personalidade e mostra o porquê de ter sido lembrado depois de tanto tempo nas sombras.

Para quem acompanha o cenário competitivo dos games de luta, já é de praxe esperar pela edição anual da Evolution Championship Series. O anúncio da lista de participantes desse ano já contou com algumas surpresas, como a presença do novo Samurai Shodown, antes mesmo de ter sua data de lançamento confirmada, e a exclusão de Super Smash Bros. Meele (GC), após mais de uma década integrando o torneio.

Já havia sido confirmado que seriam escolhidos nove jogos esse ano, então quem seria o eleito? Para uma surpresa geral, a vaga ficou com Under Night In-Birth Exe:Late[st] (Multi), produzido pelas desenvolvedoras Ecole Software e French-Bread.

Under Night já teve algumas versões, com diversos ajustes no balanceamento das batalhas e adição de personagens. Essa última chegou na América do Norte apenas em 2018. Antes disso a franquia era praticamente exclusiva dos fliperamas e consoles japoneses.

Entretanto, será que valeu a pena escolher um título que foi distribuído inicialmente há quase uma década atrás? Para matar a curiosidade de muitos, inclusive a nossa, o
analisou a mesma edição que será usada na EVO 2019.

Não te conheço de algum lugar?

O título foi inicialmente feito para arcade, em 2012. Só depois que a Arc System Works e a Aksys Games assumiram sua distribuição no Japão e na América do Norte, a série foi lançada para o PlayStation 3, em 2014. Com a chegada de Exe:Late[st] no ano seguinte, houve mais um tempo de espera até os jogadores caseiros poderem experimentar as novidades implementadas.

Curiosamente, o estilo de jogo de Under Night é bastante similar ao das duas principais séries da Arc, BlazBlue e Guilty Gear. Logo, quem já tiver alguma experiência com estas franquias irá se sentir em casa com as mecânicas apresentadas.

Porém, ele também possui seus aspectos únicos. Além da já conhecida barra de especial (EXS), que é utilizada para ataques mais potentes, existe outra baseada em quanto o jogador é bem sucedido em seus golpes e bloqueios (GRD).

Outro funcionamento bastante útil são os contra-ataques. Seu comando é universal e, apesar de parecer um pouco complexo de início, após algumas sessões de treino ele se torna bastante intuitivo.

Quanto aos ataques, tudo é bastante fluido. As combinações mais simples já são suficientes para garantir um combate parelho em qualquer um dos modos de jogo. Existe até um "combo de um botão", conseguido após apertar o botão de ataque fraco três vezes. De novo, encontramos essa mecânica em outro jogo da Arc, Dragon Ball FighterZ (Multi).

Agora, caso o jogador seja um principiante, ele estará bem amparado. O tutorial é bastante completo, com 179 lições que vão do básico, como movimentação e conexão de ataques, ao estágio avançado, como mecânicas de escudo e controle do espaço.

Mistura pitoresca

Under Night traz diversos modos básicos de um jogo de luta. Temos um arcade em que cada lutador tem um chefe diferente na sua escalada. Outras opções clássicas são Versus, Score Attack, Time Attack, Survival e Training, além de um modo online, para partidas casuais ou ranqueadas.

A novidade, pelo menos para o público ocidental, é como a história é contada. O modo Chronicles funciona como um Visual Novel. São 22 capítulos, protagonizados por diferentes lutadores, em que se descobre a motivação de cada um e como é a relação deles entre si.

Tradicionalmente, um Visual Novel oferece ao jogador a oportunidade de influenciar no andamento da narrativa ao tomar decisões no papel do protagonista. Não é o que acontece aqui, pois não há como escolher o que irá acontecer. Não existem nem mesmo combates pontuais, como em outros títulos que inserem duelos em momentos chave.

Pode parecer um pouco estranho de início, mas ainda assim não deixa de ser uma maneira diferente de ambientar o jogador. Além disso, essa também pode ser uma porta de entrada bacana para esse gênero que tem se popularizado cada vez mais fora do Japão.

Fórmula conhecida e certeira

Após as adições da versão Exe:Late[st], o elenco conta com 20 lutadores. Apesar de variados entre si, seus arquétipos já são bastante conhecidos, o que até facilita sua assimilação com personagens de outras séries, como as já citadas Guilty Gear e BlazBlue.

Entre os integrantes, estão presentes o grandalhão que distribui agarrões (Waldstein), a criatura estranha e sombria com alcance fora do normal (Merkava), o cara que não usa armas e é o "porradeiro" (Enkidu e Akatsuki) e a garotinha com uma arma ignorantemente grande para seu tamanho (Mika). Isso só para citar alguns, além dos muitos espadachins.

O visual do jogo é o básico para o gênero. Enquanto os cenários ao fundo ganham animações tridimensionais, os personagens mantêm seu aspecto cartunesco. Os especiais tem alguns efeitos especiais bacanas e diferenciados, mas sem grandes novidades também. No geral, não surpreende, mas tampouco decepciona.

Outro elemento chave que merece destaque é a trilha sonora. Desde a música de abertura até o tema de cada personagem, é impossível não ficar balançando a cabeça no ritmo de cada melodia enquanto os embates acontecem. Inclusive, para quem quiser ouví-la fora de casa, todas as faixas estão disponíveis no Spotify.

Muito mais que um penetra

Para quem ainda estranha a participação de desse jogo na EVO 2019, saiba que ele já esteve lá na edição anterior, mas como evento paralelo. Foram mais de 200 inscritos e o campeão foi o americano Squish. Ele derrotou o japonês Heiho, que por acaso havia acabado de se sagrar vencedor de BlazBlue Cross Tag Battle (Multi).

Infelizmente a demora para sua chegada no Ocidente prejudicou sua popularidade. Tanto que muitas pessoas só vieram a conhecê-lo após ver alguns de seus lutadores anunciados no crossover com BlazBlue. Quem sabe sua aparição na EVO 2019 alavanque a sua fama e faça com que jogadores mais distantes da comunidade busquem conhecê-lo.

Under Night In-Birth Exe:Late[st] (Multi) já teve várias versões e uma nova está por vir, ainda sem data definida. Pode parecer um pouco datado a primeira vista, mas é um título simples, divertido e com personagens que agradam tanto quem gosta de exercer pressão sobre o oponente, quanto quem busca um jogo mais paciente e cadenciado. É indispensável para quem curte o gênero.

Prós

  • Jogabilidade de fácil aprendizado, convidativa para novatos e veteranos;
  • Personagens de estilos variados;
  • Trilha sonora empolgante;
  • Tutorial bastante completo;
  • Diversos modos clássicos do gênero de luta, que aumentam a vida útil após o arcade;
  • É um ótimo título para o uso do cross-save entre PS3, PS4 e PSVita.

Contras

  • Por essa versão ser uma revisão da primeira, lançada em 2012, o visual parece um pouco datado e antiquado;
  • Ter um modo em Visual Novel que não permite escolhas ou interações pode ser um tanto quanto maçante;
  • A execução de alguns combos, por mais que sejam simples, exigem uma precisão de frames fora do normal. Jogadores menos experientes podem acabar se desmotivando, principalmente com o modo Mission;
  • Preço elevado.
Under Night In-Birth Exe:Late[st] — PC/PS3/PS4/PSVita — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital adquirida pelo próprio redator
Revisão: Francisco Camilo

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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