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Análise: Super Bomberman R (Multi) não é nada bombástico, mas diverte

Personagens de diversos jogos da Konami são uma surpresa bem vinda, mas uma das poucas surpresas do título.


Não recebemos um jogo físico de Bomberman há quase 10 anos — o último título foi Bomberman 2 para o Nintendo DS, jogo que nem chegou às Américas. Ainda tivemos alguns títulos digitais até 2010, mas depois do fechamento da Hudson Soft o destino da franquia ficou incerto.


Isto é, até que ano passado a Konami decidiu reviver o nosso querido robô-bombardeiro em Super Bomberman R (Multi), bem a tempo para o lançamento do Nintendo Switch. Ao longo do último ano, o título recebeu diversos ajustes e finalmente embarca nos demais consoles em sua versão mais polida. Será que este título tem o que precisa para trazer Bomberman de volta ao estrelato?

Caos total

Há uma certa magia no multiplayer caótico de Bomberman, onde qualquer errinho seu pode lhe custar a vida (no jogo, claro). Felizmente a essência do jogo foi preservada nesse novo capítulo da série. O jogo permite batalhas entre até 4 jogadores locais ou oito no online e os comandos continuam super simples.

Em qualquer um dos modos, as suas ações se limitam a andar pelo cenário e posicionar cuidadosamente bombas para tentar destruir seus adversários. Ao destruir blocos no campo você também consegue power ups, que além de melhorarem seus atributos podem conceder habilidades extras, como poder chutar bombas ou até bombas especiais, o que traz variedade às partidas. Usando personagens convidados inspirados em outras franquias da Konami, como o Belmont Bomber, você tem acesso a uma habilidade especial que adiciona uma camada de estratégia ao jogo.

O chicote de Simon Belmont Bomber pode te salvar de apuros


Os humilhados serão exaltados

As partidas se tornam ainda mais dinâmica com a adição dos blocos de pressão e do modo vingança. Os blocos de pressão funcionam de maneira similar ao sudden death, no Super Smash Bros. Ultimate (Switch). Quando falta apenas um minuto para o final da partida, blocos espinhentos caem do céu nas bordas do campo reduzindo cada vez mais o tabuleiro. Isso acaba forçando que os jogadores restantes compitam por espaço e se enfrentem mais diretamente.

No modo vingança — que já apareceu em outros jogos recentes da franquia — quando alguma pessoa é derrotada, ao invés de sumir de vez, ela passa a rondar o campo podendo jogar bombas em quem sobrou para se vingar. Se alguém for pego na explosão, o vingador volta ao jogo e sua vítima toma seu lugar. Esse modo promove ainda mais competitividade e tensão, fazendo com que o jogo realmente só acabe para todos quando restar um jogador na arena.
De fora do estádio, os derrotados tem uma nova chance como num jogo de queimado

O jogo traz também customização das partidas numa tentativa de adicionar variedade à jogabilidade. A ideia funciona, mas veteranos da série podem ficar um pouco desapontados. As opções são bastante restritas quando comparadas a outros jogos recentes, como Bomberman Live: Battlefest (XBLA) de 2010, que custava muito menos e oferecia muito mais.

Um universo de clichês

Outra novidade do game é seu modo história que se esforça em trazer uma nova personalidade a cada um dos oito irmãos Bomberman. Temos o clássico personagem dorminhoco, o garanhão, a menininha medrosa, a menina destemida, dentre outros clichês preguiçosos. Todos são dublados em inglês e trazem características rasas, que não passam de estereótipos mal trabalhados, mas que funcionam no contexto despretensioso do jogo.

Os primeiros capítulos trazem um enredo fraco e consevador, cheio de esteriótipos
A história é dividida em seis capítulos e serve apenas de pretexto para amarrar tematicamente as missões do jogo. Cinco desses capítulos contam a história de um mal intergalático que ameaça toda a vida no universo. O enredo, apesar de pouco original, é bem escrito e conta com umas poucas reviravoltas que adicionam alguma profundidade aos acontecimentos. O problema é o ar presunçoso que destoa com o resto do game.

Já o sexto capítulo é uma história contida e despretensiosa sobre uma invasão de animais domésticos fofinhos que ficaram agressivos por motivos desconhecidos. O enredo consegue combinar coisas supérfluas, como pets da moda, com conceitos complexos, como controle de demanda, com tanta naturalidade e irreverência que revela o potencial narrativo inexplorado do game. A impressão que fica é que o modo história seria bem mais interessante se o jogo fosse pensado como uma antologia, mostrando diversos momentos da vida dos Bomberman em seu planeta natal.

O Mundo 7 mostra o poder de uma história simples, mas bem contada

Tudo meio médio

As missões em si alternam entre cinco objetivos — derrotar todos os inimigos, encontrar chaves, pressionar botões escondidos pela fase, sobreviver a uma horda de monstros e resgatar civis — oferecendo uma experiência ligeiramente diferente ao modo multiplayer. Os modos parecem bem diferentes entre si e a inteligência artificial acaba tornando as coisas verdadeiramente desafiadoras.

Cada mundo é composto por nove fases e uma luta contra chefe. Os chefes são divertidos, em geral, mas nada memoráveis. Todos seguem o mesmo padrão para serem derrotados e seus mapas vazios são uma oportunidade perdida. As fases, por sua vez, são diferentes versões de cada mapa inicial do multiplayer. O aproveitamento acaba sendo apenas estético, visto que raramente as mecânicas especiais de cada mapa são utilizadas de alguma maneira relevante.

Os chefes trazem escolhas interessantes de design, mas são derrotados do mesmo jeito


Falando na estética, o jogo apresenta um grande problema ao tentar adotar um visual mais realista, mas sem esforço algum na qualidade do que é apresentado. Os gráficos são bastante datados e parecem algo que eu veria em jogos digitais do início da geração passada. A falta de apelo fica ainda mais evidente em contraste a animação de primeira qualidade das cutscenes cheias de cor e bastante expressivas.

A impressão que fica ao jogar Super Bomberman R é que apesar de todos os elementos esperados de um jogo da franquia estarem aqui, faltou um certo capricho. O game faz tudo que precisa, mas não faz nada disso particularmente bem. Um dos principais problemas é a expectativa causada pelo preço elevado do jogo. Seria um jogo perfeitamente aceitável se fosse um indie baratinho, mas pelo preço cobrado esperava ver alguma evolução da franquia. Infelizmente fica claro que a fórmula está estagnada e que ainda esperamos um Bomberman que leve a franquia a uma nova era.

Prós

  • Multiplayer clássico continua divertido e mais dinâmico;
  • Personagens convidados de outros jogos da Konami adicionam estratégia as batalhas;
  • Direção de arte das cutscenes caprichada.

Contras

  • Pouquíssimos elementos novos que justifiquem a existência do jogo;
  • Costumização limitada torna o multiplayer enjoativo;
  • Enredo simplista que abusa de clichês preguiçosos;
  • Gráficos datados;
Super Bomberman R — PC/PS4/XBO/Switch— Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS4 
Revisado por: Diogo Mendes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Konami
Gabriel Mattos faz joguinhos na UFRJ, quando deveria estar estudando Computação. Estuda computação, quando deveria estar escrevendo. Escreve, quando deveria estar dormindo e não dorme, porque fica sempre no Twitter. Também pode ser encontrado noInstagram.

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