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Análise: Spyro Reignited Trilogy (PS4/XBO) é um excelente retorno às aventuras dos anos 90

Com uma atualização gráfica invejável, melhorias de controles e ótimas dublagens, Spyro está sensacional na nova geração.

Que os anos 80 e 90 foram dos mascotes dos videogames, isso todos lembram. Alguns deles ainda sobrevivem firmes e fortes com jogos inéditos até hoje, como é o caso de Mario. Outros, como Sonic e Megaman, tem seu altos e baixos. Já alguns outros, acabaram entrando num nicho pouco conhecido de games, como foram os casos de Crash  Bandicoot e Spyro The Dragon. Porém, uma onda de remakes começou a surgir com o intuito de revisitar esses clássicos da década de 1990, reimaginados para os consoles atuais. Assim, chega até nós agora Spyro Reignited Trilogy (PS4/XBO).


Seguindo a lógica de Crash Bandicoot N’Sane Trilogy (Multi), a Toys for Bob desenvolveu um remake dos três jogos originais do dragãozinho roxo: Spyro the Dragon (Multi), Spyro 2: Riptor’s Rage! (Multi) e Spyro: Year of the Dragon (Multi). Com qualidade invejável, o remake da trilogia atualiza controles, melhora a física dos jogos e atualiza de forma primorosa gráficos, música e dublagem, tudo sem perder um pingo da experiência que os mais velhos tiveram com o dragão lá no PlayStation 1.


Três robustas aventuras

Um dos pontos mais positivos de Spyro Reignited Trilogy é sem dúvidas o retorno dos três melhores jogos de Spyro em uma nova roupagem. Claro que Spyro nunca deixou de ter aventuras, porém, com a expansão de sua marca com os Skylanders, a Toy for Bob acabou deixando as aventuras do dragãozinho roxo de lado por bastante tempo.

Assim, num formato idêntico ao remake de Crash Bandicoot, Spyro retorna com um compilado de três jogos em um, o que por si só já é uma excelente qualidade, por conta da extensão de conteúdos que os três jogos combinados possuem. Ao todo são mais de 100 fases diferentes, com aventuras em todos os biomas e paisagens que você possa imaginar.



Isso faz da experiência de jogar Reignited Trilogy algo bem completo, garantindo boas horas de jogo. Junte a isso a facilidade com a qual o sistema do jogo permite você transitar entre os três títulos, voltando para a tela inicial rapidamente e podendo também acompanhar sua porcentagem de completude de cada jogo de forma bem facilitada. Tudo deixando a aventura da trilogia bem dinâmica e com uma ótima sensação de continuidade.

Spyro na nova geração

A reformulação de mecânicas e atualização de sistemas de jogo para os moldes atuais não passa simplesmente por uma atualização gráfica superficial, como acontece na maioria dos casos em jogos remasterizados. Na verdade, como estamos falando aqui de um remake, a trilogia original de Spyro foi refeita do zero e, com isso, possibilitou algumas melhoras consideráveis no que tange a experiência de jogo.



Para início de conversa, os terrenos estão visivelmente maiores e mais deslumbrantes. Mesmo que isso possa causar certo desconforto inicial nos jogadores que experimentaram a aventura do dragão lá no final dos anos 1990, rapidamente nos acostumamos com a nova escala de tamanho entre as construções, plataformas e proximidades.

Esse costume se dá principalmente pela reformulação do sistema de física do jogo. Saltos estão mais realistas, a corrida dá mais sensação de velocidade e a altura faz mais diferença do que outrora na hora de voar. Tudo isso são excelentes acréscimos à jogatina que alcançam um equilíbrio ímpar entre a experiência dos jogos originais e as adequações à nova geração.


Dublagem de primeira

Outro ponto de extrema diferença entre a trilogia refeita e os jogos originais são as dublagens em português brasileiro. Se antes, muitos de nós não entendíamos o que os personagens falavam por conta da barreira de língua, agora temos uma dublagem sensacional com excelentes adequações à nossa língua.

Isso aumenta ainda mais a interação entre o jogador e o jogo. Revisitar os mundos de Spyro com o excelente visual que a Activision e a Toys for Bob garantiram pro jogo e ainda por cima com uma dublagem de qualidade toda na nossa língua faz da experiência algo muito próximo a assistir a uma animação da Disney ou da Dreamworks.



Impossível não comparar com outros excelentes trabalhos desse nível como a própria franquia Skylanders ou então Ratchet & Clank (PS4). As dublagens além de cativantes, expressam muito bem a personalidade da maioria dos personagens, deixando os diálogos mais interessantes de serem assistidos. Mesmo que o primeiro jogo praticamente não tenha muito desenvolvimento de personagens, o segundo e terceiro já lidam muito melhor com isso, complexificando a experiência um pouco.

O dragãozinho através dos anos

Falando na relação entre os três jogos, Reignited Trilogy conseguiu algo fantástico: uniformizou a estética dos três capítulos de Spyro de forma a parecerem realmente um único jogo. Visualmente não há diferenças entre o primeiro e o terceiro jogo, por exemplo. Algo muito bom para os novos jogadores, que não encontrarão barreiras na hora de experimentar todos os títulos.



Porém, a experiência mais interessante é jogar os três jogos em ordem cronológica. Assim fica clara a evolução de cada jogo, não por gráficos, mas sim por mecânicas de jogo. Em seu jogo original, Spyro não conseguia nadar e o enredo da aventura girava apenas em libertar os dragões de seu reino que foram transformados em estátua por um inimigo que teve seu ego ferido. Nada muito estupendo, mas cumpre o objetivo de divertir.

Já no segundo jogo, temos algumas melhorias em mecânicas, mundos maiores e a construção, pela primeira vez, de personagens coadjuvantes que ajudam ao longo da história, dando realmente uma missão mais dramática para Spyro, que precisa salvar uma terra que há muito tempo não via um dragão.



Por sua vez, o terceiro jogo já permite outras evoluções como mergulhar (o que traz fases completamente aquáticas) e até a possibilidade de jogar com outros personagens, deixando a aventura ainda mais dinâmica e variada. Tudo isso faz de Reignited Trilogy uma viagem no tempo através da evolução das mecânicas dos primeiros jogos de Spyro, mas sem os problemas graves de controle e resolução das fases que tínhamos lá no primeiro console da Sony.

As barreiras do tempo

Mesmo que o trabalho de reconstrução dos três jogos tenha sido primoroso, algumas barreiras temporais não conseguiram ser totalmente vencidas no remake, apenas enfraquecidas. Entre elas temos a mais incômoda de todas: a câmera. Ao contrário da trilogia de Crash que era terminantemente linear, as aventuras de Spyro sempre foram conhecidas por suas fases exploratórias, muito voltadas para uma movimentação circular.



Isso gera um problema que conseguiu ser somente diminuído em Reignited Trilogy: a dificuldade de mover a câmera na direção certa enquanto se move pela fase. Existem dois tipos de configuração da câmera no jogo: um modo manual e um automático. Eles se diferenciam pelo fato do primeiro não acompanhar os movimentos do dragãozinho, necessitando assim de um controle mais ativo do jogador. Enquanto o segundo permite um ritmo mais tranquilo de jogo, sem se preocupar muito com a câmera, já que ela segue o movimento do avatar.

Porém, ambas as opções ainda possuem problemas, principalmente por obstruir a visão do jogador em alguns momentos e até criar armadilhas, ocultando inimigos ou atrapalhando o ato de mirar em plataformas para alcançá-las. Claro que não é nada muito próximo dos problemas que tínhamos nos anos 90 com a câmera, mas ainda não está exatamente boa.



Outro ponto que pode incomodar é a física afiada “demais”. Isso afeta principalmente os antigos jogadores que estavam mais acostumados com um tempo maior de voo em fases terrestres. Agora é preciso ser bem mais minucioso para acertar determinados locais, fazendo com que cada centímetro de altura importe ao máximo.

Uma excelente viagem no tempo

Independente das diferenças, erros e acertos, Spyro Reignited Trilogy (PS4/XBO) é uma aventura fantástica e uma excelente oportunidade de revisitar três jogos clássicos dos anos 90. Spyro está em sua melhor forma em anos e consegue conquistar tanto os jogadores mais antigos como os mais novos, em uma tríplice de jogos que traz de sua origem muito carisma e diversão.



O compilado refeito das aventuras de Spyro tem mais cor, mais brilho, mais música, dublagens excelentes, reformulações válidas de mecânicas e controles e, mesmo que ainda enfrente alguns probleminhas pela idade, é uma opção e tanto para diversos públicos diferentes. Seja você um jogador nostálgico ou alguém que nunca viu Spyro antes, seja você fã de Skylanders ou então amante de jogos cheios de colecionáveis, Spyro Reignited Trilogy é um jogo fantástico que vale a pena ser jogado uma, duas, três ou ainda mais vezes!

Prós

  • Visual belíssimo com cores mais vivas e melhor iluminação;
  • Física do jogo totalmente reformulada melhora a experiência;
  • Riqueza de detalhes impressiona;
  • Dublagem em português de excelente qualidade e carisma;
  • Quantidade de conteúdo faz o jogo valer muito a pena;
  • Mesmo com diferenças, ainda tem ótima sensação de nostalgia;
  • Equilíbrio entre o novo e o clássico.

Contras

  • Alguns incômodos no controle da câmera;
  • Saltos em fases terrestres estão dificultados.

Spyro Reignited Trilogy — PS4/XBO — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4

Análise produzida com cópia digital cedida pela Activision.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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