Blast Test

Rapture Rejects (PC) apresenta battle royale que mistura diversão e repetição

O hilário game da tinyBuild Games é uma ótima opção para se distrair, porém não consegue prender o jogador por muito tempo.

O gênero battle royale é um dos novos gêneros de jogos mais rentável dos últimos anos, principalmente com pérolas virais como Playerunknown's Battlegrounds (Multi), Fortnite (Multi) e até Free Fire (Android/iOS) nas plataformas mobile. Porém, o sucesso de alguns jogos do novo subgênero de ação fez com que novos projetos começassem a surgir, como aconteceu com os MOBAs há alguns anos. E é assim que chegamos até Rapture Rejects (PC), um jogo independente que busca algumas diferenciações do que já está estabelecido pelo gênero e que opta bastante pelo humor para atrair jogadores.


Em acesso antecipado no Steam, o game apresenta algumas dificuldades para começar partidas, além de alguns problemas drásticos de repetitividade. Entretanto, nem tudo são espinhos nesse que pode ser uma despretensiosa opção de diversão para quem curte mais a visão isométrica ou até para quem não tem máquinas tão robustas para rodar os grandes nomes do battle royale.


De fora do arrebatamento

Rapture Rejects tem como principal característica um humor mais sujo que lembra um pouco o tom da franquia South Park. Na realidade, o título é baseado nos quadrinhos online de Cyanide & Happiness, muito conhecida na internet por seus traços simplistas e por darem origem a inúmeros memes. Usar essa opção estética para o visual do jogo é realmente uma ótima característica.

Na história de fundo que “justifica” a matança, Deus faz o arrebatamento dos fiéis para o paraíso e abandona para o apocalipse o pior da humanidade. Assim, o personagem criado pelo jogador é justamente um desses abandonados que precisa matar os adversários para sobreviver num mundo em chamas fadado a terminar.


Partidas rápidas, mas vazias

Em minha experiência jogando Rapture Rejects, tive bastante dificuldade em encontrar partidas. As salas preparadas para 50 jogadores não chegavam a ter nem 10 personagens direito, o que deixava a experiência do jogo muito vazia. Com menos jogadores você não fica com tanto senso de perigo como em outros jogos do gênero, além da visão isométrica permitir um ponto de vista bem menos imersivo do que o proposto no surgimento do gênero.

Mas o foco do jogo está muito mais voltado para o humor e a ação despretensiosa do que para a estratégia e sobrevivência. E isso é muito claro pelo tom de humor utilizado em absolutamente tudo do jogo, desde o menu até às armas utilizadas, passando pelas opções de confecção de nosso personagem e palavreado utilizado.



Para quem já conhece o tom de humor de Cyanide & Happiness, é uma ótima oportunidade de dar boas risadas com o conteúdo. Entretanto, o humor por si só ainda não dá conta de sustentar por muito tempo a jogatina. A falta de adversários só piora a situação, deixando a obtenção de itens fácil demais e a espera por uma nova partida demasiadamente demorada.

Combates divertidos

Rapture Rejects, como já dito antes, tem um sistema de batalha em perspectiva isométrica que ocorre no universo literalmente apocalíptico. Como todo battle royale, é preciso juntar recursos espalhados pelo mapa, dentro de casas e em becos abandonados para lutar contra seus inimigos até que apenas um fique vivo no final. Enquanto isso, um círculo de fogo se fecha cada vez mais em volta dos jogadores.



Em sua versão antecipada, poucas são as opções de armas disponibilizadas, ao mesmo tempo que temos muitas opções para recuperação de vida e ganho de aumento de defesa. Isso acaba se tornando uma faca de dois gumes na experiência do jogo. Por um lado é bom, pois deixa a jogatina muito mais despretensiosa e consequentemente mais divertida.

Por outro lado, a facilidade com a qual nos mantemos vivos juntando a quantidade de formas de recuperar a vida e a ausência de muitos adversários pode tornar a experiência rapidamente monótona e repetitiva. Pois uma coisa é você ficar entre os dez últimos sobreviventes em partidas de battle royale com 50 ou 100 pessoas. Mas quando esse número cai para 12, até ficar em segundo não é exatamente gratificante.



Ao menos os combates são bem dinâmicos e a visão isométrica permite algumas possibilidades não esperadas em jogos que utilizam a câmera em primeira ou terceira pessoa. O fato do interior das casas se manter apagado no mapa enquanto você não explora pela primeira vez o local é muito bom também, pois dá um quê de surpresa para a correria ao buscar itens. Porém, a visão isométrica atrapalha um pouco a possibilidade de se esconder ou traçar estratégias mais elaboradas, mas nada que não seja adaptável.

Aparências de personagens dispensáveis

Desde a ascensão do gênero MOBA o uso das chamadas skins ganharam bastante popularidade tanto nesse gênero como em vários outros. Em Rapture Rejects também não ficamos sem as opções de mudança na aparência de nossos avatares. Isso porque, a cada partida terminada, acumulamos moedas que podem ser trocadas por prêmios sortidos que dão mais opções de personalização de nossos personagens.



As opções são bem variadas e engraçadas, mas não causam tanto impacto na jogatina e nem são tão chamativas assim. Por isso, manter uma loja com dinheiro real para esses itens não parece tão interessante assim, pelo menos por enquanto. Além dos prêmios não serem motivação o suficiente para manter os jogadores em partidas continuamente.

O gênero da moda, mas sem muita personalidade

Não me leve a mal, Rapture Reject é uma ótima ideia, mas que talvez não tenha sido executada da melhor forma possível. Criado através da colaboração da Galvanic com a tinyBuild em parceria com a própria Cyanide & Happiness, o jogo tenta entrar no gênero dos battle royales com um pouco de criatividade, mas acaba entregando uma experiência rasa demais e pouco convidativa.



O uso dos visuais cartunescos icônicos do Cyanide & Happiness foi uma ótima jogada, mas que não se sustenta sozinha para manter jogadores no título. Optar por um visual clássico de memes somado ao gênero mais em alta dos últimos anos poderia ser o segredo para o sucesso, mas falta um quê de personalidade e originalidade no título, algo que dificilmente vai ser recuperado em atualizações, mas que pode ser alcançado com a devida divulgação e mudança nos ares do jogo.

Atualmente, Rapture Rejects acaba por ser um exemplo de que um jogo precisa de muito mais do que um gênero famoso e um visual bacana para chamar a atenção. Afinal, jogos são feitos para serem jogados, e se nesse aspecto eles não forem suficientemente interessantes, podem não alcançar o resultado esperado.

Matéria produzida com cópia digital cedida pela tinyBuild.

é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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