A evolução dos jogos de futebol nos videogames (parte 1)

Estamos em clima de Copa do Mundo e um dos esportes mais queridos sempre esteve presente nos videogames desde o começo de tudo.



O jogo com a bola é milenar, existindo registro dele desde a civilização Maia. A reinvenção do futebol pelos ingleses, com as regras que temos hoje, transformou o esporte num dos mais populares do mundo, então não é a toa que este amado jogo também venha acompanhando todo o avançar tecnológico dos videogames.



Agora, em pleno andamento de Copa do Mundo, iremos acompanhar essa evolução. Como surgiu o primeiro jogo de videogame baseado no esporte bretão e como eles, atualmente, se tornaram verdadeiros simuladores virtuais, capazes até de nos confundir com uma partida real quando passa um jogo na tela de nossas casas.

Magnavox Odyssey

O primeiro console do mundo já vinha com seu jogo de futebol. Podemos dizer, então, que o Soccer para o Magnavox Odyssey de 1972 foi o primeiro game do esporte feito para os consoles caseiros. Como o Odyssey era um console muito rudimentar, os gráficos do Soccer eram igualmente rudimentares, pré-históricos, eu diria.


O jogo não passava de dois quadrados grandes na tela representando os jogadores e um menor representando a bola. Lembrava muito mais um Pong do que um futebol. Para compensar o baixíssimo nível gráfico, junto com o jogo, vinha uma tela colorida translúcida para colocar no visor da televisão, ela trazendo a ilusão de se jogar o verdadeiro esporte bretão, uma vez que já vinha com todo o campo e os jogadores desenhados nela.

A partir daí, outros consoles de primeira geração trouxeram o futebol como um dos seus principais jogos. O Telejogo e vários outros clones do Pong traziam o esporte como uma das principais opções de entretenimento. Logo, desde o começo, o futebol já vem sendo uma aposta grande nos videogames, sendo uma boa motivação e arma mercadológica para a venda dos consoles caseiros.

O futebol na segunda geração: o Rei Pelé como garoto propaganda


Em 1977, chega a segunda geração encabeçada principalmente pelo Atari 2600. Com gráficos um pouco melhorados que os consoles da 1ª geração, o conceito diversão e imersão melhorou muito nessa geração.




O Atari Soccer (ou International Soccer) foi o primeiro jogo de futebol do Atari. Também com gráficos muito rudimentares. A propaganda da Atari foi pesada. Em um comercial onde apareciam várias estrelas do esporte mundial, eis que surge o eterno rei do futebol, Pelé, jogando vibrantemente o Atari Soccer e ainda dizendo que havia abandonado o futebol para ficar jogando Atari, isto foi em 1977.

Logo após, a própria Atari lança, em 1982, o Pelé’s Soccer, tornando-se, assim, um dos primeiros jogos a usar o nome de uma celebridade. Nele você controlava três jogadores ao mesmo tempo — aliás, cada time só tinha esses três jogadores mesmo — que mais pareciam com círculos grandes do que com qualquer coisa humana. Com eles, tentava-se controlar a bola e levá-la até o gol adversário.


O Magnavox Odyssey² — sucessor direto do primeiro console do mundo — também trouxe alguns bons jogos de futebol para a 2ª geração. Nele podemos destacar o Hockey + Soccer, um cartucho que trazia dois jogos (Hockey sobre o gelo e o Futebol). Os gráficos não eram melhores que os do Atari, porém sua jogabilidade era mais interessante, onde tínhamos que controlar um jogador por vez (inclusive o goleiro). No entanto, o número de jogadores por time também era reduzido, somente cinco em cada lado.

Nesta geração, quem trouxe o melhor futebol foi o Colecovision, com o Super Action Soccer. Trazendo uma visão lateral, a mesma do Superstar Soccer, o console (que era bem superior ao Atari 2600) nos mostrou um jogo com gráficos belíssimos, muito avançados para a época, inovando na jogabilidade e poder gráfico para os jogos de futebol, inclusive com a mudança para câmera frontal nas batidas dos pênaltis e quando o jogador ficava cara a cara com o goleiro, além da introdução do zoom quando ficávamos com a bola no ataque – técnica que só foi usada novamente no NFL 95 do Mega Drive. Este jogo foi revolucionário e, de longe, foi o melhor futebol da 2ª geração.


3ª geração: melhorias gráficas e jogos mais desafiadores

A terceira geração é aberta com o NES e logo depois com o Master System, da Sega, e com eles já vieram os jogos de futebol. Contudo, os primeiros jogos ainda tinham a mesma pegada dos da geração anterior, um pouco de melhoria gráfica, porém muito aquém do que esses consoles poderiam demonstrar.
Em 1987 as coisas melhoraram um pouquinho com World Soccer do Master System – lançado no Brasil como Super Futebol. Seu ponto forte foi no som, com uma trilha sonora bastante empolgante e direito ao hino nacional de cada seleção. Entretanto, seu diferencial maior eram as disputas de pênalti com câmera frontal, aumentando mais o nível de diversão do jogo.


No ano seguinte é lançado o melhor jogo de futebol da geração 8 bits. Goal – ou Gol de Craque, no Phantom System – foi produzido pela Jaleco, trazendo muitas inovações gráficas e novos desafios. Este game impressionou com o poderio gráfico: tinha uma visão por cima, quase isométrica, além de uma proporção do tamanho do campo mais real que os antecessores e as belíssimas cutscenes de comemoração a cada gol feito.

Ademais, esse jogo inovou na jogabilidade. Ele era muito mais desafiador que qualquer outro antes feito e oferecia vários modos de competição, entre os quais podemos destacar o modo World Cup, quando jogávamos uma Copa do Mundo com várias seleções, e o modo Tournament, em que jogávamos um campeonato da liga norte-americana com times fictícios dos EUA.


Era um dos jogos mais difíceis da época. Ele exigia de muito treino, controle de bola e precisão nos passes para conseguir chegar à final da Copa. No modo Tournament, o desafio aumentava, pois os times eram mais equilibrados e conseguir vencer uma partida neste modo já era uma grande conquista.

O primeiro jogo baseado em uma Copa do Mundo

O World Championship Soccer foi lançado em 1989 para o Master System e Mega Drive. No Brasil, a Tectoy lançou como Super Futebol 2. Aproveitando a Copa da Itália de 1990, a Sega muda o jogo acrescentando o mascote e os símbolos do evento em questão, sendo este o primeiro jogo de futebol baseado numa Copa do Mundo.

O título ganhou o nome World Cup Italia 90 e, apesar de ter a logomarca da Copa da Itália logo na introdução do jogo, a Sega não conseguiu autorização da FIFA para usar a imagem dos jogadores. Por conta disso, as seleções não mostravam o nome dos craques e cabia à nossa imaginação assumir que aquele que recebia a bola era o Silas, que aquela roubada de bola foi feita pelo Dunga ou Ricardo Gomes, e que aquele golaço marcado foi de autoria do Careca, o centroavante da seleção brasileira de 1990 — fora as grandes defesas do goleiro, quando gritávamos “sai que é sua, Taffarel!”.


World Cup Italia 90 ainda não superava o Goal do nintendinho, nem em gráficos, nem em diversão, mas não deixava de ser um ótimo jogo. Tinha a visão por cima do campo, tal qual sua versão para o Mega Drive, o modo World Cup já era apresentado (coisa que não existia no seu antecessor, o Super Futebol) e tinha uma dificuldade moderada. Era preciso descobrir os locais exatos no jogo para chutar a bola e marcar um gol — uma vez descoberto, fica moleza chegar até as finais do torneio. Ele também apresentava belíssimas imagens de comemoração, porém estáticas, bem diferente das animações do jogo da Jaleco para o NES.

Cada um desses jogos foram importantes na história do desenvolvimento dos games,desde a rudimentaridade do primeiro Soccer para o Magnavox Odyssey até o avanço tecnológico para a terceira geração. Game após game era melhorado o seu desempenho gráfico, o nível de diversão e desafios propostos. Estes jogos são a Memória viva do avanço da indústria e vale muito conhecê-los e, até, se divertir com eles.

Revisão: João Pedro Boaventura


Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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