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Análise: Zone of the Enders: The 2nd Runner - MARS (PC/PS4) é um remaster aceitável

Versão em HD do jogo de 2003, MARS é uma das criações não tão populares de Kojima que volta em um remaster morno, mas legal.

Que estamos na geração das remasterizações, ninguém mais tem dúvidas. Porém, mesmo que muitas delas sejam forçadas e até desnecessárias, outras são válidas por conta da distância que já estamos dos títulos originais e dos acréscimos interessantes que fazem ao jogo. Esse pode ser o caso de Zone of the Enders: The 2nd Runner - MARS (PC/PS4), game originalmente lançado em 2003 para PS2 e que depois recebeu uma edição em HD para PS3 e XB360.


Mesmo que apresente mecânicas de jogo ultrapassadas e algumas limitações, o jogo é uma boa experiência e tem ótimos acréscimos ao conteúdo original, como o suporte total para a realidade virtual que, mesmo que não surpreenda tanto, pode ser um extra bacana. Vale lembrar, é claro, que os famigerados “remaster” não são o mesmo que os “remakes”, sendo os segundos versões totalmente reformuladas de jogos antigos com os moldes atuais, como foi o caso de Crash N’Sane Trilogy (Multi). Remasterizações são versões bem mais limitadas nesse quesito, apresentando basicamente o suporte à resolução atual e algumas melhorias em controles e visuais. Tendo isso em mente, vamos à nossa análise.


Um anime sci-fi da década de 80?

Zone of the Enders: The 2nd Runner - MARS, assim como o título original, se trata de uma espécie de continuação de Zone of the Enders (PS2), lançado em 2001. A franquia idealizada por Kojima se passa no século XX e, mais precisamente se tratando de 2nd Runner, em 2174. Isso são dois anos após os eventos do primeiro jogo da franquia.

Aqui, temos como protagonista Dingo Egret, um mineiro que encontramos trabalhando em Callisto, uma das luas de Júpiter. Após alguns eventos, ele encontra um chamado Orbital Frame escondido no gelo da lua. Este é Jehuty, uma espécie de mecha controlado internamente no melhor estilo Evangelion de ser. O problema é que encontrar e pilotar este robô gera alguns problemas, como colocá-lo na mira das forças especiais chamadas de BAHRAM, que rapidamente o capturam.



Assim, com algumas figuras conhecidas do primeiro jogo, Dingo é requisitado a se juntar à força especial. Ao recusar a oferta, Dingo é morto pelo líder da organização, porém, revivido dentro de Jehuty. Assim, o super mecha acaba servindo de suporte à vida para o protagonista, que se vê preso ao robô, pois sem ele, morrerá.

Com uma premissa um pouco confusa para quem não está familiarizado com a franquia antiga de Hideo Kojima, o jogo se perde um pouquinho em longas cenas de diálogo que explicam até demais a história. Porém, aqui vale um elogio para o aspecto estético dessas cenas, que lembram bastante um anime de ficção científica antigo, tal como Evangelion ou até Gundam. Essa estética agrada bastante e combina bem com o ar da história.


O mesmo jogo, só que mais rápido

The 2nd Runner já era um jogo não tão longo em sua época, com cerca de 6 horas de jogatina. Nada mudou nessa nova versão, mas a experiência como um todo se tornou mais lapidada. Isso porque, no PlayStation 2, o game de ação não rodava com uma velocidade digna para super máquinas de combate gigantescas que viajam a velocidades supersônicas. Em sua versão remasterizada, a movimentação ficou bem mais rápida e dinâmica.

Ao mesmo tempo em que isso torna a experiência como um todo muito mais interessante, uma vez que a centena de drones que se movimentam em enxames contra o protagonista são bem mais legais, também temos um senso de desafio um pouco maior, uma vez que os combates contra chefes de fase são bem mais rápidos também.



Além disso, o suporte a visual em 4k, com maior taxa de frames por segundo e outras melhorias esperadas para uma versão compatível com o PS4 é bem estabelecida. Mesmo que a versão em HD lançada para a geração anterior seja interessante, a atualização de resoluções para o PS4 pode ser percebida facilmente.

Erros repetidos

Mesmo que algumas atualizações tenham sido bem-vindas, outras se mostraram ausentes, como a melhoria nos controles de movimento do protagonista. Desde o PS2, controlar o gigantesco robô de forma ágil em ações dignas de um hack and slash era bem complicado e nada ergonômico, com usos repetitivos demais para alguns comandos de ataque que chegam a esgotar a mão em determinados momentos.



Isso, infelizmente, permaneceu da mesma forma em MARS, uma vez que os controles continuam desnecessariamente complicados e nada instintivos. Junte a isso um tutorial longo demais e com comandos igualmente complicados e temos uma grande barreira para essa nova versão de Zone of the Enders ser considerada como incrível ou algo parecido.

Nível de desafio muito bom

Felizmente, para compensar os controles problemáticos, temos um nível de desafio bem interessante, seja na versão de realidade virtual ou na tradicional. Mesmo escolhendo a opção “médio” no nível de dificuldade, na segunda hora de jogo já podemos sentir certa pressão por parte do jogo, fazendo com que o jogador tenha já alguma dificuldade para superar de primeira alguns desafios.



Os combates contra os chefes de fase são os mais memoráveis, com lutas ágeis e a necessidade de se utilizar diversos comandos diferentes a fim de vencer os movimentos complexos dos inimigos. Infelizmente isso não é sentido da mesma forma ao longo das fases normais, contra os inimigos comuns. Contra estes a batalha pode se tornar levemente repetitiva, o que pode incomodar alguns.

Claro que esse ritmo de jogo é algo herdado do original e só poderia ser modificado de forma mais direta em um remake, não um remaster. Porém, essa é uma característica que pode fazer a experiência como um todo não ser tão boa, visto que o processo de envelhecimento do jogo não se deu de forma tão boa quanto a outra franquia famosíssima de Kojima. 


A realidade virtual: uma faca de dois gumes

Um excelente ponto de diferenciação entre MARS e sua versão original (ou até a HD) é a inclusão de um modo de realidade virtual compatível com toda a extensão do jogo. É isso mesmo: é possível completar a história de Zone of the Enders: The 2nd Runner - MARS totalmente no VR. Isso é um acréscimo muito interessante de ser feito em um remaster, porém, tem seus defeitos nesse caso.

Para deixar claro, a experiência em VR do título é bem imersiva e nos faz ter uma visão bem diferente do que seria pilotar um mecha gigantesco como o Jehuty. A experiência é divertida e confortável, sem muito espaço para enjoos de movimento ou coisas do tipo, principalmente por conta da movimentação complicada. Entretanto, dois aspectos do jogo não combinaram muito bem com a versão VR dele.



A primeira são as cinemáticas. Estas rodam em um telão de cinema e acabam cortando parte da imersão que a realidade virtual propõe. Se só os vídeos de ação funcionassem dessa forma, talvez isso não fosse um ponto negativo, mas até os diálogos nos quais a cena de conversa se passa justamente dentro dos mechas não foi inserido na realidade virtual, o que deixa a experiência um tanto contraditória nesse aspecto.

O segundo ponto são as batalhas, as quais se tornam um pouco mais confusas quando se está em primeira pessoa. Claro que aqui é uma questão de costume, mas talvez algum mecanismos que possibilitasse um vislumbre externo mais claro do nosso robô em relação aos inimigos resolvesse o problema.


Nem horrível nem ótimo

Zone of the Enders: The 2nd Runner - MARS (PC/PS4) não está entre os melhores jogos da história e pode ser considerado como o “primo pobre” da principal franquia que levou o nome de Kojima ao panteão dos desenvolvedores de games. Porém, nem por isso a experiência é totalmente descartável, uma vez que pode ser uma boa opção para experimentar um jogo bem diferente do que normalmente vemos atualmente no mercado.

Mas como estamos falando de um jogo de 2003, suas limitações de gameplay ainda são percebidas, mesmo que seu visual tenha melhorado bastante. Já a inclusão da realidade virtual é seu ponto mais alto, uma vez que diversifica a experiência e pode ser um bônus muito bacana para quem curtiu o título original lá no PlayStation 2. Claro que não é a melhor adaptação possível, mas existem pontos válidos para, ao menos, experimentar o título mais uma vez. 


Prós

  • Movimentação rápida torna a experiência mais dinâmica;
  • Visual de anime dos anos 80 agrada;
  • História interessante;
  • Nível de desafio instigante;
  • Modo VR deixa a experiência mais imersiva.

Contras

  • Controles desnecessariamente complicados;
  • Experiência com o VR pode ser confusa para alguns;
  • Excesso de explicações pode desagradar;
  • Ritmo de jogo repetitivo.
Zone of the Enders: The 2nd Runner - MARS — PC/PS4 — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Konami.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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