Música e videogames: clássicos que regeram a trilha sonora dos jogos

A relação da música com os videogames começou tardia, porém, a evolução tecnológica nos trouxe a experiência de termos verdadeiros clássicos regendo nossas aventuras.

Assim como o cinema, os videogames começaram mudos, o Magnavox Odyssey, primeiro console caseiro do mundo, era tão rudimentar que era incapaz de emitir som. Mas com o caminhar tecnológico, as coisas foram mudando e as músicas começaram a ganhar importância nos jogos.

Temas musicais viraram referência. Afinal, basta ouvir as primeiras notas de Green Hill Zone e já sabemos que tem alguém jogando Sonic por perto. E quem não se lembra de temas clássicos como a músicas do Super Mario Bros. 3 e a sequência clássica de arpejos do Top Gear.

Não tardou para que clássicos da música internacional virassem tema dos jogos. Isso começou na quarta geração. Alguns jogos viraram uma verdadeira coletânea de bandas consagradas, outros, literalmente, lançaram bandas em ascensão para o mundo.

Rock and Roll Racing (Snes/Mega Drive): Clássicos do Rock regendo a destruição

Rock and Roll Racing foi um grande sucesso nos anos 1990, um incrível jogo de corrida no qual não havia regras e a carnificina corria solta. Muitas coisas marcaram este jogo, desde personagens extraterrestres até a voz marcante do narrador Larry Huffman anunciando o início das corridas com o seu clássico “Let the carnage begin”. Porém, nada marcou tanto quanto a sua trilha sonora.




Este foi um dos primeiros jogos a usar músicas já consagradas na sua trilha. Era uma coletânea com as maiores bandas da história do rock e do heavy metal. Assim podíamos escutar em formato mid canções do Black Sabbath, Deep Purple e Steppenwolf. Uma trilha tão (ou mais) empolgante que o próprio jogo.

No repertório de Rock and Roll Racing temos: Paranoid (Black Sabbath); Highway Star (Deep Purple); Born to be Wild (Steppenwolf); Bad to the Bone (George Thorogood and the Destroyers); Peter Gunn Theme (Henry Mancini) e Radar Love (Golden Earring), sendo que este último só tocava na versão do Mega Drive.

Michael Jakson’s Moonwalker (Mega Drive): o Rei do Pop dita o ritmo do jogo

O que esperar de um jogo baseado num filme do maior astro pop da história? Nada mais, nada menos que uma trilha sonora excepcional. Assim foi com o clássico 16-bits Michael Jackson’s Moonwalker.




Tá certo que o filme não foi lá essas coisas, mas, mesmo assim, rendeu esse grande clássico do Mega Drive. Um jogo cheio de ação, em que passamos por vários cenários inspirados tanto no filme, quanto em alguns clipes do Michael Jackson.

Além do mais, a trilha sonora é especial, uma seleção das melhores músicas do rei. Smooth Criminal, Beat It, Another Part of Me, Billie Jean e Bad ditam o ritmo frenético do jogo, deixando ele ainda mais empolgante e fazendo a gente jogar com o volume da TV no máximo.

Existe um mistério neste jogo com a música Thriller. Como a trilha ficou de fora do jogo, mesmo na fase inspirada em seu videoclipe (a do cemitério), muito foi especulado sobre sua ausência. Alguns diziam que o motivo foi os direitos autorais da música, outros diziam que ela não estava soando bem no chip do cartucho do Mega Drive.

Porém, só recentemente foi descoberto um glitch que ativa a música no jogo. Para ouvi-la, basta apenas fazer o Dance Attack (segurando o botão A com a barra de energia cheia) no terceiro estágio, ao invés de tocar a versão curta de Another Part of Me, tocará Thriller. Cada subfase tem sua variação de sua versão, uma possui a linha de baixo apenas, e a outra tem alguns acordes adicionais do sintetizador do Mega Drive.

Road Rash: apresentando ao mundo estrelas do Grunge

Lançado em 1994 para o 3DO e no ano seguinte para o Sega Saturn e PS1, o frenético jogo de corrida de moto regrado a muita pancadaria aproveitou o auge do grunge, encabeçado por Nirvana e Soundgardem, e trouxe nesta versão uma trilha recheada de expoentes do estilo, o resultado é uma das melhores trilhas sonoras de games já feita.




As bandas que regiam o jogo eram: Soundgarden (encabeçando a lista) com as músicas Rusty Cage, Kickstand, Superunknow e Outshined; Therapy? com as músicas Teethgrinder e Auto Surgery; Paw contribuiu com The Brigde, Pansy e Jessie; Hammerbox incluiu duas, Trip e Simple Passing; Swerdriver, também com duas músicas, contribuiu com Last Train to Satansville e Duel; e a última banda a contribuir foi Monster Magnetic com Dinosaur Vacume.

Além desta grande soundtrack no meio do jogo, duas músicas ainda ganharam videoclipes exclusivos no jogo, foram elas Last Train to Satansville do Monster Magnetic e Jassie da banda PAW.
Road Rash já era um grande sucesso no Mega Drive, mas a versão feita para o 3DO e, posteriormente, Saturn e PS1 foi a definitiva. A trilha sonora com bandas do cenário grunge foi a cereja do bolo deste grande clássico de corrida.

Crazy Taxi (Dreamcast): Offspring em um jogo alucinante

Quem já teve um Dreamcast conhece bem a sensação de colocar o GD de Crazy Taxi dentro do console, apertar o Power e ouvir o famoso “YAYAYAYAYA!” da música All I Want do The Offspring.







Além do The Offspring — com as músicas All I Want, Way Down the line e Change the World — a banda Bad Religion aparece também com as músicas Tem in 2010, Them and Us, Hear it e Inner Logic. Também a banda The Hooks contribui tocando a música Get Out.

Crazy Taxi foi um dos jogos mais alucinantes do último console da Sega e a trilha sonora contribuiu em muito para isso. Músicas escolhidas a dedo que se encaixam perfeitamente com o clima do jogo.

Guitar Hero: abrindo caminho para os jogos musicais

Quando foi lançado em 2005 o Guitar Hero se tornou um sucesso avassalador, uma verdadeira mania mundial. Capaz de levar os jogadores ao mundo das estrelas do Rock, transformando-os em verdadeiros rockstars. Se você tiver a guitarra de plástico, a imersão se torna ainda maior.




A grande fórmula do sucesso deste jogo foi justamente a seleção das músicas. Um setlist lotado de clássicos do rock and roll que serviam para testar nossas habilidades com aquela guitarra de plástico. A medida que o jogador vai passando de fase a dificuldade das músicas vai aumentando. Enquanto se começa com músicas mais simples como I Love Rock and Roll de Joan Jett & The Blackhearts e I Wanna be Sedated do Ramones. E no final terá que ser habilidoso o suficiente para conseguir fazer solos clássicos como o de Texas Flood de Steve Ray Vaughan e o de Jake E. Lee na música Bark At the Moon de Ozzy Osbourne.

Guitar Hero foi responsável por dar início a um novo gênero de jogos, os musicais. A partir dele muitos outros jogos do gênero apareceram, como o Rock Band e o RockSmith (sendo necessário o uso de uma guitarra de verdade para este último. A lista de músicas é grande no Guitar Hero, afinal um jogo voltado 100% para a música tem que ser, seria necessário uma matéria especial só sobre o jogo pra falar de cada uma delas. Todavia, ele foi um divisor de águas para os jogos eletrônicos, apresentou um novo gênero e elevou ainda mais a importância da música nos videogames.

Música e videogames: uma relação próxima

A arte de jogar videogames começou muda — assim como a sétima arte — mas, assim que ganhou voz, a relação da música com os videogames foi cada vez mais se aproximando, com trilhas tão bem elaboradas quanto aos mais premiados filmes de Hollywood.



Atualmente, as soundtracks são tão importantes quanto o próprio jogo, elas que fazem os jogadores serem absorvidos por completo na história do jogo, no clima que este quer passar. Aproveitando músicas já consagradas esta absorção se torna maior, pois a música acaba marcando o jogador tanto quanto o próprio jogo em si.

Muitos outros jogos usaram isso, afinal quem nunca escutou um Rock You Like a Hurricane apenas zapeando as rádios nos jogos de GTA, ou cantou junto com Moreira da Silva, no cenário brasileiro de Counter Strike? A música acaba sendo um dos pontos mais marcantes dos jogos, tanto que trazemos muitas delas para sempre em nossos corações pelo simples fato de ter jogado, na infância, um jogo a qual a música regia a diversão.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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