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Análise: Golem (PC) mistura puzzles inteligentes com ritmo de jogo cansativo

Lançado em maio, o novo jogo da Longbow Games tem ótimos enigmas e uso da inteligência, mas sem um ritmo muito atrativo.


Jogos de puzzle são um nicho bem peculiar de games atualmente. Isso porque o gênero se solidificou muito mais como um recurso dentro de jogos maiores do que um estilo indidivual de jogo. Assim, cada vez mais são raros os games única e exclusivamente focados nisso. Alguns dos mais famosos são aqueles que se preocupam em manter os jogadores em um ritmo acelerado, como Keep Talking and Nobody Explodes (Multi) e Statik (PSVR). Porém, esse não é exatamente o caso de Golem (PC).


Com uma premissa interessante e um tom artístico muito convidativo, Golem surpreende pelo uso do espaço e complexidade de suas fases. Mas peca em seu ritmo, o que torna a experiência bastante monótona numa época onde cada vez mais os jogadores precisam ser convencidos de jogar o seu jogo e não os 500 outros lançados nas plataformas online todos os dias.


Aprendizado orgânico

O início do jogo é totalmente intuitivo. Com o enredo contado bem superficialmente através de imagens, rapidamente somos colocados em uma fase introdutória que, no melhor estilo “faça você mesmo”, te ensina as mecânicas básicas do jogo. Claro que estas não são exatamente muito complexas, uma vez que a maior parte dos comandos é baseado em movimentos do mouse e nas setas direcionais do teclado. Porém, a forma como tudo é apresentado ao jogador é excelente.

Na história que serve como “pano de fundo” para a jogatina, a jovem garota controlada por nós é responsável por buscar água para a sua aldeia num mundo fantástico e, aparentemente, pós-apocalíptico. Em uma de suas explorações, a garota encontra uma misteriosa esfera que reage ao lugar onde ela está e serve de chave para vários mecanismos funcionarem.



Assim, seguimos em uma jornada de curiosidade e inteligência com a garota e seu companheiro mecânico que, ao longo do caminho, começa a evoluir e se transformar paulatinamente. A história não chega a ser interessante o suficiente para guiar a aventura, mas serve bem como ambientação para tudo acontecer. Assim, o convite a jogar Golem se apoia bem mais nas mecânicas de jogo.

Visual belo com trilha sonora melhor ainda

Um dos pontos mais altos de Golem é o seu visual. Com ótimas texturas e uma identidade própria bem agradável, as fases muito bem construídas do jogo permitem ao jogador tanto quebrar a cabeça para entender como cada coisa se liga, como também ter uma apreciação muito boa de tudo ali. Desde as pinturas e desenhos característicos nas paredes até os grandiosos mecanismos que fazem parte da jogatina.



Tudo ali parece fazer parte de um complexo quadro interativo onde algumas peças até inesperadas são passíveis de interação, permitindo um aprendizado exploratório que justifica a jogatina. Porém, como dito anteriormente, é um teste de paciência constante. Felizmente, no início de agosto, uma atualização do jogo foi lançada para permitir controles por gamepad. Entretanto, mesmo que isso remedie um pouco o principal problema do jogo, ainda não o resolve completamente.

A trilha sonora, por sua vez, é tão fantástica como o visual e combina bem com este. Os tons calmos e contemplativos podem não ser um bom “tempero” para a movimentação, ajudando um pouco com a monotonia, porém, encaixam-se como uma luva com o visual do jogo e a ideia contemplativa que a maior parte das 10 fases possuem.


Paciência e inteligência

Como um jogo focado em testar sua inteligência, Golem (PC) faz até muito bem o seu trabalho. Porém, tem seus problemas na hora de convidar o jogador a jogá-lo. Isso por conta de um ritmo lento demais com movimentações desnecessariamente travadas. Entretanto, nem tudo são erros no jogo, o qual apresenta um percurso de aprendizado muito bom, desafios inteligentes e visual muito agradável.

Assim, para reconhecer o valor de Golem, é preciso bastante paciência. A pressa, além de ser um potencial ruído para entender alguns puzzles, pode também obstruir a visão do jogador para os aspectos positivos do game. Num mundo cada vez mais acelerado, um jogo assim pode não ser visto como positivo para a maioria. Entretanto, entre erros e acertos, Golem tem o seu valor.


Prós

  • Visual agradável e contemplativo;
  • Trilha sonora muito boa;
  • Puzzles inteligentes e desafiadores;
  • Level design bem construído;
  • Mecânicas de evolução do Golem ajudam na dinâmica do jogo;
  • Aprendizado orgânico bem estabelecido.

Contras

  • Controles limitados demais;
  • Movimentação muito lenta causa monotonia;
  • Poucos aspectos convidativos para se jogar.
Golem — PC — Nota: 6.5
Análise produzida com cópia digital cedida pela Longbow Games
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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