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Análise: Vaporum (Multi) é uma ótima jornada cyberpunk

Resgatando velhas mecânicas, Vaporum traz ideias interessantes, mas infelizmente não são todas.



Dungeon Crawler é um gênero inspirado pelos RPGs de mesa, em que temos que explorar uma dungeon, achando tesouros, derrotando inimigos e cumprindo nosso objetivo principal, salvando alguém, ou achando a saída, por exemplo. Muitos games de épocas passadas experimentaram essas ideias, e assim é com Vaporum, lançado pela Fatbot Games, para PC, PS4, Xbox One e Switch, com a Merge Games fazendo sua distribuição. Então vamos conhecer mais dessa jornada Cyberpunk.

Pouco além de textos

Começamos o game sobrevivendo de um naufrágio. Enquanto estamos perdidos sobre as rochas, avistamos uma enorme torre de metal, que assim que nos aproximamos, se abre para entrarmos. A estrutura se revela um enorme labirinto, cheia de armadilhas, criaturas insetóides e robôs malignos. Agora, sem memórias e perdido, você precisará descobrir quem é e o motivo de estar ali.

Os mistérios deste lugar são intrigantes, e instiga muito bem o jogador a continuar, mas a sua metodologia pode não agradar aqueles que estão esperando um RPG com personagens interessantes ou mesmo vilões impactantes. Aqui sua história é contada por textos achados pelos seus corredores e salas, como também por áudios gravados por pessoas que trabalhavam nesta torre. E se seu inglês não for muito bom, vai perder muito do que está sendo contado, visto que o jogo não conta nem mesmo com legendas em português.



Como não existe interação com NPCs, o jogo usa o próprio protagonista como condutor da história, colocando-o como narrador e comentarista por boa parte da jogatina, ou mesmo usando-o como guia para alguns puzzles. Isso tudo não é necessariamente um problema, mas não deixa de parecer apenas uma justificativa decente para o jogo acontecer.

Sobreviva nesse labirinto

É fácil lembrar de títulos que seguem o gênero de Dungeon, como a série Diablo, ou mesmo King's Field da From Software. Em Vaporum muitas dessas ideias se repetem, mas do seu próprio jeito: como a velha perspectiva em primeira pessoa traz um dimensionamento bem legal da ambientação metálica da torre, a movimentação passo a passo (como em um jogo de xadrez) dá ao jogador a possibilidade de usar estratégias nos combates, entre outras coisas. Os puzzles também fazem presença, sendo em sua maioria dedicados a movimentos rápidos, e deixar alguma caixa em um lugar certo; mesmo com pouca variedade eles são divertidos, e cumprem muito bem seu papel.

As batalhas lembram uma versão de Final Fantasy XII (PS2), onde ela acontece em tempo real, mas ainda temos que esperar nossa barra de ataque se encher, e sua velocidade vai depender da arma que você está usando: se ela for de uma mão você terá acesso a ela mais rápido que um martelo de duas mãos. O quanto de vida tirada do inimigo também vai depender dessas condições, ou mesmo da distância em que ele está de você.

Usar a movimentação a seu favor é uma das melhores maneiras de sobreviver nas lutas aqui, já que os inimigos também obedecem às mesmas regras que você. Temos aranhas orgânicas que podem atacar até dois passos de você, ou mesmo algumas que jogam ácido; temos também alguns humanóides que possuem boa parte de seus movimentos à curta distância. Em cada um deles você pode criar uma estratégia para sair vitorioso, como usar ataque à distância, ou mesmo ficar se movendo para atacar no momento certo.

Mas cuidado, nunca tente vencer mais de uma criatura ao mesmo tempo, se elas te cercarem é praticamente morte certa. Então usar corredores ou entradas de salas é sempre uma boa, já que eles não atacam em cima uns dos outros. Entretanto, também existem algumas ferramentas que você pode usar para contornar isso, os chamados gadgets, que nos dão algumas habilidades de ataque e defesa bem úteis: como disparar uma onda de choque que dá dano contínuo, ou mesmo atear fogo neles.

Esses ataques elementais também podem ser usados pelos inimigos, e quando isso acontecer, você ganhará um status negativo, como eletrocutado, sangrando ou corrosão por ácido. Então será necessário usar os escassos itens de cura que são encontrados em baús e deixados por alguns inimigos mortos, e isso ainda não é garantia de que você sairá vivo pois, ao se curar, sua barra de vida vai enchendo aos poucos, como acontece em The Witcher 3 Wild Hunt (Multi).

Toda vez que vencemos algum inimigo ganhamos pontos de experiência, e assim como em  outros RPGs, ao acumular um número X, passamos de nível. Com isso podemos evoluir algum atributo, como o uso de armas duas mãos, ou de pistolas, além de defesa, tecnologia, entre outras coisas. Entretanto, em Vaporum, esse sistema é diferente: você não pode fazer grind para evoluir mais antes de um chefe, por exemplo, pois aqui as criaturas possuem morte permanente e não aparecem em momentos aleatórios, o que dá um frescor muito bom nessa antiga fórmula.

Também podemos equipar armas e armaduras com efeitos diversificados para nosso personagem. Tendo uma variedade bem grande nesse sentido, e deixando para o jogador decidir como vai jogar. Podendo usar um machado mais lento, mas poderoso, ou uma espada mais rápida, podem mais fraca. E a possibilidade de usar até dois sets desses equipamentos, aumenta ainda mais as possibilidades nas batalhas.



Essas mecânicas de batalha são ótimas. O jogador tem muitas opções sobre o que fazer, e como fazer, mas temos algumas coisas negativas. Os menus e comandos do game são difíceis de se acostumar, principalmente em um console. Para apertar um botão na parede, por exemplo, temos que segurar o R2 e depois o X, ou para usar alguma chave, temos que selecionar ela no inventário e usá-la. Pode não parecer um problema, mas fazer isso repetidas vezes se torna chato e até cansativo, além de ser muito comum errar os botões e ficar preso em um inimigo, morrendo muito vezes. Trocar de jogo vai ser um pensamento recorrente nessas horas.

Estética Cyberpunk

Um outro aspecto muito divertido neste jogo é uma estética Cyberpunk, lembrando a série Bioshock. Andamos em muitos corredores de metal sem muita luz, cheio de canos e engrenagens soltando vapores. Isso não fica apenas para os cenários, os inimigos, como os robôs, ou mesmo os humanóides, são uma clara referência a esse estilo tecnológico, mas rústico.



Os gráficos de Vaporum corroboram para isso também, tendo um ótimo sistema de iluminação, e boas texturas, apesar de algumas parecerem bem borradas. O jogo também possui um problema de quedas de frame sempre que vencemos um inimigo novo, onde ela cai ao ponto de parecer que está travado, mas esses momentos não são recorrentes, e não prejudicam sua jornada na torre.

E então?

Vaporum possui alguns problemas, como seu desfoque na história, suas mecânicas cansativas e às vezes confusa. Mesmo com tudo isso, consegue nos conquistar com seus sistemas de batalha e RPG, além de sua ótima ambientação, desafios e puzzles. Então sim, podem dar uma chance ao novo jogo da Fatbot, pois pode ser uma ótima surpresa e trazer muita diversão.

Prós

  • Seus sistemas são muito bem compostos;
  • A ambientação da torre é ótima;
  • Uma boa justificativa para a ação;
  • Os gráficos possuem detalhes bonitos, como sua iluminação;
  • Os sistemas de RPG são ótimos;
  • O sistema de combate é desafiador, e traz um nível de estratégia interessante.

Contras

  • Quedas de frame em alguns momentos;
  • A história está espalhada em vários documentos encontrados durante o jogo;
  • Não existe a opção de deixar os textos em português;
  • Os comandos podem ser confusos em algumas horas.
Vaporum — PS4/XONE/Switch/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Merge Games
Revisão: Francisco Camilo

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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