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Análise: PES 2019 (Multi) traz ajustes finos que fazem toda a diferença

Produção da Konami marca um gol de placa para a franquia.


Lançado pela primeira vez na história no mês de agosto, Pro Evolution Soccer 2019 já está em milhões de consoles e desktops espalhados pelo mundo. A expectativa era grande para ver o que a Konami acrescentaria ao gameplay e como faria para lidar com a ausência da Liga dos Campeões, que estará presente no rival FIFA a partir deste ano — lançamento programado para o dia 28 de setembro.


Aqui no Brasil, alguns pré-conceitos, no bom sentido da palavra, são atribuídos à franquia PES. Versões paralelas foram desenvolvidas e se tornaram populares no passado, sendo Bomba Patch a mais famosa, que surgiu no PS2 e circula até hoje. Esta é a responsável pelas modificações mais significativas do jogo, afetando o gameplay e a experiência. Apesar de críticas e reprovações pela jogatina que se tornava esquisita devido aos desenvolvimentos ilegais, seu sucesso foi tão grande que era raro ver nas casas a versão oficial da franquia, o que significa que nem todos tinham contato com um PES totalmente limpo, sem alterações.

Por outro lado, FIFA progredia sem modificações ilegais nos lares dos jogadores, da mesma forma como era lançado, pois o jogo já vinha com times brasileiros licenciados e narração brasileira de Nivaldo Prieto e PVC, dois fatores que não haviam em Pro Evolution Soccer naqueles tempos. Na hora de comparar a jogatina, as versões paralelas de PES sujavam o nome da franquia com lances bizarros, narrações dantescas e jogo acelerado, enquanto FIFA tinha um ar mais sério.

Cada franquia atraiu fãs e essa briga saudável se estende até hoje. Isso significa que a cada período próximo ao lançamento de uma nova edição de um desses jogos, a curiosidade é significativa. Então vejamos como está PES 2019, o lançamento mais recente da Konami e que promete algumas mudanças significativas em relação ao seu antecessor.

Primeiras impressões

Pro Evolution Soccer 2019 está mais veloz. Essa alteração é perceptível assim que a bola rola por aqueles que usufruíram da versão 2018. A adaptação ao jogo mais lento, inclusive, foi bem difícil há um ano, e agora outra readaptação se fez necessária. Para os mais íntimos, a rapidez desta nova versão é comparável ao ajuste +1 de velocidade de seu antecessor. Durante a análise, foi preciso ajustar para -1 por alguns minutos a fim de entender brevemente o comportamento dos jogadores em campo, para então retornar ao ajuste original.

Analisando justamente a mecânica dos atletas, percebemos um jogo muito mais fluido sem ser exageradamente acelerado como nas versões paralelas da franquia para PlayStation 2. Os movimentos individuais padrões dos jogadores foram ajustados para execução de estratégias com maior precisão e se tornaram essenciais para a proposta de um jogo mais rápido. Aqui, até mesmo a substituição pode ser feita sem pausar, basta apertar “Select” no Xbox One ou o lado esquerdo do touchpad do PS4 que uma pequena janela de trocas aparece.



No nível “Estrela” de dificuldade, esse fator é ainda mais agudo, e os jogadores adversários correm desesperadamente atrás da bola, fazendo pressão com um ou dois jogadores quando você estiver ainda no campo de defesa. É claro que isso é bem relativo, pois clubes mais fracos optam por estratégias mais defensivas, no entanto, a marcação veloz é uma das características do jogo e que estará presente em todos os times que você for enfrentar.

Gameplay — o que não mudou

Algumas coisas se mantiveram e outras foram alteradas. Duas jogadas muito comuns em PES 2018 eram o Domínio Falso (em que se você soltasse todos os botões e segurasse apenas o de pique/corrida ao receber a bola, o jogador deixaria a bola passar para pegá-la mais à frente) e a que não tem nome, mas que eu chamo de “centro-avante toca a bola para trás e corre para receber lá na frente por cobertura”. Essa definição é autoexplicativa, não é?

Essas duas estratégias funcionavam bem tanto para o player como para a máquina, e foram mantidas em PES 2019. Lançar de volta para o atacante, no entanto, se tornou mais fácil devido a algum aprimoramento na inteligência artificial, que se tornou mais “consciente” a respeito de para quem gostaríamos de tocar. Nada revolucionário, mas está melhor.

A arbitragem continua contestável. Começando pelos critérios, eles estão ainda mais confusos e o juiz bem mais presente — de uma forma negativa. Desarmes de frente são interpretados como falta se a ponta da chuteira do seu jogador encostar no pé do adversário. A adição da “cama de gato”, movimento irregular em que um jogador desloca o outro quando este está no ar devido a um pulo, permanece inconsistente e é equivocadamente interpretada pela inteligência artificial.

Se o seu jogador sofrer uma falta e o companheiro do mesmo time pegar a bola e der continuidade à jogada, o juiz aplica a lei da vantagem e isso é perfeitamente válido. Mas a Konami ainda não adicionou o tão desejado botão de escolha pela marcação da infração ao invés de usufruir da continuação do lance. Isso deveria existir porque a inteligência artificial do árbitro nunca foi capaz de perceber que marcar um tiro livre direto na entrada da área é sempre mais vantajoso se o time adversário está totalmente recuado com a defesa a postos.

Ainda falando sobre a lei da vantagem, se você jogar nos níveis mais altos de dificuldade os jogadores adversários aplicam muitos carrinhos e jogadas mais fortes, sendo bem precisos nos desarmes. Desde PES 2016, quando você pressiona o botão de chute, pelo menos dois zagueiros surgem do além e dão carrinhos cruzados em uma tentativa heroica de salvar a equipe. Isso frequentemente leva a faltas gravíssimas que não são marcadas simplesmente porque a bola já está à caminho do gol e, consequentemente, fora da posse do seu atacante. Eu chamo esse fenômeno de “infração pós-chute” e, infelizmente, permanece em PES 2019.

Gameplay — o que mudou


Quando o goleiro adversário vai cobrar um tiro de meta, ele é mais dinâmico e frequentemente avança o time. Esse era um comando possível nos jogos anteriores, mas somente o player usufruía. Desde as últimas três ou quatro versões, os goleiros adversários cobravam tiros de meta curtos, a não ser que você fizesse uma marcação alta, já nos zagueiros. Era fácil perceber esse padrão e marcar o primeiro zagueiro depois do goleiro iniciar o movimento de toque. A bola chegava redondinha no pé do seu atacante de referência, nos salvando de muitas derrotas. A falha foi corrigida e a cobrança curta de tiro de meta se tornou rara em PES 2019.

Se você segurar o botão de passe e o de corrida juntos, seu jogador irá correr desesperadamente atrás de quem está com a bola. Se você soltar o botão da corrida assim que ele se aproximar do adversário, ele mudará de atitude e fará o movimento de cobertura. Inclinará o corpo sob próprio eixo e acompanhará o jogador que está com a bola de forma que o impeça de atacar, dando a você maior exatidão nos desarmes de linha de fundo. Isso surgiu no PES 2013 e acabou se perdendo ou se tornando impreciso nas versões seguintes, mas agora vive e passa bem.

As formações avançadas do seu oponente agora são mostradas no início do jogo e quando ele faz alguma alteração. Por mais que isso seja favorável a quem está jogando, julgo ser uma vantagem injusta e inapropriada. Desde a última versão, PES passou a contar com a dificuldade dinâmica, que na prática significa que se você estiver atacando demais pelas pontas, após o intervalo — ou até mesmo antes, em alguns casos — o time adversário voltará com marcação dedicada às laterais e uma nova estratégia baseada no que foi o primeiro tempo. Isso fez com que houvesse viradas históricas no segundo tempo e você ficasse arrependido por não fazer determinada mudança.

Depois de levar três gols seguidos e o jogo “virar passeio” como diz Galvão Bueno, você dava pausa imediatamente, acessava o plano de jogo e via que o time adversário alterou os meias de ligação para meia-atacantes e os trocou de lado, bagunçando a marcação individual que você determinou. Além disso, eles montavam alguma formação avançada que você não sabia qual era, o que te forçava a observar a movimentação dos jogadores rivais para ver se estão jogando com “Rotação de Alas” ou “Falso Ala”.

Agora, em PES 2019, essa mudança é avisada na tela como uma notificação do Facebook, lhe dizendo que é hora de alterar sua equipe também. De certa forma, a dificuldade dinâmica se tornou inútil, pois nenhum técnico grita para o outro “ei, vou jogar com meus laterais mais avançados no segundo tempo, melhor você reforçar seu meio de campo”.

Detalhes minuciosos

A física da bola sofreu uma alteração fundamental: mudança de trajetória caso quique rolando. Isso é um pouco difícil de descrever sem se tornar redundante ou criar pleonasmos, mas imagine que um zagueiro afasta a bola com um chutão. Durante o “voo”, ela atinge uma velocidade de rotação bem alta. Assim que atingir o chão novamente, estará girando tão depressa que mudará de direção. Isso sempre aconteceu até mesmo nas peladas com os amigos, e acho louvável que esteja presente a partir de agora.

Quando você está cara a cara com o goleiro e faz aquela finalização magistral por cobertura que impossibilita o oponente fazer qualquer coisa que possa impedir o gol, seu atacante já começa a comemorar antes da redonda entrar. Isso acontece porque o sistema calcula as possibilidades de algum jogador interceptar, o goleiro defender, a bola ir na trave ou ir para fora. Caso todas elas sejam 0, inevitavelmente será gol e seu atacante corre para a galera.

Esse evento surgiu em PES 2013 com alguns bugs engraçados — como o jogador cobrar o pênalti, correr pro abraço e o goleiro defender — mas hoje funciona bem e está presente na nova versão. E a tecnologia de cálculos de probabilidade foi aplicada às linhas de fundo e de lateral em PES 2019, o que significa que alguns jogadores não irão correr atrás de bola perdida. Se ela está rápida demais e vai sair de qualquer jeito, o sistema realiza o cálculo, determina que nada é capaz de impedir isso, e faz com que alguns jogadores parem de correr. Em contrapartida, se houver a possibilidade da bola se manter em jogo desde que o jogador próximo se estique e dê um carrinho, ele o fará por você (coisa que já existe no FIFA desde os tempos de PS2).

Ainda falando de movimentação de jogadores, agora, eles iniciam a movimentação do chute muito antes de a bola chegar, preparando o corpo para deixá-lo devidamente equilibrado e pronto para executar uma finalização do jeito que a mente manda. Também acontece em cabeceios. São esses fatores responsáveis por deixar o jogo mais fluido como dito anteriormente.

Campeonatos e licenças

Cutucando a ferida da Konami, falemos a respeito das licenças, cuja pauta inicial não pode ser outra a não ser a ausência da UEFA Champions League, da UEFA Europa League e da UEFA Super Cup a partir desta versão. Após dez anos (PES 2009 — PES 2018), as principais competições da Europa marcarão presença na franquia FIFA a partir de agora, obrigando a Konami a alterar um pouco a sua estratégia.

As versões fictícias são Taça de Clubes da Europa para a Liga dos Campeões, Copa Masters Europa para a Liga Europa e o já conhecido Torneio Sul-Americano que substituiu da Libertadores da América desde PES 2017. O layout das duas competições europeias contam com as cores tradicionais, o azul para a Taça de Clubes e o laranja para a Copa Masters. Ambas possuem uma trilha sonora exclusiva e épica de um tímido coral de vozes.

Se houve a perda dessas duas competições, grande número de licenças de ligas nacionais desembarcaram em PES 2019. São elas: belga, dinamarquesa, portuguesa, russa, escocesa, suíça, turca, argentina e chilena, juntando-se à já presente brasileira — sendo que a liga tailandesa será acrescentada posteriormente através de atualização. A International Champions Cup, torneio de pré-temporada que acontece na Ásia, também chegou licenciada nesta nova versão do jogo, mas em estádios aleatórios já que o único estádio asiático de PES é o Saitama Stadium 2002.

Visual



Pro Evolution Soccer 2019 está visualmente mais polido. Os detalhes que antes eram vistos apenas de perto agora podem ser percebidos durante a gameplay, o que deixa o jogo mais vivo. O cabelo grande do jogador balança, a rede tem um movimento mais natural e a iluminação do jogo teve uma atenção especial. É possível ver a iluminação dos refletores no gramado, os reflexos nas camisas dos jogadores e a dispersão da luz na arquibancada, fator já existente em PES 2018, mas que foi mais trabalhado para a versão atual.

A visão geral do gramado durante o jogo também recebeu uma atenção. Em partidas durante o dia, o gramado de alguns estádios ficavam levemente amarelados sob a ação do sol em PES 2018 e felizmente esse foi um ponto trabalhado. O visual de partidas diurnas está mais natural e parecido com transmissões reais.

Finalmente, houve a melhoria esperada — mas significativa — nos detalhes apreciados através do replay. Jogadores de games de futebol têm a cultura de pausar o jogo e acessar a repetição para verificar quão parecido determinado atleta está com a vida real. Nessas verificações, podemos apreciar as expressões faciais, o suor escorrendo pelo rosto e a sujeira do campo na face de alguns jogadores, principalmente entre aqueles que sofrem faltas e, portanto, têm contato mais frequente com o chão.

Conclusão


Quando soube que a Liga dos Campeões não estaria em PES 2019, decidi que não jogaria o jogo com tanta frequência. No entanto, após ver de perto a evolução que o título apresenta em relação ao seu antecessor, principalmente referente ao grande número de ligas licenciadas que agregarão possibilidades bem maiores nos modos Master League e Rumo ao Estrelato, essa opinião mudou quase que imediatamente.

A gameplay mais fluída, inteligência artificial melhorada que entende melhor seus comandos e — repetindo — mais times para jogar e apreciar, tornam a experiência ao jogar PES 2019 melhor. O multiplayer local garante bem a diversão tanto para os que se importam apenas com "correr e chutar" quanto aos que admiram estratégias e são pacientes para deixar sua equipe perfeitamente alinhada com o estilo preferido de jogar. PES 2019 é um grande lançamento para a franquia da Konami.


Prós

  • Movimentação fluida dos jogadores, que melhora a experiência de jogo;
  • Onze ligas nacionais licenciadas, mais outras quatro fictícias, dão variedade à Master Liga e ao Rumo ao Estrelato;
  • Detalhes Minuciosos;
  • Goleiros mais eficientes.

Contras

  • Arbitragem falha;
  • Ausência da Champions League e Europa League.
Pro Evolution Soccer 2019 — PS4/XBO/PC — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Análise produzida com cópia digital cedida pela Konami
Gunnar Santos produz conteúdo gamer para a WEB desde os 12 anos de idade. Criou diversos blogs, fóruns e canais no YouTube com a temática de jogos, que o fizeram escolher o Jornalismo de Games como profissão. É apaixonado pelo universo de Resident Evil e espera ansiosamente pela oportunidade de disputar um campeonato oficial de PES.

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