Jogamos

Análise: Unknown Fate (Multi) tinha tudo para ser interessante, mas peca por ser breve demais

Aventura em primeira pessoa tem visual bacana, mas o enredo é mal desenvolvido e a jogabilidade é imprecisa.

Unknown Fate (Multi) já havia chegado para PC no ano passado como uma aventura para ser aproveitada com dispositivos de realidade virtual. Agora, a Marslit Games resolveu lançá-lo de maneira padrão para PlayStation 4 e Nintendo Switch, além de prometer que o Xbox One também ganharia uma versão no futuro.

O indie tinha tudo para ser um ótimo título em primeira pessoa, mas infelizmente deixou a desejar em vários aspectos.

Perdido em lembranças

A história é protagonizada por Richard, um rapaz que de algum modo deixou o mundo real e foi enviado para domínios estranhos e surreais. Tudo nele é pautado por sentimentos e trechos isolados de lembranças. Agora, com a ajuda dos guardiões desse local remoto, ele precisa recuperar sua memória para descobrir como chegou nesse lugar.

Todo o ambiente é distorcido e composto por cantos escuros e objetos comuns, como cataventos, relógios e bichos de pelúcia, que tomaram proporções enormes e assustadoras. Por mais que esse visual seja um convite ao horror, a beleza exótica dessa composição impressiona bastante.

Esse mundo avesso tem três partes distintas. Os dois primeiros são mais soturnos e tem uma paleta voltada para cores frias. Já mais para o final, tudo se baseia em vermelho e branco, com grandes rochas altas e negras, criando um belo contraste chamativo.

Outro destaque são os trechos de memórias, encontrados pelo caminho. São pequenas pedras vermelhas que, ao serem acionadas, nos fazem reviver fragmentos da vida do protagonista. Nessa situação, o ambiente é todo saturado em preto e branco, o que aumenta a melancolia da cena e nos faz sentir a mesma tristeza de Richard.

Infelizmente a parte visual não é o bastante para salvar o jogo. O enredo até tem seus pontos interessantes, mas falha em prender a atenção do jogador. Ele começa de maneira muito lenta e se arrasta bastante.

Ao chegar no final, algo que poderia ser usado como uma espera justa para um grande desfecho vira apenas uma conclusão cheia de pontas desconexas. Isso não recompensa quem seguiu até o final da jornada e fica aquela sensação de tempo desperdiçado.

Imprecisão irritante

Os controles são simples e bastante intuitivos, básicos para qualquer jogo de aventura em primeira pessoa. O protagonista corre, pula e interage com o objetos, o que é considerado o mínimo para esse gênero.

A diferença fica por conta de um artefato, que é usado para combater os poucos inimigos, manipular plataformas e desacelerar o tempo. A ideia é ótima, mas seu uso é simplório demais.

Os enigmas são simples e sempre envolvem acertar rajadas de luz em pontos claros para que as plataformas flutuantes apareçam. A dificuldade está em controlar a mira, que às vezes se movimenta rápido demais. Pular entre pisos que estão planando também se mostra algo tortuoso, pois existem trechos em que eles parecem mais curtos ou distantes, e a queda é fatal.

Quanto aos combates, se o jogo tem no máximo quinze criaturas para serem eliminadas já é muito. Elas são todas iguais, logo, demandam a mesma estratégia. Primeiro se usa um clarão para que elas se abaixem e revelem uma esfera na cauda. Então, basta acertar três tiros que elas somem.

Entretanto, nem sempre o flash funciona ou os três disparos acertam em cheio. Com isso elas se levantam, te acertam e te mandam de volta para o último save point, que inclusive são escassos e demoram bastante para acontecer.

Memória corrompida

O jogo dura pouco mais de duas horas, e é extremamente fácil. Exemplo disso é a necessidade zero de esforço para se conseguir todos os troféus/conquistas. Porém, os longos espaçamentos entre checkpoints aumentam ainda mais a sensação de algo arrastado. Até mesmo a ausência de uma batalha final ou um chefão mais elaborado tornam tudo tedioso.

Unknown Fate tinha tudo para ser uma aventura bem interessante, inclusive ele seria uma ótima adição para a biblioteca do PlayStation VR. Porém, sua adaptação para uma versão fora dos dispositivos de realidade virtual pode ter diminuído bastante suas chances de se tornar um título memorável.

Prós

  • Visuais bem trabalhados.

Contras 

  • Jogabilidade imprecisa;
  • Enredo com início lento, poucas nuances boas e clímax que deixa o jogador "na mão";
  • Falta de chefes ou batalha final;
  • Som de fundo começa bem, mas sua repetição constante se torna irritante;
  • Quebra-cabeças simplórios;
  • Falta de uma versão para o PlayStation VR.
Unknown Fate — PC/PS4/Switch — Nota: 4.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela Marslit Games
Revisão: Francisco Camilo

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

Comentários

Google
Disqus
Facebook