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Análise: FutureGrind (Multi) traz dinâmica simples, mas diverte

Visual futurista e trilha sonora que gruda na cabeça valem a experiência, mesmo para um jogo de curta duração e com história genérica.

Após ter sido anunciado no já longínquo ano de 2015, FutureGrind (Multi) pode até ter gerado uma certa expectativa. A própria produtora, Milkbag Games, prometeu um jogo nos moldes das séries Tony Hawk e Trials, onde temos que ir de um ponto a outro, fazendo manobras insanas e desviando de obstáculos. Porém, eles só esqueceram de falar que isso seria feito de modo bastante simplificado.

Salve o mundo de... de que mesmo?

O trailer de anúncio mostrava uma voz que conversava com o jogador durante as fases, como se desse instruções e pontos da tal história que justificaria o porquê de fazer aquelas malabarismos. Entretanto, isso não existe no jogo. Para saber o que acontece, basta ler os balões de texto antes de cada pista nova e é isso.

O plot genérico não faz diferença alguma além de explicar o motivo de ganharmos cada veículo diferente. Um dos poucos pontos interessantes, o único na verdade, é o ataque hacker. Ele acontece em algumas fases e faz com que a joguemos novamente, para encontrar o ponto de ruptura da IA vilã.

Você faz o caminho

A jogabilidade de FutureGrind é simples. Controlamos um veículo de duas rodas, uma de cada cor. Devemos combinar a cor da roda com a cor do obstáculo, se não for a mesma é game over na hora. Existem também os obstáculos brancos, que podem ser usados sem problemas, mas isso faz o multiplicador de pontos zerar.

Para se deslocar entre os trilhos coloridos podemos apenas mover a “moto”, que exige equilíbrio constante por parte do jogador. Outra alternativa, muito mais utilizada, são os pulos, que podem ser duplos e até triplos. Controlamos a sua duração e deslocamento. É possível fazer o grind em cima, em baixo ou com a estrutura entre as rodas. Isso faz com que a alternância entre os caminhos seguidos varie bastante. São cinco veículos, cada um com um tipo de balanceamento diferenciado. Não é possível escolher qual será usado, o nome deles sempre estará indicado logo de cara na tela de seleção de pista.

Outros dois elementos que adicionam certo desafio ao percurso são as bolas de impulso, que também devem ser tocadas com a roda de mesma cor, e os anéis de inversão, que ao serem acionados invertem as cores dos trilhos . Porém, as manobras se resumem apenas em piruetas para frente e para trás.

Cada pista possui quatro pontuações: bronze, prata, ouro e platina. Além disso, elas devem ser jogadas três vezes, a primeira para “sobreviver” ao trajeto, e outras duas que possuem objetivos específicos, como evitar tocar em uma cor ou fazer um determinado número de backflips. Como citado acima, algumas delas são hackeadas ao longo do jogo e o objetivo nelas é alcançar a falha no sistema. O desafio aí é tentar alcançar esses pontos, já que às vezes eles se encontram em lugares muito altos ou muito baixos, e errar esses locais leva à explosão da moto.  

Paciência é a chave

FutureGrind é aquele tipo de jogo que se aprende na tentativa e erro. De começo é frustrante explodir 37 vezes no mesmo trecho e as primeiras fases não chegam a ser empolgantes. Porém, são 30 pistas com inúmeras possibilidades e, à medida que as novas motos são liberadas, o desafio aumenta e a experiência melhora bastante. O visual colorido e futurístico, nos moldes de Tron, são bonitos e com meia hora jogada as músicas já estarão grudadas na sua cabeça.

Ainda existem duas batalhas de chefes que conseguem ser bastante divertidas, pois elas usam todos os veículos sem ordem estabelecida e o caminho é sempre aleatório. Se morrer, na próxima vez o veículo e a ordem não serão os mesmos. Só que, ainda na temática cibernética, essas fases tem a irritante aparência de interferência, com traços coloridos desconexos aparecendo pela tela. Isso pode acabar atrapalhando e até causando certo incômodo de tanto olhar, forçando o jogador a largar o game por alguns minutos.

Tente mais uma vez

Talvez tenha sido muita pretensão da desenvolvedora ter comparado seu produto a duas séries tão famosas, ainda mais dada a simplicidade e curta duração de FutureGrind. Outro ponto que pesa contra foi o tempo que o projeto demorou para ficar pronto. Mesmo para um indie, quatro anos de projeto trazem uma expectativa para algo mais elaborado.

Entretanto, ele é divertido e consegue prender sua atenção por algumas horinhas. Sem contar que é o tipo de jogo que sempre que você estiver sem fazer nada, vale dar uma fuçada para ver se consegue bater aquela pontuação de platina.

Prós

  • Curva de aprendizado rápida e fácil;
  • Visual colorido e bonito;
  • Trilha sonora agradável;
  • Fácil de conseguir todos os troféus/conquistas.

Contras

  • Curta duração;
  • Começo de jogo um pouco maçante;
  • Efeitos visuais das batalhas de chefes podem causar incômodo aos olhos. 
FutureGrind — PS4/PC/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela Milkbag Games
Revisor: Francisco Camilo


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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