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Reinterpretando a história: dez games ambientados no Japão Antigo

Embalados por Ghost of Tsushima e Sekiro: Shadows Die Twice, montamos uma lista com games de temática similar para que possamos manter calmas essas nossas expectativas.


Nesta última E3, dois dos destaques apresentados nas conferências da Microsoft e da Sony são ambientados no Japão antigo, quando os Samurais eram os principais guerreiros deste longínquo arquipélago do oriente. Sekiro: Shadows Die Twice é o novo game da From Software, a mente por trás de Dark Souls (Multi) e Bloodborne (PS4), indicando que ele provavelmente será um souls-like de dificuldade acentuada como os já citados.


Ghost of Tsushima, por sua vez, é o novo jogo da Sucker Punch Studios (da série Infamous) que promete ser uma carta de amor aos filmes de Akira Kurosawa, de acordo com o diretor de animação do game, Billy Harper, em declaração ao PlayStation Blog. Em um mundo aberto, o jogador é um samurai que vaga pelo Japão no ano de 1274, durante o período da primeira invasão mongol no país.

Sekiro está previsto para ser lançado no ano que vem, enquanto Ghost of Tsushima não tem janela de lançamento delimitada, embora uma demo jogável já estivesse disponível na E3 para teste. Enquanto tais jogos não chegam no mercado, fizemos uma seleção de dez jogos ou séries que se situam no Japão antigo e podem controlar um pouco essa expectativa por um novo jogo com tal temática. Os títulos não dizem respeito ao Japão feudal apenas, incluindo também alguns do período Meiji, por exemplo. Outros, por sua vez, trazem uma ideia mais mitológica ou ainda são uma ousada desconstrução da ideia. Vamos conferir?

Afro Samurai

Baseado num doujin, isto é, num mangá publicado de forma autônoma como uma fanzine, o sucesso de Afro Samurai foi grande o suficiente a ponto de ser adaptado em filme e em um game também. Característico por promover um choque de elementos ocidentais e orientais em uma mesma obra — similar a Kill Bill — a história de Afro se passa num Japão feudal com uma pegada meio punk e futurística.

O jogo, lançado para X360 e PlayStation, o título se trata de um hack and slash que diverte aqueles que querem uma diversão descompromissada, visto que ele conta com uma duração digna de jogo de locadora — umas sete ou oito horas —, além de alguns problemas técnicos, como a câmera burra. Ainda assim, vale arriscar por conta da atmosfera trazida por ele, se estiver interessado em algo esteticamente diferente.


Samurai Shodown

Chamada originalmente de Samurai Spirits, a clássica série da SNK causou furor em seu lançamento por conta da violência explícita, algo não tão comum nos videogames de sua época. A narrativa varia entre os séculos XVIII e XIV, durante o período Edo, quando o Japão era dominado pela dinastia Tokugawa, que impôs um regime de isolamento e ninguém poderia haver trânsito de entrada ou saída no país.

Enquanto Afro Samurai é uma combinação de símbolos da cultura ocidental e oriental, Samurai Shodown preza pela tradição, trazendo elementos exclusivamente japoneses na construção da temática do título. O seu ritmo intenso e acelerado prezava pela utilização de ataques rápidos e letais em vez da construção de combos, servindo exatamente como contraponto à série Street Fighter, uma vez que foi quando a SNK viu que não tinha como competir com a gigante da Capcom.

Ao todo, foram cinco títulos numerados da série em 2D original espalhados por diversas plataformas, mais quatro de uma série paralela em visual tridimensional todos para Arcade, com exceção de Warrior’s Rage, para PlayStation. Há também um RPG para o NEOGEO-CD (posteriormente portado para PS e Saturn) e uma coletânea lançada para PS2, Wii e PSP.

Okami

Propriedade da Capcom, Okami é um título clássico desenvolvido pela Clover Studios, antecessora moral da que hoje é conhecida como PlatinumGames. Utilizando um visual num estilo estético que mescla uma série de movimentos artísticos japoneses, o título segue um viés muito mais fantástico, trazendo narrativas da mitologia clássica do país e transformando-a na história principal do jogo.

O principal atrativo do game, por sua vez, é a habilidade do jogador em controlar um pincel mágico capaz de realizar uma série de funções de acordo com o desenho na tela, como explodir coisas ao fazer um esboço de uma bomba ou cortar inimigos e outros elementos cenários ao traçar um risco simples. O título foi lançado originalmente para PlayStation 2 e Wii, com uma edição em HD para PlayStation 3, PlayStation 4 e PC, além de ser prevista uma versão para o Switch.

Poucos lembram também, mas uma sequência intitulada Okamiden foi lançada para o Nintendo DS em 2010 (2011 no ocidente), ao fim da vida de mercado do aparelho. Apesar das vendas consideravelmente boas e de ter sido elogiado na época pelo fato de a tela tátil do console ter casado muito bem com a proposta do título, o jogo não repercutiu da mesma forma que sua versão original, que continua colhendo os louros de seu sucesso até hoje.


Muramasa: The Demon Blade

Muramassa é um sidescroller frenético em hack and slash desenvolvido pela Vanillaware para Wii e portado posteriormente para PlayStation Vita com o nome de Muramasa Rebirth. O jogo conta duas linhas de história principal, protagonizadas pelo ninja Kisuke e a princesa Momohime. Enquanto o ninja, amnésico, parte por uma jornada para descobrir sobre quem é, a princesa viaja pelo Japão atrás de uma forma de recuperar uma forma de trazer de volta o corpo do espírito que eventualmente possui seu corpo.

Um dos principais atrativos do título é o sistema de evolução de espadas. Ao derrotar inimigos, os personagens coletam certo número de almas que podem ser usadas para liberar novos sabres — cada vez mais fortes e com técnicas especiais diferenciadas — em uma árvore. Cada personagem tem a sua própria, mas algumas ramificações acabam se cruzando da mesma forma que a narrativa, fazendo com que certas espadas especiais sejam em comum para ambos os personagens.

A direção de arte com ilustrações à mão e a trilha sonora que muito lembra a de Samurai Shodown também merecem destaque, além do sistema de combate refinado. Certamente uma das pérolas, tanto do Wii, em meio aos seus jogos promocionais infantis, quanto do Vita, que carece de uma biblioteca de games vasta.


Samurai Warriors/Sengoku Basara

Derivado da série Dinasty Warriors — de temática chinesa — Sengoku Warriors pertence a um estilo chamado musou, que envolve controlar um personagem por um mapa e dilacerar casualmente os inimigos na tela enquanto cumpre algumas missões dadas pelo jogo, como vencer os chefes, impedir que certos inimigos cruzem o mapa ou simplesmente conquistar as bases para dominar o território em questão. A série acompanha o período Sengoku do Japão, que aconteceu paralelamente à Idade Média europeia, e era marcado por instabilidade política, cheia de guerras e intrigas.     

A Capcom também segue numa veia similar — embora não possa ser chamada formalmente de Musou por ser marca registrada da Koei Tecmo — com Sengoku Basara. A diferença principal em ambos os títulos é a função do jogador. No caso de Warriors, a proposta é de batalhas complexas e amplas em que outras unidades acabam realizando ações que podem mudar o curso da batalha, enquanto Basara segue uma veia mais simplista ao centralizar todos os acontecimentos no protagonista, além de personagens bem mais caricatos e flamboyant.

A questão central a ser entendida é que dilacerar hordas de inimigos é sempre divertido, mas a sugestão aqui é pensar bem se você consegue fazer isso por horas a fio de maneira repetitiva, considerando que a ideia por trás do estilo de ambos é praticamente essa. 


Tenchu

Tenchu é uma série de stealth protagonizada pelos ninjas Rikimaru e Ayame, ambos membros do clã Azuma. O objetivo é avançar por diversas fases sem ser detectado pelos inimigos. Para isso, uma série de técnicas e formas podem ser usadas no intuito de completar as missões, como venenos, estrelas-ninja e bombas de fumaça, caso o jogador seja detectado. Há também combate, mas a dificuldade dos mesmos — que alguns, com certa razão, chamarão de gameplay ruim — acaba servindo de mensagem de desestímulo para tal, considerando a natureza furtiva da série.

Tenchu recebeu quatro títulos principais entre 1998 e 2008: Stealth Assassin’s (PS), Birth of the Stealth Assassin’s (PS), Wrath of Heaven (PS2/XB) e Shadow Assassins (PSP/Wii), além de alguns spin-offs

Onimusha

Uma das séries mais populares da Capcom na primeira década do século XXI, Onimusha conta a história do Japão feudal, também no período Sengoku. No entanto, o elemento sobrenatural foi envolvido na história no intuito de trazer maior apelo comercial para o mercado de videogame.

A aventura com um gameplay que equilibra momentos de ação propiciados pelos combates e quebra-cabeça recebeu quatro títulos na série principal, todos para PlayStation 2 e lançados entre 2001 e 2006, dentre alguns spin-offs.

Apesar de não receber mais lançamentos — principalmente pelo motivo de ter sido planejado como uma trilogia e ainda ter recebido um extra praticamente de bônus por conta de sua popularidade —, a franquia ainda é exemplo até hoje para jogos de ação ao mesclar qualidade na jogabilidade e uma história envolvente.

Nioh

Talvez o que tem o estilo mais próximo de Sekiro e Ghost of Tsushima, Nioh foi baseado em um roteiro não finalizado de Akira Kurosawa e conta a história de um samurai estrangeiro chamado William Adams — que existiu na vida real, mesmo que o jogo tenha tomado sua liberdade poética ao implementar uma série de elementos sobrenaturais, como os Yokai — demônios japoneses — que têm a função de antagonistas no título.

Desenvolvido pelo Team Ninja (responsável por Ninja Gaiden), Nioh recebeu elogios por trazer um sistema de combate profundo, intenso e envolvente — mesmo que refém de uma insistente comparação com a série Dark Souls que a indústria de games moderna insiste em trazer à tona para todos os títulos vagamente similares no estilo.


Ganbare Goemon

Ganbare Goemon é uma série de jogos pertencente à Konami e praticamente exclusiva do mercado oriental. Tendo como protagonista o tal Goemon — um ninja honrado cuja personalidade vai sendo amenizada ao longo dos mais de vinte — Ganbare Goemon não foi trazido para o ocidente por conter referências japonesas específicas demais, pouco atrativas para um mercado ocidental, como um senso de humor peculiar. Se tiver interesse em algo mais exótico, Goemon com certeza propiciará uma experiência curiosa por conta do seu humor maluco e variedade do gênero de gameplay.


E aí? Gosta de algum desses em particular? Quer fazer a sua sugestão? Participe nos comentários!
João Pedro Boaventura é jornalista formado pelo Mackenzie e pós-graduado em teoria da comunicação (como se isso significasse alguma coisa) pela Cásper Líbero. Não perde a chance de usar conceitos acadêmicos para discutir sobre videogame. Se você realmente gosta das groselhas que ele escreve, pode ler mais um pouco de suas asneiras em seu blog particular.

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