Análise DLC

ARK: Aberration (Multi) eleva ao máximo os desafios com conteúdo extra excelente

O último DLC de Ark Survival Evolved lançado até então traz um dos maiores mapas da franquia, com ótimos acréscimos ao gameplay.

Lançado em 12 de Dezembro de 2017, ARK: Aberration (Multi) é o quarto DLC lançado para ARK: Survival  Evolved (Multi), sendo o segundo pago. Seguindo a mesma lógica de Ragnarok e Scorched Earth, o DLC apresenta um mapa completamente inédito, além de novos itens e novas criaturas. Porém, acompanhando o padrão de Scorched Earth, Aberration também traz mais desenvolvimento para a história do jogo, que a cada momento se torna mais complexa e épica.


Com um vasto mundo, novos desafios e, principalmente, mecânicas inéditas que possibilitam um nível de dificuldades jamais visto nos outros mapas de ARK, Aberration fica entre os melhores conteúdos extras do jogo até então, esbanjando qualidade e quantidade de conteúdo. Mas claro que vamos falar de cada coisa bem explicadinha ao longo dessa análise.

Um ARK danificado

A premissa de Aberration é que os jogadores, após sobreviverem à Ilha de Survival Evolved e ao deserto escaldante e surreal de Scorched Earth, foram parar em um novo território totalmente devastado. Aqui, por algum motivo inicialmente desconhecido, o sistema ARK (que dá suporte de vida ao ambiente e controla o desenvolvimento das criaturas) encontra-se danificado e, com isso, seu núcleo começou a vazar, contaminando boa parte do território com radiação pesada.

Desse modo, tanto existem locais altamente tóxicos em Aberration como também suas criaturas foram afetadas drasticamente pela radiação de ARK. Assim, mesmo as criaturas mais básicas como Dodôs e Parassauros estão em suas versões “Aberração”, nas quais suas colorações são bem distintas daquelas encontradas nos mapas anteriores e até bioluminescência pode ser observada na maioria das espécies, o que é bem bacana.



Mas para além das criaturas que já conhecemos, cerca de 10 criaturas inéditas também estão presentes no mapa, o que torna a experiência ainda mais exótica e assustadora. Da mesma forma que Scorched Earth teve como ambientação uma espécie de mitologia árida com artrópodes gigantes, wyverns e uma mantícora, Aberration é mais focado na ficção científica, com territórios tecnológicos em ruínas, criaturas com aparência alienígena e um habitat que lembra de diversas maneiras o mundo de Pandora, apresentado no filme Avatar, de 2009.

O maior desafio até então

Para jogadores veteranos, que conhecem as mecânicas tanto dos mapas gratuitos como do primeiro DLC, a diferença de Aberration será sentida de forma mais branda, mas não significa que não será percebida. Já para jogadores mais novos, os desafios podem ser mais absurdos ainda. Isso porque existem alguns acréscimos de mecânicas de ambiente em Aberration inéditas que pegam qualquer um de surpresa.



Esporos que causam alucinação apenas por serem respirados, cogumelos que soltam esporos ao serem pisoteados, água envenenada, dificuldades gritantes na locomoção pelo terreno danificado, novos alimentos que garantem hidratação misturados com aqueles que causam desnorteamento, falta de iluminação natural drástica no período noturno e novos caçadores que se aproveitam de movimentações e visibilidades até então pouco ou jamais exploradas são os principais pontos de diferença em Aberration.

Isso tudo é incrível para um conteúdo de DLC, pois obriga o jogador, seja ele o mais experiente possível, a reaprender alguns comandos básicos e pensar de modo diferente do que ele fazia até então. Assim como Scorched Earth introduziu recursos e criaturas que possibilitam ao jogador construir uma espécie de “base nômade” como uma caravana, Aberration introduz mecânicas que favorecem movimentações jamais pensadas anteriormente e preocupações que antes não eram tão gritantes. Isso tudo faz com que Aberration tenha o conteúdo extra mais interessante até então, se comparado com os desafios do jogo base.


Fauna alienígena exuberante

Como ARK: Aberration se trata de um habitat contaminado e alienígena, sua fauna e flora apresentam coerências com isso muito boas. Agora existem madeiras provenientes de cogumelos gigantes que substituem algumas espécies de árvores. Além disso, é possível coletar alimentos baseados muito mais em fungos do que em plantas, com os seus esperados riscos.

Fora isso, as novas criaturas são excelentes e combinam muito bem com o ambiente proposto pelo DLC. Para início de conversa, os simpáticos Bulbdogs são como uma mistura de cachorros com sapos que facilitam a iluminação em período noturno. Essa característica é repetida em outras criaturas de suporte como pequenas aves que possuem iluminação própria.



Fora essa função, temos criaturas com movimentação totalmente diferenciada de quase tudo que fora visto até então. Os Ratos-Toupeira conseguem rolar em velocidades extremas, quebrando todo tipo de pedra que encontra pelo caminho. Além disso, consegue se esconder debaixo da terra, assim como diversas outras novas criaturas do jogo. As serpentes gigantes batizadas de Basiliscos superam facilmente obstáculos médios e também se enterram.

Já os Krakinos, crustáceos gigantescos e ameaçadores, conseguem agarrar criaturas e dar saltos incríveis, facilitando a movimentação vertical. Entretanto, os grandes destaques ficam primeiramente para o Dragão de Rocha (Rock Drake, no original em inglês), que consegue escalar qualquer coisa tal qual uma largatixa gigante, além de conseguir planar por grandes distâncias e se tornar parcialmente invisível (características que ele também utiliza caso seja selvagem).



Em segundo temos os chamados Reapers, macho e fêmea. Esses, sem dúvida, estão no topo da cadeia alimentar de Aberration (e provavelmente entre os maiores caçadores de todos os ARKs). Com tamanhos equivalentes aos do Tiranossauro Rex e do Giganotossauro, respectivamente, macho e fêmea possuem habilidades especiais ligadas ao envenenamento e movimentação super rápida para o seu tamanho, tudo isso combinado com ataques vorazes e devastadores. Domar uma dessas monstruosidades é ter todo o Aberration na palma das mãos (ou quase).

Essa variedade de novas criaturas e, principalmente, suas características únicas, dão ao Aberration uma cara muito boa, que justifica sua compra por se tratar quase de um jogo totalmente novo. Isso sem falar dos novos itens e mecânicas de movimentação vertical dos quais, inclusive, falaremos agora.


Itens para ajudar nos novos desafios

Fora  todo o conteúdo extra que já falamos, temos também os itens novos que fecham esse ciclo tornando a experiência de jogar Aberration completa e não punitiva. Usando novas matérias prima como Gemas coloridas, gases tóxicos, fungos e outros elementos, podemos confeccionar alguns equipamentos cruciais para a dominação do ambiente aberrante do DLC. 

Tirolesas, asas de planagem e picaretas de escalada ajudam bastante na movimentação entre as fissuras e terrenos drasticamente irregulares e verticais. Do mesmo modo, lanternas de carga, baterias luminosas e varas de brilho são acréscimos muito bem vindos para ajudar na iluminação em locais escuros ou nos períodos mortais da noite. Por sua vez, cestas de pesca e coletores de gases são boas construções para a coleta de recursos úteis ao ambiente de Aberration, enquanto que escadas portáteis e plataformas de penhascos complementam com brilhantismo esses recursos, permitindo a construção de bases em locais até então impossíveis de serem cogitados.


Uma jornada aberrante de primeira

ARK Aberration (Multi) é um ótimo exemplo de como um DLC deve ser: realmente uma expansão do jogo base, com conteúdos extras válidos que dão ao jogador uma experiência inédita baseada em tudo que ele já havia experimentado anteriormente. Com a possibilidade de levar seu personagem de outros mapas para Aberration ou criar um novo, além de servidores oficiais dedicados ao mapa, o conteúdo extra é praticamente um novo jogo dentro de ARK: Survival Evolved.

Isso tudo com um preço mais em conta que constantemente entra em promoções, seja no Steam, na PSN ou na Microsoft Store. Por fim, a história por trás deste DLC é uma continuação direta de Scorched Earth e apresenta a premissa para o DLC que será lançado em novembro, ARK: Extinction, que parece tão promissor quanto Aberration.



Análise produzida com cópia digital obtida pelo próprio redator.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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