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Análise: Gato Roboto (PC/Switch) é um divertido metroidvania com toque felino

Uma atmosfera bem humorada e ação ágil são os destaques desse indie de plataforma.


Uma simpática gatinha que controla uma armadura robótica de combate é a curiosa protagonista de Gato Roboto. O jogo, que se autointitula um meowtroidvania, oferece uma aventura de ação e plataforma com algumas ideias únicas. O visual retrô, a música eletrônica e muito carisma são seus maiores destaques, por mais que a experiência seja breve e simplificada.

Uma heroína felina improvável

Uma nave está patrulhando o espaço quando recebe um pedido de ajuda de um planeta próximo. O piloto decide verificar a ocorrência e se dirige para o local, mas durante a descida a sua gata, de nome Kiki, aperta teclas aleatórias no painel de controle — felinos adoram fazer isso, não é mesmo? Por causa disso, o pouso é turbulento, fazendo a nave sofrer grandes danos. O capitão se vê preso nos destroços e agora a única esperança é Kiki, que fica encarregada de explorar o planeta.

Naturalmente, uma simples gata não é a criatura mais indicada para desbravar uma região repleta de perigos. Por sorte, armaduras robóticas estão espalhadas pelo local e a bichana vai pilotar esses veículos para conseguir avançar. Gato Roboto, como o nome já indica, é um jogo de ação e plataforma no qual uma gata controla robôs, que contam com uma pistola e mísseis. O título se autodenomina metroidvania e isso é representado na forma de um mapa interconectado repleto de salas e segredos. Como é de praxe, conforme avançamos, coletamos melhorias e habilidades para a armadura robótica, o que permite alcançar novos locais.


Um detalhe muito legal é que Kiki pode sair da armadura a praticamente qualquer momento para explorar corredores estreitos, atravessar áreas com água ou escalar paredes — só é necessário ser muito cuidadoso, já que ela é derrotada com um único acerto. Além disso, a felina também consegue pilotar outros veículos, como submarinos e canhões. Precisamos alternar constantemente entre o controle de equipamento e da gata para conseguir superar os desafios.

Fora isso, Gato Roboto tem uma atmosfera muito carismática e bem humorada. Os diálogos são divertidos e bem localizados para o Português, sendo que Kiki esbanja personalidade só com seus miados e expressões faciais. Já o visual monocromático no estilo “1-bit” remete a jogos clássicos e tem charme próprio com elementos bem animados. Um extra interessante são outras paletas de cores que podem ser desbloqueadas ao encontrar fitas espalhadas pelo mundo. Por fim, uma trilha sonora eletrônica com leves toques industriais reforça a atmosfera de ficção científica inusitada.


Criatividade misturada com simplicidade

A ação em Gato Roboto é acelerada, o que me trouxe a sensação de estar jogando um intenso título de ação e plataforma. A armadura robótica de Kiki é bem ágil, o que significa poder atirar e pular com muita rapidez e facilidade, tornando a experiência bem divertida — é muito legal sair explodindo tudo com mísseis e pulos precisos. A dificuldade é média na maior parte do tempo, porém há alguns momentos mais complicados, principalmente nas lutas contra chefes.

Como metroidvania, Gato Roboto não é um dos mais notáveis representantes do gênero. O motivo disso é que a progressão é bem linear, sendo que na maioria das vezes há somente um único caminho disponível para avançar. Além disso, o arsenal de habilidades é bem reduzido e têm pouco impacto na exploração no geral. De qualquer maneira, é possível revisitar áreas em busca de segredos e extras. No fim, eu classificaria o jogo como um título de plataforma sequencial com uma pitada de exploração — não que seja ruim, já que a jornada em si é bem contida e divertida.


A característica mais interessante do jogo é a variedade de situações proporcionada pela mecânica de sair da armadura robótica. Pelo caminho aparecem momentos em que somos forçados a controlar Kiki diretamente para resolver algum problema ou puzzle. Em um ponto, por exemplo, não é possível alcançar o final de sala por causa da presença de água, que danifica a armadura. Para avançar, precisamos deixar o equipamento em uma plataforma e em seguida nadar por um trecho cheio de inimigos a fim de alcançar um dispositivo que move a plataforma por cima da água. Há também pontos em que somos forçados a explorar grandes áreas apertadas somente com a frágil Kiki, o que transforma o título em uma espécie de puzzle de navegação.

Mesmo assim, há uma sensação geral de simplicidade em Gato Roboto. A mecânica de controlar outros equipamentos é bem criativa, no entanto há pouquíssimos veículos disponíveis e seus usos são bem limitados. O aspecto de metroidvania é tímido, sendo o andamento bem linear. Além disso, a aventura é curtinha, podendo ser concluída em duas horas aproximadamente. Algumas opções dão sobrevida ao jogo, como tentar obter todos os itens e as conquistas (algumas delas exigem terminar o título sob algumas restrições). No fim, Gato Roboto é legal enquanto dura, mas fica aquela sensação de que podia ser muito mais.


Um meowtroidvania interessante

Gato Roboto usa um conceito criativo para criar uma aventura ágil e ímpar. É divertido explodir tudo e explorar um mundo perigoso alternando o controle entre uma gatinha e uma armadura robótica, principalmente nos momentos que lembram puzzles. Há também muito carisma no visual com ares retrô e nos diálogos bem humorados — é um título que não se leva muito a sério. O jogo pode passar um ar de simplicidade por causa da curta duração, da progressão linear e das mecânicas principais pouco exploradas, no entanto o andamento acelerado e atmosfera charmosa compensam esses detalhes. No fim, Gato Roboto é uma diversão compacta e intensa, sendo uma ótima opção para quem gosta de um bom jogo de plataforma.

Prós

  • Conceito principal de uma gata controlando veículos explorado de maneiras criativas;
  • Andamento acelerado, com boa mistura de ação e momentos de plataforma e puzzle;
  • Atmosfera charmosa com visual monocromático, texto divertido e áudio bem trabalhado.

Contras

  • Curta duração e poucos extras.
Gato Roboto — PC/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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