Blast Test

Risk of Rain 2 (PC) traz de volta a difícil luta pela sobrevivência

A sequência do brutal roguelike aposta em ambientes 3D sem deixar sua essência de lado.


Risk of Rain é um jogo de ação e plataforma com elementos de roguelike, ou seja, ele apresenta características como partidas com elementos aleatórios e morte permanente. Fora a atmosfera ímpar e o visual minimalista, o seu aspecto mais marcante é a dificuldade: com o passar do tempo, a jornada fica progressivamente mais difícil, a um ponto que chefes apareciam como inimigos normais. A sequência Risk of Rain 2 resgata todos esses detalhes, no entanto agora exploramos ambientes 3D, o que oferece uma experiência nova sem deixar de ser familiar. O jogo está disponível via Acesso Antecipado e já conta com base sólida.

Sobrevivendo em um planeta hostil

O conceito principal de Risk of Rain 2 é bem simples. No controle de um sobrevivente de um acidente espacial, exploramos regiões de um planeta alienígena em busca de um portal que nos levará à próxima área, com a esperança de conseguirmos encontrar uma maneira de voltar para casa. Os locais estão infestados de inimigos, e cada um dos heróis conta com quatro habilidades, que podem ser ataques, ações de suporte ou movimentos de esquiva. É possível jogar sozinho ou com mais três amigos no multiplayer online.

Para aumentar a chance de sobrevivência, fortalecemos nosso personagem por meio de itens que provêm características passivas. A variedade de opções é grande, como um visor capaz de aumentar a taxa de acertos críticos, um ukulele que cria uma corrente elétrica de dano entre inimigos, bombas que explodem aleatoriamente ao atacar, um kit médico que recupera a vida quando estamos fora de combate e muito mais. Dependendo da sorte, é capaz de ter um personagem extremamente poderoso, afinal muitas das habilidades se complementam entre si. Os heróis também sobem de nível, o que aumenta a vida e poder de ataque.


Um detalhe importante em Risk of Rain 2 é o desafio progressivo. A dificuldade está atrelada ao tempo de jogo, ou seja, mais inimigos (e versões mais fortes deles) aparecem quanto mais tempo gastamos explorando. Sendo assim, é importante encontrar logo o portal da área para seguir para a próxima fase. Contudo, para sobreviver, precisamos fortalecer o personagem com experiência e itens. Isso cria um dilema: avançar rápido para enfrentar menos inimigos, ou explorar um pouco para ficar mais forte e aumentar as chances de sobrevivência?

A presença de itens e estágios que mudam faz com que cada tentativa seja bem distinta. Em uma partida meus ataques faziam os inimigos pegarem fogo e explodirem, o que era ótimo para acabar com grupos. Em outra, consegui asas de libélula, o que me permitia explorar melhor as fases. Em uma terceira, um item diminuiu o tempo de recarga das minhas habilidades, sendo assim, derrotei monstros mais rapidamente. Há incentivo para continuar jogando e experimentando na forma de itens e personagens desbloqueáveis. Os heróis, em especial, mudam significativamente o jogo com mecânicas e ataques exclusivos.


A versão Acesso Antecipado de Risk of Rain 2 já tem bastante conteúdo: seis personagens, por volta de 70 itens, algumas fases e um modo de desafio diário com placares online. Para a versão completa, a desenvolvedora promete mais conteúdo e um final para a campanha, além de ajustes e maior polimento. Contudo, no estado atual, o jogo já impressiona com boas mecânicas e estabilidade.

Uma nova dimensão, uma nova experiência

O conceito básico de Risk of Rain está intocado na sequência. Há aquela sensação de urgência constante na forma de muitos inimigos surgindo de todos os cantos, com a situação ficando cada vez mais complicada com o passar do tempo. No entanto, os gráficos e movimentação 3D alteram significativamente a experiência. A principal mudança está nos estágios: eles são imensos e têm muitas áreas a serem exploradas. Para facilitar na locomoção, todos os personagens têm à disposição um comando para correr, sendo impossível atacar enquanto executamos o movimento.

A adição de uma dimensão também muda o combate, afinal agora os inimigos podem surgir e atacar de qualquer direção. Por causa disso, precisamos ficar ainda mais atentos aos arredores em busca de perigos — algo essencial, pois erros costumam ser fatais. Isso mudou um pouco a simplicidade do combate do primeiro jogo, pois há mais variáveis a serem consideradas. Joguei com um controle e até achei funcional, porém alguns detalhes me incomodaram: mirar com a alavanca direita não é muito preciso e não há nenhum tipo de correção automática de mira como outros jogos do tipo, o que deixa o combate um pouco mais difícil que deveria ser — parece que o ideal é usar um mouse. Com a classe inicial, por exemplo, é difícil mirar em uns inimigos voadores pequenos que aparecem o tempo todo. Também achei que falta algum aviso visual de onde estão vindo os tiros e inimigos — várias vezes eu morri sem nem saber direito o que me atingiu.


O visual 3D é bom, com modelos simples e tratamento visual chapado que lembra levemente cel shading. A ambientação ainda traz aquela sensação de explorar um estranho mundo alien repleto de ruínas estranhas, o que é complementado com uma trilha sonora enigmática. Agora todos os itens obtidos têm representação visual nos personagens, e é bem divertido e interessante ver como os heróis mudam de acordo com a progressão na aventura. Um aspecto que me incomodou é a clareza visual de alguns elementos: baús, caixas e outros objetos às vezes se misturam no cenário e é difícil de identificá-los. Os portais, em especial, são muito difíceis de encontrar e foram várias as vezes que mal consegui vê-los.

Por fim, acredito que a dificuldade precisa ser melhor balanceada. Assim que começamos um novo estágio, mal há inimigos e praticamente nada acontece. Contudo, rapidamente, a quantidade de monstros aumenta exponencialmente a ponto de que, quando você finalmente encontra o portal, há tantos inimigos para derrotar que sobreviver é muito complicado. Sim, a intenção de Risk of Rain é ser justamente sufocante e brutal, mas na sequência esse tipo de situação acontece já na primeira fase, ao contrário do antecessor — tive dificuldades de passar do primeiro estágio sozinho na dificuldade “normal” por causa disso. A sensação que eu tive é que o jogo está com o balanceamento focado no multiplayer, espero que façam alguns ajustes para aqueles que preferem aproveitar o jogo sozinho (como eu).


Um bom começo

Risk of Rain 2 consegue trazer a atmosfera repleta de tensão e urgência em forma de roguelike para um mundo 3D. É divertido explorar estranhos locais de um mundo alienígena enquanto nos fortalecemos com inúmeros equipamentos inusitados, por mais que o perigo seja constante. As mecânicas em um ambiente 3D funcionam bem, no entanto ainda há espaço para várias melhorias nos controles, na clareza visual e no balanceamento da dificuldade — muitas dessas coisas devem ser alteradas durante o período de Acesso Antecipado. Mesmo assim, Risk of Rain 2 já prova ser um ótimo roguelike e tem tudo para ser ainda melhor que o primeiro.

Revisão:Alberto Canen
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Gearbox Publishing


é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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