Steam: há 15 anos revolucionando o mercado de games

Conheça um pouco mais sobre a história da loja que revolucionou a forma de distribuição comercial de games!

Há exatos 15 anos, mais precisamente no dia 12 de setembro de 2003, era lançada a primeira versão da plataforma que mudou completamente a história do comércio de jogos eletrônicos. Uma, até então, tímida Valve se tornou uma gigante do mercado de videogame e nós, consumidores, mudamos completamente a forma como compramos games por causa dela. Celebrando essa data primorosa, vamos cair direto no túnel do tempo para conhecer a história do Steam.

Tudo começou com a Valve

A Valve foi fundada em 1996 por dois ex-funcionários da Microsoft. O icônico Gabe Newell e o brilhante Mike Harrington. Seu lançamento de sucesso foi nada menos que Half Life (PC), jogo de FPS elogiado até hoje, seja pela história, pela jogabilidade, pelo ótimo sistema online ou pelas lembranças que deixou nos jogadores de PC de uma década inteira.

Parte do brilhantismo da dupla se deu principalmente ao utilizar um motor gráfico com a licença da ID Software (motor gráfico de Quake, um dos FPS mais populares na época) para criar algo totalmente novo e que acabou ditando a fórmula dos games do gênero das duas décadas seguintes.



Half Life foi tão bem aceito pelo público que rapidamente a comunidade de fãs começou a criar modificações para o jogo, criando mapas multiplayer, novas armas e modos engraçadíssimos. O mais famoso de todos os mods de Half Life é, sem dúvidas, Counter Strike, o qual inclusive, muitos nem sequer sabem que nasceu como um mod.

Em 2000, Newell e Harrington vislumbraram o brilhantismo dos criadores de Counter Strike, Le e Cliffe, contratando ambos para a empresa, almejando assim um jogo próprio que acabou se tornando uma das franquias de tiro mais aclamadas dos games. Com isso, a Valve começou a ficar conhecida principalmente pelos seus multiplayers online sólidos e divertidíssimos, que acabaram dominando boa parte das lan-houses do mundo nos anos 2000. E é aí que a história do Steam começa.


Início recluso

Em 2002, a Valve apresentou ao mundo os primeiros testes da primeira versão do Steam. A plataforma, em sua versão beta, tinha a intenção de facilitar a distribuição e a atualização dos principais games da Valve, como Counter Strike e Half Life. Inclusive, o beta de Counter Strike 1.6 (PC), em 2002, vinha com uma cópia obrigatória do Steam para que o jogo pudesse ser atualizado com o tempo.

Após quase um ano de testes, em setembro de 2003, o Steam finalmente foi lançado oficialmente. Já no ano seguinte, em 2004, a plataforma começou de fato a ter ainda mais relevância, claro que ainda bem longe do que vemos hoje. Neste ano, ela ainda vivia à sombra de um dos maiores lançamentos da história da Valve: Half Life 2 (Multi). A inovação aqui se deu pelo fato dos fãs que efetuaram a compra do jogo já poderem baixá-lo antes do lançamento, para agilizar o processo. Assim, quando desse meia noite do dia do lançamento, eles já poderiam jogar seu tão esperado título.



O problema foi que a ativação do jogo, no dia do lançamento, exigia o cadastro no Steam. Esse cadastro era feito através da internet diretamente com os servidores da Valve e, bom, não deu muito certo. Isso porque, em 16 de novembro de 2004, o lançamento de Half-Life 2 foi recheado por compradores impossibilitados de jogar simplesmente pelo sistema Steam estar lento demais. Na Europa, inclusive, os servidores ficaram mais de cinco horas totalmente parados, fazendo com que o lançamento de Half Life 2 ficasse conhecido como um dos mais conturbados da história dos games. 

Porém, esse início não foi nada comparado a tudo que o Steam é hoje. Muito disso se dá pela dificuldade da empresa em provar a utilidade da sua plataforma. Principalmente num “mundo” onde nada parecido sequer existia e as conexões de internet eram pífias se comparadas com as atuais. Porém, tudo começou a mudar (ainda vagarosamente) quando a empresa começou a firmar alianças.

Apoio de terceiros

Em 2005 surgiram os primeiros contratos da Valve com outras desenvolvedoras de games. Entretanto, essas ainda eram um tanto quanto desconhecidas se comparadas aos grandes nomes da época, como Blizzard, EA e Microsoft. Mesmo assim, alguns games começaram a ser vendidos na plataforma pela primeira vez, mostrando que a intenção da Valve não era comercializar apenas seus próprios produtos. Entre os primeiros títulos tercerizados lançados para o Steam, estão Rag Doll Kung Fu (PC/PS3) e Darwinia (PC/XB360), ambos ainda disponíveis na plataforma!


De loja online à rede social

O passo seguinte da Valve para fazer o Steam crescer ainda mais foi em agosto de 2007. Agora, já com alguns bons títulos em sua plataforma, ainda faltava uma coisa muito importante para que o Steam ficasse ainda mais forte: jogadores unidos. Assim, dando prioridade pela primeira vez à interatividade entre jogadores, a Valve começa os testes da Comunidade Steam.

Nela, os usuários poderiam trocar mensagens, imagens, vídeos e até outros arquivos de modo prático e fácil. Num ano onde as redes sociais já estavam bombando, dar todas essas funcionalidades para uma plataforma voltada para jogos foi, sem dúvidas, uma ótima cartada. Isso porque, pelo Steam, pela primeira vez, os jogadores não precisavam mais depender de outras comunidades, sites ou fóruns para encontrar outras pessoas que gostavam dos mesmos jogos, pois ali estava tudo interligado: sua biblioteca pessoal era visível para todos os usuários.



No ano seguinte, a rede social Steam deu mais um passo com o Steamworks. Se antes os jogadores podiam conversar e trocar imagens, agora os desenvolvedores poderiam trabalhar juntos em projetos próprios, mods de jogos já existentes e tudo o mais. Mais uma vez, a ideia unificadora do Steam gera engajamento o suficiente para fortalecer a plataforma. Claro que para ajudar ainda mais nesse trabalho em equipe virtual, a Valve também desenvolveu em 2008 o Steam Cloud, um serviço de armazenamento de dados em nuvem para armazenar saves de jogos e demais dados que o jogador não quisesse perder por formatar sua máquina (como vídeos e fotos do jogo).

Finalmente o Steam “atual”

Nos anos seguintes a Valve se concentrou em expandir as fronteiras do Steam. Afinal, com jogos sendo lançados com uma frequência boa para a plataforma e seus usuários devidamente engajados, o que precisava ser feito era justamente aumentar tanto o número de usuários como o de jogos disponíveis. O primeiro passo foi o lançamento de uma versão do Steam para OS X, juntando assim fãs da Apple e da Microsoft sob uma única bandeira.


Como se não bastasse, o Steam chegou também aos consoles, com uma versão do Steamworks para PlayStation 3. Isso, claro, junto com o grande lançamento de Portal 2 (Multi), game de puzzles da Valve que foi um incrível sucesso de público e crítica. O jogo foi um marco tanto para a Valve como para o Steam, uma vez que se tornou uma das primeiras experiências cross-play da história dos videogames, unindo o multiplayer do PS3 e do PC sob um único servidor.

Em 2010 a interface visual do Steam recebe uma imensa atualização, deixando-a finalmente com a cara pela qual a conhecemos hoje. O layout todo trabalhado em cinza escuro virou a identidade da empresa, que abandonou de vez o verde musgo que usava até então. Além do visual, a interface ficou muito mais rápida e fácil de usar, tornando a popularidade do Steam ainda maior. Mas foi em 2012 que toda a glória da plataforma viria à tona com nada menos que o Greenlight.


O surgimento dos Indie Games

Os primeiros indie games começaram a se popularizar por volta de 2009, com títulos como Minecraft (Multi), Braid (Multi) e Castle Crashers (Multi). Já no ano do apocalipse dos Maias, esse novo nicho de games já estava bastante popular, buscando cada vez mais seu espacinho no mercado de jogos eletrônicos. Assim, a Valve mais uma vez abraça a comunidade ao desenvolver o Steam Greenlight, um serviço que ajudava os desenvolvedores independentes na divulgação de seus games para a comunidade de jogadores online.

Além disso, os jogos independentes poderiam, assim, ficar disponíveis na loja do Steam, seja com o selo de “em desenvolvimento” ou lançado oficialmente, tal como qualquer outro jogo de empresas gigantes como Microsoft e Sony. Assim, pela primeira vez na história dos games, um game independente poderia competir “em pé de igualdade” em uma loja online com as gigantes da indústria. 



Isso não gerou apenas um aumento vertiginoso do uso do Steam enquanto plataforma de games independentes, mas também serviu como a gasolina que faltava para a fogueira dos games indie explodir. Não é demais admitir que, se hoje temos um ramo do mercado todo voltado para o desenvolvimento de games independentes, boa parte disso se deve ao Steam lá em 2012.

O primeiro jogo lançado pelo Greenlight foi McPixel (Multi), em junho de 2012. O jogo muito simples era baseado em puzzles. O jogador, assim, precisava desarmar uma bomba em apenas 20 segundos. Dali para cá, o mercado da Steam só fez crescer. Com cada dia mais desenvolvedores trabalhando e divulgando seus produtos na plataforma, atualmente a loja do Steam possui mais de 13 mil títulos disponíveis!


Steam Machine e Steam VR

Tentando ampliar ainda mais seus horizontes, a Valve ainda não parou. Ao contrário de outras empresas que, ao dominarem o mercado, ficam estagnadas em mesmices, a dona do Steam continua tentando inovar, mesmo que, às vezes, o tiro não dê muito certo. Esse foi o caso da Steam Machine, uma tentativa da Valve de tornar o sistema Steam compatível com um console de mesa.

A ideia era criar um dispositivo que utilizasse o modo Big Picture, desenvolvido em 2012 como uma opção mais fluida de visualização da plataforma, para uma TV, como se fosse de fato um console de mesa. Na realidade, seria um hardware próprio para rodar o sistema Steam, permitindo que os jogadores tivessem acesso a todos os títulos da plataforma fora do PC.



A ideia foi boa, porém não convenceu os usuários de consoles a migrarem para a plataforma. Isso porque a Steam Machine era terceirizada, sendo desenvolvida por empresas como Alienware, Maingera e Zotac NEN. Isso fez o preço das Steam Machines se assemelharem muito mais a um PC gamer do que aos consoles da “concorrência”, fazendo deste um artigo de nicho muito pequeno.

Porém, entrando em outro nicho não tão impopular assim, o Steam foi pioneiro em criar uma plataforma voltada para a realidade virtual. Se hoje temos certa popularidade com os Oculus, HTC Vive e até com o PlayStation VR, muito se deve à iniciativa da Valve em criar uma abertura no Steam para que desenvolvedores mostrassem produtos baseados em realidade virtual. Isso por conta da facilidade que a plataforma garantiu para a melhoria da tecnologia para os desenvolvedores, tornando-a mais acessível.


Ainda influenciando o mundo dos games

Como foi dito anteriormente, a Valve é um excelente exemplo de empresa que está na frente na corrida, mas nem por isso desacelera. Com investimentos como o Greenlight e o Steam VR, podemos ver que a plataforma só tem feito crescer nos últimos anos. Esse formato deu tão certo que outras empresas começaram a seguir o mesmo caminho, como a Epic Games, Blizzard, Ubisoft e EA Games. Estas, começaram a tentar manter exclusividades de títulos em suas plataformas, o que não afetou tanto o rendimento do Steam como um todo.

Se hoje a mídia digital se tornou tão popular, bem como as lojas online como PSN, Microsoft Store e até a Nintendo eShop, muito se deve ao surgimento e crescimento incrível do Steam. Além de tornar o acesso ao mercado de games muito mais fácil e rápido, o sistema criou a rede social gamer mais sólida e unificada já vista até então, com suporte para desenvolvedores independentes, criação de modificações para jogos já existentes e muito mais.



E se você pensa que tudo parou por aí, está enganado. Outros “problemas” enfrentados nos anos 1990 e 2000, como a pirataria e a falta de segurança de contas online também começou a ser diminuído por conta do Steam. Sobre a segurança, inclusive, o Steam sofreu uma terrível invasão em 2011, que o fez desenvolver o Steam Guard, um serviço de segurança que mescla o PC com o smartphone. Já no ramo das trapaças, agora em 2018, a Valve bateu o recorde de banimento de contas, deletando nada menos que 60 mil contas trapaceiras da sua plataforma!

Se tem uma coisa o Steam fez durante esses 15 anos foi mostrar como inovação e perseverança podem mudar todo o ramo de uma indústria. Isso, logicamente, não só com uma cartada de sorte, mas sim com muitos anos de trabalho duro, desenvolvimento e, principalmente, ouvindo o seu público. Que o Steam continue crescendo ainda mais e inovando a cada dia, trazendo ainda mais boas histórias, exemplos e oportunidades para o mundo dos games!

Revisão: Marília Carvalho
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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