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Análise: World War Z (Multi) - uma das melhores surpresas do ano

Tiro e zumbis para todo lado.


World War Z (Multi) chega trazendo diversão simples, direta e baseada na matança desenfreada de hordas de zumbi. Contando com um conjunto de modos de jogo satisfatório e bastante itens e habilidades para serem desbloqueadas, o jogo da Saber Interactive é uma excelente opção para partidas cooperativas bastante dinâmicas.

Dizimando tudo

O modo campanha de WWZ conta com quatro locações reais: Nova Iorque, Jerusalém, Moscou e Tóquio. Cada locação é composta por três episódios distintos, oferecendo pequenas histórias de grupos de sobreviventes.

Em momento algum consegui me importar com a história. Tudo o que acontece parece apenas existir para embasar as mecânicas e a jogabilidade empregadas em WWZ. E isso jamais chega a ser um problema. World War Z se mostra muito competente ao oferecer um jogo rápido, direto e divertido, perfeito para um grupo de até quatro pessoas se aventurar pelo apocalipse e matar tudo que se mexer.

Como mencionado, WWZ pode ser encarado por até quatro jogadores em partidas cooperativas. Quando jogado solo, os companheiros são controlados pela inteligência artificial. Os objetivos dados aos jogadores consistem sempre em defender uma posição, eliminar hordas de zekes (os zumbis do game) e procurar itens para conseguirem avançar. Não há cutscenes e nenhuma profundidade nos diálogos dos personagens, embora possuam trocas divertidas em algumas situações.

Com uma extensa galeria de armas disponível, os jogadores terão a oportunidade de enfrentar hordas e mais hordas de zumbis com submetralhadoras, escopetas, rifles de precisão e de assalto de todos os tipos possíveis.

Cada arma possui um total de dez variações diferentes, contando com modificadores que alteram e melhorar características básicas, como dano, taxa de disparo e capacidade de munição. Para desbloquear novas versões, é preciso utilizar os armamentos para eliminar inimigos, o que irá conceder pontos de experiência para o equipamento ao final de cada partida. Após o desbloqueio, basta comprar a versão desejada e equipá-la para que a mesma possa ser encontrada durante as fases.



Há seis classes de personagens disponíveis para o modo campanha: Atirador, Infernal, Médico, Reparador, Retalhador e Exterminador. Cada uma delas conta com 30 níveis próprios, e a cada nível uma nova habilidade exclusiva é desbloqueada, dando aos jogadores excelentes opções para escolherem suas classes e habilidades e montar conjuntos que sejam os melhores de acordo com seu estilo de jogo. Para comprar as habilidades, basta utilizar os créditos ganhos ao final de cada fase.

Há cinco níveis de dificuldade disponíveis. Quanto maior o nível, mais alto é o dano causado pelos zumbis, o dano de fogo amigo e as recompensas de créditos por vitória e derrota. É preciso boa coordenação e um grupo formado por classes diferentes e balanceadas para se encarar as dificuldades mais altas, mas as recompensas fazem valer o desafio extra.

Armando defesas

O que mais acontece em World War Z é a necessidade de se defender uma área contra hordas de zumbis. Impressionantes em seu tamanho, as hordas oferecem um desafio diferente e gostoso de ser encarado, principalmente pela sensação deliciosa de despedaçar os montantes de zekes pelo caminho.

Mecanismos de defesa ficam espalhados em caixas especiais pelos cenários, que podem ser coletados e alocados em locações específicas, permitindo que os jogadores criem estratégias simples e efetivas para os momentos de combate. Cercas elétricas, torretas automáticas e morteiros são algumas das opções de defesa disponíveis, e todas funcionam de maneira singular, com suas potencialidades e fraquezas.

Diversos elementos de World War Z são randomizados a cada partida. Isso significa que diferentes armas e armadilhas poderão ser encontradas em locais diversos à cada partida, tornando-as imprevisíveis até certo ponto. Isso evita a sensação de repetição durante a jogatina, e é uma das boas sacadas do jogo.



World War Z peca por não oferecer combates contra chefes, mas acerta ao trazer uma variedade de zumbis simples e interessante. São cinco ao todo: os zekes, que são zumbis tradicionais; espreitadores, que pulam nos jogadores e os impedem de mover até que sejam mortos por aliados; gasosos, que usam roupas de proteção e liberam gases tóxicos quando eliminados; touros, que basicamente são brutamontes com armaduras policiais anti-motim e que dão investidas e agarrões furiosos; e os berradores, que possuem a habilidade de berrar (rá!) e chamar outros zekes nas redondezas para atacar os jogadores.

Terminar um episódio com cada personagem desbloqueia uma cena que mostra um pouco mais de sua personalidade. São imagens estáticas narradas. Não são a melhor coisa do jogo, mas é um complemento bem vindo.

Simplicidade por todo lado

Em seu modo multiplayer competitivo, World War Z oferece uma experiência demasiadamente simples. São 10 classes únicas para serem escolhidas, cada uma contando com habilidades passivas e ativas próprias e armamentos pré-definidos.

Modos clássicos como Mata-mata, Dominação e Rei do Pedaço estão presentes, e todos eles contam com um diferencial: a presença das hordas de zumbis. Em momentos aleatórios da partida, uma horda de zekes invade áreas específicas do mapa e começa a perseguir os jogadores. Isso traz maior dinamismo às partidas, exigindo que os competidores se mantenham em movimento e dividam sua atenção com inimigos humanos e criaturas comedoras de carne.

Embora ofereça vida extra e diversão bem diferente das campanhas, o multiplayer competitivo de WWZ peca por não oferecer coisas simples, como tabela de líderes, estatísticas dos jogadores e prêmios diversos. Não há como personalizar os personagens e nem as classes, com exceção das habilidades que podem ser compradas conforme elas sobem de nível. É pouco, todavia. Falta também a possibilidade de votar o mapa da partida seguinte, tendo em vista que os mapas costumam se repetir com excessiva frequência.

Visualmente… OK

World War Z não é o jogo mais bonito da geração. Ainda assim, oferece visuais competentes e bastante detalhados para sua proposta. Os cenários possuem um bom nível de detalhes, que mostram bem o mundo devastado que servem de pano de fundo para as partidas. Curiosamente, a modelagem dos personagens é uma montanha-russa de qualidade. Alguns parecem bem feitinhos, com detalhes que refletem sua história e personalidade. Outros, no entanto, possuem rostos sem graça e bastante inexpressivos.

(°-°)


A presença de hordas imensas e vorazes é um dos pontos mais altos do jogo. A quantidade de zumbis na tela é algo louvável, e potencializa o fator diversão trazido pela matança, mas o desempenho de quadros por segundo toma um baque, tendo dificuldade em manter 30 fps em diversos momentos (no Xbox One base). Não é um agravante, mas é válido notar.

World War Z (Multi) é um dos títulos mais divertidos disponíveis no momento. A jogabilidade é simples, gostosa e focada na matança desenfreada de imensas hordas de zumbis. Oferece um fator replay altíssimo, dado o alto número de classes, habilidades e armas a serem desbloqueadas no modo campanha cooperativa, assim como as diversas classes e habilidades do multiplayer competitivo. Poderia ter um modo competitivo mais completo, com estatísticas e placares de líderes, mas ainda assim é competente pelo que oferta. Não almeja ser “Jogo do Ano”, mas a qualidade que possui é perfeita para quem quiser uma diversão descompromissada e descerebrada.

Prós

  • Ampla variedade de armas;
  • 16 personagens disponíveis para seleção;
  • Diversidade de cenários;
  • Tamanho das hordas é impressionante;
  • Jogabilidade dinâmica, simples e divertida;
  • Alto fator replay.

Contras

  • Poderia contar com batalhas contra chefes;
  • Modo competitivo poderia ser mais completo.
World War Z - PS4/XBO/PC - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Xbox One
Análise produzida com cópia digital gentilmente cedida pela Saber Interactive
Revisão: Renata Bottiglia

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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