Discussão

O futuro dos adventures sem a Telltale

A Telltale fez muito pelos jogos adventures nos seus anos de existência, mas está na hora de imaginar como esse mercado será sem ela.


Grim Fandango (Multi), Life is Strange (Multi), Full Throttle (Multi), são alguns exemplos de jogos adventures, de épocas e mecânicas diferentes, mas sempre focados em suas narrativas. Mesmo que seu público não seja imenso como outros gêneros e sagas no mercado, os fãs possuem um carinho muito grande por eles. E em uma época com poucos aventuras interativas no mercado, uma empresa se focou em adaptar alguns títulos famosos em games point-and-clicks, onde o jogador escolhia para agir com os personagens e como seria o andar da história, a Telltale Games.


Nos seus anos de existência, ela trouxe vários títulos de qualidade, e até ditou um novo modo de contar uma história. Infelizmente, tudo isso foi até 2018, quando ela declarou que está fechando suas portas. Então quero discutir aqui como será no futuro o mercado desse gênero sem a empresa que fez tanto por ele.


Antes e depois da Telltale

Talvez você não saiba, mas Telltale foi fundada em 2004, desenvolvendo jogos como Sam & Max: Culture Shock (Multi) e Tales of Monkey Island (Multi). Adventures que usam de mecânicas point-and-click, e em boa parte deles você teria que procurar por itens para resolver os puzzles. Foi assim até 2012, quando ela lançou episodicamente uma adaptação da famosa história de zumbis, The Walking Dead, onde o foco estava na narrativa e como dar ao jogador controle sobre ela. Eles resolveram isso acrescentando elementos narrativos dos RPGs, podendo decidir como responder os diálogos e a história se adaptaria de acordo. Essa modernização para esse gênero deu tão certo que fizeram por merecer o prêmio de melhor jogo do ano de 2012, isso tudo mesmo com poucos recursos.



Outras empresas estão apostando nesse tipo de narrativa, como a Square-Enix com Life is Strange (Multi), ou  Netflix, que irá continuar o projeto do game cancelado de Strange Things. Skybound Games também entra nessa, dando continuidade na atual temporada de The Walking Dead, desenvolvedora fundada pelo criador da HQ apocalíptica, uma ótima notícia para quem estava esperando um final para a jornada da Clementine.

Mesmo com todos os problemas, como os múltiplos lançamentos em um mesmo ano, ou uso excessivo das mesmas mecânicas por vários anos, a história da Telltale pode ensinar e a inspirar os próximos projetos que podem existir no futuro, vindo de inúmeros estúdios espalhados pelos globo. Seus jogos mostraram como os adventures podem ser maduros e tocantes, com uma jogabilidade simples e diálogos profundos sem serem superproduções. Moldando as mecânicas narrativas a partir dos games produzidos por ela, como Life is Strange ou Blackwood Crossing (Multi) fizeram.


Uma porta aberta

Os adventures mudaram quando o final da história de Lee em um apocalipse tão familiar foi mostrado. Tinha emoção e diversão nas escolhas do que dizer e no que fazer conforme o ele avançava. Era fácil ver que tudo era uma história pessoal, de uma pessoa tentando sobreviver em cada linha de diálogo. A Telltale abriu uma porta e a partir de agora, os jogos de aventura podem trazer o mesmo prazer e tristeza que The Walking Dead trouxe para os inúmeros jogadores.



Sentiremos sua falta, Telltale, e não se preocupe, seu legado está nas mãos de estúdios tão fãs quanto nós, e que por sua causa acreditam no potencial narrativo e financeiro deste mercado. Os jogadores agradecem seus muitos anos de contribuição e esforço. Vá em paz.

Revisão: Rui Celso
Matheus Bigai Ferreira escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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