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Análise: Ape Out (PC/Switch) traz violência impactante ao som de jazz

Controle um primata em um título de ação visualmente interessante e muito sangrento.


Ape Out é um título de ação que chama a atenção com um visual estilizado marcante e uma abordagem diferenciada em relação à trilha sonora. Controlando um gorila, precisamos escapar de cativeiros infestados de inimigos, e para alcançar a liberdade a violência é a única solução — por onde passa, o símio deixa um rastro de destruição e sangue. Muitos momentos intensos, confrontos empolgantes e muito jazz permeiam a experiência de jogar Ape Out.

Quebrando tudo violentamente

Um gorila encarcerado quer se libertar, e para isso ele vai destruir tudo o que aparece pelo caminho. Ape Out usa essa premissa para criar um jogo de ação extremamente  frenético. Na pele do grande símio, precisamos navegar por locais labirínticos em busca da saída. Mas, claro, a tarefa não é tranquila: inúmeros inimigos e perigos vão fazer de tudo para impedir o avanço do gorila.

Para sobreviver, o primata conta somente com seu poderoso corpo e duas possibilidades de movimentos. O agarrão permite utilizar oponentes como escudo e também os força a atirar suas armas. Já o empurrão é a maneira perfeita de acabar rapidamente com inimigos: eles explodem em uma poça sangrenta ao serem jogados contra paredes ou outros obstáculos. Dominar os movimentos é essencial para sobreviver, já que o gorila morre ao ser atingido três vezes — algo que acontece com bastante frequência, pois a dificuldade do jogo é acentuada.


O objetivo em cada estágio é encontrar a saída em ambientes repletos de corredores e caminhos complicados. A estrutura geral de cada fase é fixa, porém a organização das salas e elementos sempre muda toda vez que morremos. Isso faz com que cada tentativa de fuga pareça levemente diferente, mas nunca se afastando do conceito principal do local em questão. Para mim, foi uma escolha acertada utilizar a geração procedural na montagem dos cenários, afinal é muito comum jogar um mesmo estágio inúmeras vezes até conseguir alcançar a saída.

Fora o modo principal, Ape Out conta com um modo arcade em que o objetivo é conseguir a melhor pontuação possível ao derrotar muitos inimigos e ao chegar rápido na saída, com direito a um placar online. Há, também, versões mais difíceis dos estágios e alguns outros extras.

Fugas frenéticas, mas um pouco repetitivas

É impressionante como Ape Out traz uma experiência impactante e intensa com um conceito tão simples. Navegar pelos labirintos do jogo me trouxe uma sensação de urgência constante: o perigo é palpável e qualquer deslize resulta em morte. Isso se dá pela presença de grande quantidade de inimigos implacáveis, caminhos complicados e uma câmera que obscurece aspectos da visão de certos ângulos. A natureza procedural dos estágios faz com que a ação seja sempre imprevisível na forma de inúmeras possibilidades de caminhos, o que me forçou a confiar nos meus instintos e a agir rápido diante problemas.

Um detalhe muito legal é que controlamos diferentes gorilas fugitivos no decorrer do jogo, sendo que cada uma das aventuras conta com situações e elementos distintos. Em uma delas, o objetivo é escapar de uma base militar repleta de corredores estreitos. Já em outra, o símio está preso no topo de um prédio e precisa navegar por escritórios para alcançar o térreo. Um terceiro gorila é mantido cativo num grande cargueiro carregado de containers e outros objetos. Novos inimigos e recursos de cenário fazem com que cada conjunto de fases ofereça uma experiência única, nos forçando a readaptar constantemente.


Os estágios de Ape Out são curtos, no entanto não são nada fáceis por causa da combinação dos vários perigos. Na verdade, alguns trechos beiram o frustrante: às vezes parece que há inimigos demais, principalmente em locais abertos. Sendo assim, é necessária insistência para avançar, além de reflexos rápidos. Ao morrer, é exibido o mapa do estágio e o quão longe você conseguiu chegar, o que traz algum incentivo de tentar de novo.

Mesmo com a curta duração das fases e com a presença de elementos gerados de maneira procedural, há uma sensação de cansaço por causa da necessidade de repetir várias vezes uma mesma área. O recomeço rápido ajuda a amenizar isso, no entanto há dois detalhes que me incomodaram bastante. O primeiro deles é a geração procedural inconsistente: em algumas tentativas, logo no início de um estágio, aparecem muitos inimigos, sendo praticamente impossível não ser atingido; já em outras, encontrei muitas áreas vazias e sem perigos. A outra questão é a dificuldade desbalanceada com alguns estágios muito fáceis e outros muito difíceis. Com o tempo me acostumei com esses problemas, mas não deixa de ser desagradável quando acontece.


A beleza do caos ao som de jazz

Parte da experiência de Ape Out vem do incrível trabalho na parte técnica. O visual utiliza cores chapadas e texturas estilizadas para criar uma atmosfera marcante e de beleza distinta. No entanto, o detalhe mais marcante é a violência gráfica: inimigos explodem em poças de sangue e membros ao serem derrotados, com o vermelho contrastando fortemente com a coloração dessaturada do cenário. Mesmo com poucos detalhes, é um recurso muito impactante, principalmente quando você nota o rastro de destruição feito pelo gorila.

Uma engenharia de som impressionante complementa a ambientação. A trilha sonora é dinâmica e elaboradas melodias de jazz são criadas de acordo com a ação na tela: correr rapidamente aumenta o compasso da música, o ato de esmagar inimigos é acompanhado de uma forte batida nos pratos da bateria, confrontos são pontuados por acordes complexos e mais. As vibrações do controle empregadas em momentos importantes, em conjunto com o audiovisual, complementam o forte aspecto sensorial de Ape Out — toda essa violência é palpável, quase real.
Os estágios são divididos em "discos"

Selvageria hipnotizante

Ape Out aposta em sensações para trazer uma experiência única. Controlar um poderoso gorila é entusiasmante, e a estrutura imprevisível dos estágios incentiva experimentação e confiança na intuição. Uma atmosfera estilosa, com gráficos estilizados e trilha sonora construída dinamicamente, faz com que as partidas sejam envolventes — a intensa violência é impactante, mas tem seu charme. A fuga do primata é repleta de momentos criativos e difíceis, exigindo dedicação e insistência, porém peca um pouco ao ser levemente repetitiva e ao apresentar alguns problemas estruturais. No fim, Ape Out é uma impressionante combinação de ação, caos e estilo, e isso que ele o torna memorável.

Prós

  • Mecânicas simples e aplicadas de maneiras criativas;
  • Visual estiloso e com uso impactante de violência;
  • Engenharia de som excepcional.

Contras

  • Problemas na geração procedural de alguns estágios;
  • Dificuldade desbalanceada em alguns momentos.
Ape Out — PC/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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