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Análise: Dragon Star Varnir (PS4) é um RPG que fica no limite da diversão com o tédio

Ajude suas irmãs bruxas a se livrarem de uma maldição com seus poderes recém descobertos e não deixe elas exagerarem na hora do jantar.

Lançado no ano passado apenas no Japão, Dragon Star Varnir (PS4) ganhou uma versão internacional agora em 2019. O RPG é desenvolvido pela Compile Heart, um dos estúdios subsidiários da nipônica Idea Factory.

A história narra a vida de Zephy, que integrava uma força armada que caçava bruxas, taxadas como causadoras de todo mal existente. Ao ser emboscado por um dragão, ele tem sua vida salva justamente por Minessa e Karikaro, duas feiticeiras que estavam procurando por Laponette, sua irmã aprisionada justamente pelas temidas tropas dos Knights of Requiem, ao qual ele fazia parte. Para salvarem a vida de Zephy, elas dão sangue do animal abatido, o que faz a verdadeira natureza do jovem soldado se revelar, junto com estranhos e novos poderes.

Ao ver que ganhou poderes como os das bruxas, Zephy descobre que elas carregam uma maldição. Cada bruxa tem dentro de si um dragão. Para manterem-se vivas, elas precisam ingerir sangue e carne desses seres mitológicos, e ainda assim isso não garante que elas sobrevivam muito tempo.
Ao se alimentarem, elas fazem a criatura que carregam crescer, o que fatalmente resulta em sua morte. Por outro lado, se as bruxas não consumirem a carne dos dragões abatidos, são consumidas por um ímpeto de loucura que também as levará ao fim. Caberá agora a Zephy ajudar as feiticeiras a quebrarem essa maldição, enquanto combatem diversos seres poderosos e também fogem do antigo exército ao qual o jovem servia.

O caminho das bruxas

A exploração do mundo de Varnir é básica e simples. O jogador escolhe um ponto no mapa, que pode ser um templo, floresta ou castelo, e assim pode se deslocar livremente. Cada personagem do seu time tem habilidades distintas como quebrar barreiras, criar pontes de luz, achar baús secretos, entre outros.

Cada local possui diversos itens para serem encontrados, além de um chefão principal e um cristal para salvar o jogo. Apesar de ter um auto save, fica confuso onde ele guardou seu progresso pela última vez, então sempre é bom reforçar com um salvamento manual.

Os encontros com inimigos básicos podem ser evitados, pois é possível vê-los se deslocando pelo mesmo local que você. Dessa maneira, o jogador pode ficar de olho em qual dragão quer enfrentar ou não. Vale lembrar que, na maioria das vezes, os inimigos vêm em grupos, mesmo que tenha um oponente só pelo caminho.

Fome de dragão

Dragon Star mistura o clássico combate em turnos com um interessante deslocamento vertical. Pode-se combater os inimigos em três faixas aéreas distintas e isso pode ser usado como parte da estratégia. Formações diferentes, como deixar um integrante em cada altura ou todos na mesma, podem gerar vantagens e desvantagens específicas.

Durante o confronto, todos os personagens podem realizar ataques físicos, soltar magias, usar itens e assumir uma postura defensiva. Um dos elementos únicos que aumentam a estratégia usada são as armadilhas, que podem ser colocadas acima, abaixo ou ao lado de algum inimigo. Utilizando da maneira certa, pode-se deslocar um ou mais dragões em direção delas para maximizar o dano causado. O funcionamento das armadilhas pode ser confuso de primeira, mas logo torna-se um recurso muito útil.

Entretanto, a habilidade principal é a de devorar. Cada dragão pode ser consumido em batalha. Isso ajudará a desbloquear um novo núcleo de habilidades para o combatente que o ingeriu. Ao fim de cada batalha, são concedidos pontos para a equipe, usados para destravar cada habilidade. Inimigos comuns só dão seu núcleo para o devorador. Já os chefes liberam para a equipe inteira.

Um ponto fraco nas lutas é não saber quanto de vida os oponentes possuem. O jogador fica à mercê de se apegar aos pontos fracos e insistir em uma mesma sequência de ações. Outro contra é não haver sinalização de qual dragão já foi devorado por qual personagem. Isso ajudaria muito a evitar caçadas desnecessárias.

Outro aspecto incômodo é que a transformação especial de cada personagem é automática. A cada combate, uma esfera se enche e, quando se completa, o modo especial é ativado, em que cada um se transforma e consegue mais poder. O momento da ativação não pode ser escolhido, o que faz com que evitemos batalhas menores para guardar o especial para os chefões. Pelo menos, essa esfera se enche rapidamente.

De olho nas irmãzinhas

O "QG" das bruxas serve como local seguro e é o ponto onde é possível comprar itens, equipamentos, fazer alguns tipos de elixir, interagir com as outras feiticeiras e completar as missões secundárias.
Os elixires servem para conjurar dragões específicos, que concedem armas melhoradas e artigos raros. Já as side quests consistem apenas em achar algum objeto e entregar para Zuba, uma espécie de curandeira local.

Outra tarefa que pode ser bastante ingrata é a de ganhar a confiança das feiticeiras mais velhas. São sete esferas que medem o nível de intimidade com cada uma. Para que o afeto entre Zephy e elas aumente, é necessário dar presentinhos. Alguns enchem mais o medidor que outros e esses mimos podem ser achados em qualquer lugar.

São cinco bruxas para agradar e, ao completar todas as esferas de afinidade, é desbloqueada uma imagem específica na galeria. Além disso, existem as irmãzinhas mais novas, que precisam ser alimentadas com a carne e o sangue conseguidos após cada luta. Deve-se manter o equilíbrio na hora de dar a refeição para que elas não morram de tanto comer ou fiquem loucas de fome.

Você vai falar ou não?

O desenrolar do jogo seria até que bem curto se não fossem pelas falas. Por mais que a história seja interessante, existem momentos em que acontecem animações com voz, e em outros só com balões de fala. O mais recorrente é a sobreposição de imagens estáticas em 2D, na maioria das vezes apenas com fala corrida e em outros raros momentos, acompanhadas pela voz. Isso cria quatro tipos de interações e, quando começa alguma cutscene, sempre fica a dúvida de como ela será.

Essa inconstância no modelo escolhido quebra um pouco do interesse em acompanhar o que está acontecendo. Fica óbvio que a falta de um padrão vem por causa de restrições orçamentárias, mas seria muito melhor ter as vozes por mais tempo no jogo, já que a dublagem é ótima.

Não dá fome, mas não te deixa louco

Dragon Star Varnir (PS4) é um bom RPG, mas que não se esforça em ser inesquecível ou impactante. Seu ótimo enredo é prejudicado pela falta de um padrão nas cutscenes. Porém, ainda assim vale a pena desbravar o mundo de Varnir para devorar a vasta quantidade de tipos de dragões que o habitam.

Prós

  • Sistema de batalha em três níveis aumenta o número de estratégias possíveis para derrotar seus inimigos;
  • Narrativa bem desenvolvida;
  • Ótimo visual e animações;
  • Excelente dublagem;
  • Sistema de ganho de habilidades por núcleos de dragão amplia a diversidade da equipe. É possível focar cada personagem em um aspecto ou balancear todos nas mesmas características.

Contras

  • A variação dos momentos estáticos, em CG, com ou sem voz irrita e até deixa tudo mais arrastado;
  • Transformação automática nas lutas nos faz gastar o especial de cada bruxa em momentos desnecessários;
  • Falta da marcação de pontos de vida dos inimigos, assim como uma sinalização de quais já foram devorados.
Dragon Star Varnir — PS4 — Nota: 7
Análise feita com cópia digital cedida pela Idea Factory
Revisão: Francisco Camilo 

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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