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Análise: Raging Justice (Multi) mostra como fazer justiça com as próprias mãos

Beat 'em up retrô traz o melhor das brigas de rua da década de 80 para 2018.

Se você curte filmes de ação dos anos de 1980 como Máquina Mortífera (Richard Donner, 1987) ou Duro de Matar (John McTiernan, 1988), o beat 'em up Raging Justice (Multi), da MakinGames, levará você a uma viagem para a década das brigas de rua, onde seu papel é controlar um trio de policiais que decide acabar com o crime ao melhor estilo Mel Gibson e Bruce Willis.

Departamento de Polícia ou Loucademia de Polícia?

Ambientado em um típico espaço urbano de quase 40 anos atrás, Raging Justice possui uma história de premissa simples: a cidade está um caos, o prefeito é misteriosamente sequestrado e diversas gangues tomam o controle das ruas. Nesse cenário, o jogador assume o papel de um policial em busca do prefeito desaparecido.

O trio de protagonistas é composto por Rick Justice, um policial veterano (e com um nome perfeito para a ocasião), Rikki Rage, uma ex-militar durona dotada de um sobrenome que faz referência ao lendário Streets of Rage (Multi), da Sega e Ashley King, uma adolescente que sofre com a repressão das gangues em seu bairro.


Apesar do beat 'em up ter uma proposta de briga de rua descomprometida com a realidade do gênero fílmico e de jogos eletrônicos dos anos de 1980, ainda é demasiadamente ilógico Raging Justice trazer uma personagem de 15 anos como policial distribuindo socos e pontapés pelas ruas. Se a intenção fosse uma paródia do gênero daria certo, mas no contexto do jogo, King soa mais como uma integrante do filme Loucademia de Polícia (Hugh Wilson, 1984) do que parte da dupla durona composta por Rick Justice e Rikki Rage. 

Armas e bandidos de todos os tipos

A jogabilidade de Raging Justice é bem construída, no qual o trio de personagens possui diferenças significativas de formas de combate, velocidade e armas. Rick Justice possui reflexos mais lentos, mas golpes fortes e letais; Ashley King é rápida e com ataques mais fluídos; e Rikki Rage apresenta um equilíbrio de força e velocidade.

Os cenários oferecem diferentes armas como espadas, facas, ferramentas, latas de lixo, hidrantes e outros itens que podem ser usados contra os inimigos. Além do armamento variado, o jogo inclui veículos como carros e tratores que podem ser usados para atropelar gangues inteiras. Um recurso muito divertido e bem-vindo aos combates caóticos.


Falando em combates, o sistema clássico do beat 'em up em trazer ondas imensas de inimigos é reproduzido com qualidade pelo jogo da MakinGames. As gangues apresentam diferentes tipos de vilões com armas específicas. Há homens com armas de fogo, mulheres com taser, capangas mais fortes e mais fracos, entre outros atributos distintos entre os adversários.

Raging Justice também utiliza o sistema de chefes. O jogador enfrenta líderes do crime da região, cujas batalhas rendem ótimos momentos de pancadaria, no qual os chefes possuem diferentes estilos de luta e ataque.

O gameplay é simples, porém apresenta um bug problemático no qual o inimigo foge do cenário da luta e o jogador fica impossibilitado de continuar o jogo. Devido a isso, outros personagens também não realizam as ações para os quais estavam programados, impedindo a continuidade da missão e nos forçando a reiniciar a fase.


Lutando nas ruas de 1980

A arte gráfica do jogo reprisa o visual underground dos anos 80. É bom lembrar que este período foi marcado por mudanças políticas e sociais nos Estados Unidos. Foi o momento dos principais protestos de rua e reivindicações de direitos civis.

Ruas sujas de lixo, paredes pichadas, cabines telefônicas destruídas, restos de madeira em um asfalto rachado dão o tom de grande parte das fases onde guerras de gangues acontecem, bem como ambientes interiores com o charme neon de placas luminosas e móveis e eletrônicos do período marcado pela atuação dos punks.

As cinemáticas são compostas por ilustrações em 2D mescladas com movimentos de câmera que simulam movimentos mesmo com poucas intervenções animadas. Graficamente, as tonalidades de cores muito bem colocadas ajudam ainda mais na criação da identidade visual inspirada nos clássicos jogos de fliperama.


A trilha sonora cumpre seu papel durante os combates e traz um gosto de nostalgia com os loops eletrônicos. O jogo possui tradução para o português, porém as legendas apresentam falhas de pontuação e uma irregularidade nas gírias e modos de expressão. Raging Justice usa, majoritariamente, um diálogo informal, porém em dados momentos os personagens mudam para um vocábulo formal e tornam as frases engraçadas ou sem sentido.

Raging Justice é uma homenagem a toda pancadaria das brigas de ruas que tomaram os jogos e o cinema de 1980. Um beat 'em up divertido e que permite até três jogadores no modo cooperativo e um modo de jogo com ondas de inimigos para aqueles que desejam trazer justiça além da história principal.

Prós

  • Arte retrô bem ilustrada;
  • Jogabilidade bem desenvolvida;
  • Ondas de inimigos com habilidades distintas;
  • Personagens com diferentes estilos de luta;
  • Visual do beat 'em up clássico.

Contras

  • Bug de travamento do inimigo fora do cenário;
  • Erros de tradução;
  • Personagem fora do contexto da história.
Raging Justice — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Team17.
Revisão: Marília Carvalho
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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