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Análise: Vignettes (Multi) é um puzzle que brinca com perspectivas de formas criativas

Transforme objetos e resolva enigmas nesse criativo título indie que é parte brinquedo interativo, parte jogo.


Sabe quando você olha para um objeto de um ângulo específico e ele parece outra coisa completamente diferente? Esse conceito é a base de Vignettes, um curioso título indie focado em manipulação de objetos. Com jogabilidade que remete a brinquedos abstratos, o título incentiva a experimentação e imaginação em uma experiência única e inventiva.

Uma questão de ângulo

Jogar Vignettes é muito simples. Um objeto flutua na tela e por meio do mouse ou touch screen podemos arrastá-lo ou rotacioná-lo. Quando ele se encontra em uma posição específica, ele se transforma: um telefone vira uma bacia quando visto de lado, um abajur se torna um ventilador de um ângulo específico, uma simples bota se revela um binóculo quando a perspectiva está certa. O objetivo, então, é conseguir fazer as transformações e encontrar todas as coisas possíveis.

Cada objeto funciona como um pequeno puzzle, sendo imprescindível experimentação e observação para encontrar as perspectivas e silhuetas que ativam a mudança. Cores e formas dão dicas: de certo ângulo, algumas características físicas das coisas se misturam, o que indica possíveis transformações. No começo é tudo muito fácil (basta rotacionar os itens de qualquer jeito e pronto), no entanto as coisas ficam complicadas quando precisamos encontrar um objeto específico, pois algumas transições exigem certos movimentos ou condições. Um menu exibe um diagrama com as transformações já descobertas, com uma interrogação indicando possibilidades não encontradas, o que ajuda bastante na tarefa.


Vignettes não é só sobre brincar com a perspectiva de objetos: existem puzzles que exigem manipular os itens de maneiras específicas e entre si. Indicar direções em uma bússola, por exemplo, dita a rota em um mapa — e você pode acabar em uma casa estranha, permitindo acessar um novo conjunto de coisas. Interagir com uma lâmpada muda as cores do mundo e de um abajur, fazendo com que ele se transforme em algo completamente diferente. Os enigmas mais complexos são bem interessantes e envolvem investigar dicas não muito claras e experimentação na interação entre objetos  — eu me surpreendi bastante com sua criatividade.

Brinquedo interativo

Apreciei bastante o aspecto tátil de Vignettes. É divertido manipular os objetos, virando-os tentando encontrar os ângulos corretos — as transformações são deslumbrante e surpreendentes, é muito legal ver um item virar algo completamente diferente por um truque de perspectiva. Alguns deles também permitem outros tipos de interação: podemos ligar uma TV e tentar sintonizar canais, uma lanterna pode ser utilizada para procurar dicas em um mapa e muito mais. O título nos convida a mexer em tudo constantemente.


O visual também chama a atenção com modelos que parecem miniaturas detalhadas. Alguns são objetos bem simples, já outros apresentam vários elementos que sugerem histórias e situações. O uso de cores vibrantes e chapadas traz um ar brincalhão ao título, reforçando a ideia de “caixa de brinquedos”. Já a trilha sonora é bem peculiar ao ter faixas minimalistas com aspectos inusitados, como sussurros e sons estranhos. Destaque para a ótima engenharia de som: o áudio indica com precisão quando fizemos uma interação correta ou quando uma transformação ocorre.

O título é intuitivo e com aspecto casual, no entanto ele também pode ser frustrante. Algumas transições exigem ângulos e movimentos extremamente específicos, sendo um pouco difícil ativá-las em alguns casos — foram vários os momentos em que fiquei um bom tempo tentando encontrar determinado item sem sucesso. Para piorar, algumas transmutações são de via única, ou seja, não é possível fazer o caminho inverso para tentar de novo, forçando recomeçar desde o início de uma sequência. Também é possível ficar travado, pois às vezes não há dicas visuais suficientes para inferir os possíveis novos objetos. São problemas que aparecem muito pouco, mas não deixam de incomodar.


Perspectivas hipnotizantes

Vignettes cativa com sua premissa inventiva e mecânicas intuitivas. É muito legal rotacionar objetos em busca de perspectivas que os transformam em itens completamente diferentes — as alterações fazem sentido e são surpreendentes. O título resgata aquela sensação de explorar coisas por pura curiosidade, no entanto por trás da simplicidade há muito o que ver na forma de enigmas complexos e bem interessantes. O único porém são algumas transformações complicadas que exigem condições muito específicas, o que pode travar o avanço em determinados momentos. No fim, Vignettes é um puzzle engenhoso que vale a pena ser conferido.

Prós

  • Mecânica principal de manipulação de perspectiva é muito criativa e deslumbrante;
  • Boa mistura entre brinquedo interativo e puzzle;
  • Atmosfera charmosa com uso de modelos simples e cores vibrantes.

Contras

  • Algumas transições exigem ângulos e movimentos muito específicos.
Vignettes — PC/iOS/Android — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Alberto Canen
Análise produzida com cópia digital cedida pela Skeleton Business
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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