Jogamos

Análise: Senran Kagura Burst Re:Newal (PC/PS4) — mais estilo, menos roupa

Remake do primeiro jogo das garotas ninjas apresenta fases maiores em 3D e um combate mais fluido e dinâmico.

Iniciada no 3DS, a série Senran Kagura foi criada porque seu produtor, Kenichiro Takaki, queria ver peitos em 3D. Essa mentalidade guiou suas várias iterações, construindo uma sólida série fundamentada em apresentar disputas dinâmicas entre garotas ninjas que obviamente implicariam na perda de roupas e em situações sexualizadas.

Senran Kagura Burst Re:Newal é um remake do jogo que deu origem à série. Ele busca aprimorar o estilo e a qualidade da ação e, ao mesmo tempo, chega ao limite da nudez com muito mais detalhe do que era possível no original.

Uma disputa entre dois clãs


Senran Kagura Burst conta a história de dois clãs ninjas: Hanzo e Hebijo. Enquanto o primeiro é um grupo de shinobis bons, o outro é constituído por shinobis maus. A diferenciação se dá pelo tipo de contrato que eles aceitam. Enquanto o primeiro é totalmente controlado pelo governo e deve obedecer estritamente às suas ordens, o segundo aceita contratos variados que podem até mesmo ter algum cunho criminoso.

No entanto, ao invés de se focar em ninjas já formados, vemos a história pelo viés de alunas que estudam para se tornar shinobi. Do lado Hanzo, temos a dedicada Asuka, a pervertida Katsuragi, a honrada Ikaruga, a taciturna Yagyu e a desajeitada Hibari. Já na escola de Hebijo acompanhamos a intensa Homura, a insensível Hikage, a miserável Yomi, a pavio-curto Mirai e a manipuladora Haruka.

Apesar de terem estereótipos claros como base de suas personalidades, as backstories das personagens são interessantes e apresentam bem os dramas pelos quais passaram. Graças a essas motivações e aos relacionamentos que florescem entre as personagens, elas não são completamente unidimensionais e alguns momentos são legitimamente engajantes.


Infelizmente a história também sofre com alguns problemas. Por um lado a dramaticidade do passado das personagens é um pouco minimizada pela apresentação sexualizada das mesmas. Mas o principal problema na verdade é a inconsistência da narrativa, que é alterada drasticamente entre as duas escolas. Não apenas eventos importantes são modificados como também as personalidades de algumas das garotas são completamente diferentes.

Jogando como as ninjas de Hanzo, vemos um grupo completamente injusto de inimigas hostis, enquanto no lado Hebijo temos uma apresentação com mais nuances dos eventos e das personalidades de ambos os lados. Pessoalmente também tive problema com um bug que força os trechos de visual novel a serem passados automaticamente sem controle do jogador. A XSEED já divulgou em nota para a comunidade no Steam que a empresa está avaliando o problema e pretende solucioná-lo assim que possível.

Apesar disso, consegui observar que a história é exatamente a mesma do jogo original, sem nenhuma adição. Até mesmo as artes com as personagens parecem ser completamente reaproveitadas, mantendo uma proporção que não ocupa a tela inteira. Já nos momentos de história em que há interação entre os modelos 3D há uma melhoria significativa em relação ao jogo original, utilizando mais efeitos visuais e destacando bem as expressões das personagens e os cenários. Esses momentos ficaram mais dinâmicos e estilosos com detalhes que tornam esses diálogos bem mais vivos.

Mais ação e estilo

Senran Kagura Burst (3DS) era um beat’em-up sidescroller, mas Re:Newal se aproveita da engine dos jogos mais recentes da franquia para replicar as suas fases em três dimensões. O resultado são áreas maiores e muito mais detalhadas, incluindo até mesmo colecionáveis que podem ser obtidos quebrando objetos do cenário ou descobrindo um inimigo opcional escondido. Infelizmente, ao invés de serem itens interessantes, são apenas pergaminhos com textos sobre os inimigos e a história que estão espalhados pelas fases.


Mas não foram apenas as fases que sofreram mudanças, o gameplay também foi alterado, em especial pela adição de um interessante sistema de parry. Todo ataque inimigo agora possui uma marca colorida indicando a sua área de efeito e permitindo ao jogador preparar sua defesa. Com um bom timing, é possível não só bloquear todo o dano como também causar paralisia em todos os inimigos próximos da personagem defensora, um efeito potencialmente devastador.

Além dessa nova mecânica, as batalhas são fluidas e as personagens bastante diversificadas. Por exemplo, Asuka e Haruka são personagens bastante ágeis no combate corpo-a-corpo, enquanto Ikaruga e Yomi utilizam espadas pesadas e as jovens Mirai e Yagyu são mais especializadas em ataques à distância. Assim como no jogo original, a história principal exige o uso de determinadas personagens na primeira vez em que uma fase é feita, alternando frequentemente entre elas para estimular o jogador a se familiarizar com os seus vários estilos.


Após terminar uma fase, cujo objetivo se resume a eliminar todos os inimigos de uma área, o jogador recebe uma pontuação com base no seu desempenho (calculado a partir da quantidade de dano recebido e do tempo gasto na fase), com rankings D, C, B e A. Também é mostrado nesse momento quanto de experiência a personagem obteve durante a missão, aumentando seu nível e podendo abrir novas habilidades em duas linhas evolutivas (Yin e Yang).

Yin e Yang se referem aos dois modos de jogar: normal e frantic. Ao jogar normalmente, a personagem começa sem habilidades especiais e tem a possibilidade de desbloqueá-las ao se transformar durante a batalha, o que também recupera todo o seu HP. Jogando assim, a personagem abre novas habilidades na linha Yang.

Já a linha Yin é fortalecida quando o jogador utiliza o modo frantic, que implica em começar a fase apenas de lingerie, reduzindo a defesa da personagem e dobrando seu ataque, além de ter todas as habilidades desbloqueadas desde o início. Utilizando-se esse modo, é possível terminar as fases mais rapidamente, mas qualquer descuido pode ser fatal (dependendo da dificuldade, claro).

Em termos do combate, a única coisa que tenho a reclamar é a câmera. Em alguns momentos, ela muda automaticamente para posições desconfortáveis que atrapalham a continuidade de combos. Notei isso particularmente quando as ninjas inimigas se transformam ou em situações em que encurralei alguma delas contra a parede e a câmera foi para fora da área.

Nem tudo se renova


Senran Kagura Burst Re:Newal renova a experiência proposta pelo jogo original com um combate mais dinâmico e uma notável melhoria no departamento gráfico. Também é bem mais detalhada a nudez das personagens (censurada por feixes de luz) e há uma grande variedade de customização. Além de biquínis e uniformes, é possível adicionar acessórios ou mudar o tom de pele e a cor do cabelo das personagens.

Infelizmente, no que tange à história, o jogo se contenta em apenas se manter fiel ao original de 3DS. O remake era uma excelente oportunidade para lidar com as inconsistências presentes na narrativa e poder explorar melhor o potencial da história, mas não houve nenhum esforço nesse sentido. Uma pena, mas completamente compreensível levando em conta que os aspectos que vendem os títulos da série são a ação frenética e o fan service.

Para quem já jogou alguma coisa da série e curtiu, tem diversão garantida com o título. Mas se a sexualização de personagens (garotas entre 14 e 17 anos) te incomoda, Re:Newal dificilmente se mostrará interessante apesar de seu gameplay fluido, até por tornar o aspecto sexualizado ainda mais visível e detalhado do que o jogo original.

Prós

  • Combate muito dinâmico e fluido, especialmente no modo frantic;
  • Personagens com bastante variedade de gameplay;
  • Backstories simples, mas interessantes;
  • Adição de parry valoriza o uso do botão de defesa em detrimento ao button-mashing.

Contras

  • História inconsistente;
  • Dificilmente recomendável para pessoas que não tenham no mínimo uma boa tolerância à sexualização das personagens;
  • Colecionáveis tem pouco valor;
  • Em alguns momentos do combate, a câmera alterna automaticamente para posições desconfortáveis.
Senran Kagura Burst Re: Newal – PC/PS4 – Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela XSEED Games

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.

Comentários

Google
Disqus
Facebook