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Análise: The Liar Princess and the Blind Prince (PS4/Switch): um lindo conto de fadas

Jogo traz uma bela história e bons personagens, abrindo mão do desafio na jogabilidade.

The Liar Princess and the Blind Prince foi um jogo que me pegou de surpresa. Produzido pela Nippon Ichi Software, a desenvolvedora costuma trabalhar com RPGs que costumeiramente trazem mecânicas de batalha com diversas camadas e tramas  grandiosas — ao menos das obras que conheço. Liar Princess é o contrário disso, um jogo bem menor em seu escopo, com uma história singela e sistemas bem simples de jogabilidade. As vezes é até meio bobo, mas não em um sentido pejorativo.

The Liar Princess deixa de lado desafios de jogabilidade para focar seus esforços em uma história que chega bem perto de um conto de fadas. Se por um lado temos personagens carismáticos e uma arte fabulosa, por outro temos um nível de dificuldade bem baixo com alguns poucos extras. Se isso é bom ou ruim, vamos discutir nos próximos parágrafos.


Era uma vez na floresta

A história começa em uma floresta, na qual viviam monstros de variados tipos e onde humanos não eram bem vindos. Boatos diziam que bem no centro morava uma poderosa bruxa, mas ninguém tinha certeza quanto a esse fato.

Nessa mesma floresta vivia uma loba, que todas as noites ia até uma pedra elevada e lá cantava com sua bela voz para a luz da lua. Certo dia após terminar seu canto, ouviu aplausos vindo da parte de baixo da pedra, algo estranho pois nunca teve outros espectadores. Quando espiou para saber quem era seu fã ficou surpresa. Era um jovem príncipe de um reino vizinho da floresta.


A loba fugiu. Lobos geralmente se alimentavam de humanos, mas era a primeira vez que alguém a fazia algum tipo de elogio, o que a deixou perplexa. Na noite seguinte, ela repetiu seu canto e novamente o jovem príncipe estava lá para ouvi-la. Essa rotina durou por muitos e muitos dias.

Uma noite porém, algo saiu da rotina, a loba não ouviu os aplausos como de costume. Quando pensou em ver o que tinha acontecido a loba foi pega de surpresa. O príncipe, sempre na parte de baixo da pedra, jamais vira de quem era a voz que tanto admirava. Assim naquela noite resolveu escalar a pedra para conhece-lá. A loba ficou assustada, o que faria o príncipe ao descobrir sua identidade? Humanos e feras não poderiam ter uma relação amistosa.

Foi assim que involuntariamente ela atingiu os olhos do jovem príncipe antes que ele pudesse ver alguma coisa, na tentativa de afastá-lo. Não só isso, com o susto o jovenzinho escorregou e ficou prestes a cair da pedra, não fosse a loba pegá-la no último instante. Mas o que deveria ser um ato de caridade, acabou saindo como um tiro pela culatra. Sem a visão, o príncipe só sentiu a pata de besta segurando sua mão e entrou em um desespero maior ainda. Acabou se soltando e caindo até o chão.



Preocupada com o que teria acontecido com o príncipe, a loba resolveu ir até o castelo apesar de todos os riscos que essa decisão envolvia. Ao chegar lá, encontrou o príncipe, que estava vivo, mas muito longe de parecer um membro da realeza. O jovem fora jogado em uma cela nos fundos do castelo por conta de sua cegueira.

A loba então fala com o príncipe, que prontamente a reconhece como dona da voz das belas canções. Para não assustá-lo a fera diz ser uma jovem princesa de um reino vizinho e que veio saber onde estava seu admirador. Ao vê-lo em situação tão deplorável, a loba decide que precisa fazer algo para devolver a visão do príncipe, a qual fora a culpada por tirar ainda que não tivesse essa intenção.

É assim meus amigos que começa a aventura da princesa mentirosa e do príncipe cego.


Era uma vez uma princesa

Tudo que descrevi é apenas a sequência de abertura do jogo, o plot que guiará a aventura dos dois heróis em busca de uma solução para suas questões. Enquanto a missão principal é recuperar a visão do príncipe, a evolução da trama nos mostra o relacionamento dos personagens e como suas dúvidas os afligem.

A falsa princesa embora decidida do que precisa fazer, têm dúvidas das consequências desses atos. Vale a pena mentir para si mesma e para o outro somente para estar junto de quem a gente gosta? Qual o ponto que separa a necessidade de mudança com o respeito pela nossa essência?

Já o príncipe não tem mais a confiança de sempre. Sua cegueira o limita e o “ataque” que sofreu da fera o assustam constantemente. Ele depende de sua nova amiga para tudo e sem ela está a mercê de todo tipo de ameaça.

É um enredo simples, mas que ganha força por uma dupla de protagonistas bem construídos dentro da proposta exibida. Ouso dizer que esse jogo poderia ser um ótimo filme de animação com uma adaptação relativamente simples.


Era uma vez um príncipe

Em termos de jogabilidade, The Liar Princess é um jogo de plataforma dos mais básicos, com puzzles de simples execução. Também existem inimigos que não atacam a princesa, mas podem matar o príncipe com um único golpe. Por conta disso, a garota pode alternar de forma a qualquer momento para lidar com a ameaça.

O grande toque desse título é uma mecânica similar a ICO (PS2). A princesa sempre deve segurar a mão do príncipe, o que reflete no jogador sempre tendo que apertar quadrado para levar o jovem consigo. Devo dizer que no jogo em si essa obrigação de levar o outro personagem não pesa tanto, até porque The Liar Princess é um game bem fácil. É algo que tem um maior peso na narrativa.



Ao longo das fases algumas pequenas variações de gameplay são introduzidas, mas são toques bem pontuais. Devo dizer que esse é o maior problema do jogo: por vezes se tem a sensação de que os estágios são muito parecidos, o que cansa um pouco. As animações de história entre fases quebram um pouco esse ritmo, mas não resolvem o problema.

Fora a campanha principal, que pode ser finalizada em uma única tarde, The Liar Princess não oferece muitos extras. Apenas alguns coletáveis que liberam ilustrações e um pequeno conto relativo a um personagem secundário. São ótimas recompensas mas, assim como a história principal, não são objetivos desafiadores.

Era uma vez uma bruxa

Seria um sacrilégio da minha parte não falar nessa análise de toda a parte artística do jogo. Com um estilo bastante interessante, todos os desenhos são lindos. Não só isso, mas o cuidado com os detalhes em animações e cenas é admirável. São coisas mínimas, mas que dão muito valor ao produto.

Uma animação específica chamou minha atenção. Quando separados, os dois personagens possuem uma expressão que deixa escapar um pouco de tristeza, medo. Mas quando a princesa dá a mão para o príncipe, ambos esboçam um sorriso de felicidade por saberem que estão juntos.

Uma triste mentira ou uma dura verdade?

The Liar Princess and the Blind Prince é um título bastante diferenciado. É um jogo curto e que vale principalmente por sua história e produção gráfica. Novamente eu digo, se fosse uma animação fechada, seria digna de aplausos.

Quanto à parte de gameplay ele de forma alguma é um jogo ruim, mas pode frustrar aqueles que procuram jogos desafiadores. E essa nem é a intenção dos criadores, imagino eu. O objetivo deles foi entregar uma boa história e isso eles fazem de forma brilhante. Por outro lado pode ser uma ótima pedida para ser apresentada para alguém não acostumado com games. Os controles são fáceis o ritmo é bem tranquilo. Independente do que motivo, The Liar Princess and the Blind Prince é uma ótima obra.

Prós

  • Ótimo trabalho artístico na parte visual
  • Protagonistas com carisma
  • História simples mas cativante

Contras

  • Algumas fases são meio monótonas

The Liar Princess and the Blind Prince — PS4/Switch — Nota: 8.5
Versão usada para análise: PlayStation 4

Revisão: Raphael Barbosa
Análise produzida com cópia digital cedida pela NIS America


Formado em Game Design, desistente da Matemática Aplicada e atualmente cursando Jornalismo. Ainda aguardo o retorno triufal da Sega, fã de Metal Gear, Dark Souls e várias coisas vindas lá do Japão.

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