Blast from the Past

The Need for Speed (Multi): o jogo que deu início à franquia

Concebido através de uma experiência entre a revista Road & Track e a Electronic Arts em 1994, The Need For Speed logo se tornou um grande sucesso dando início à uma franquia duradoura.


Lançado primeiramente para o 3DO, em 1994, o jogo inovou no realismo detalhado dos veículos. Tudo foi pensado, desde os painéis internos à mecânica dos carros, a resposta de cada modelo, o passar de marcha muito fiéis aos automóveis reais. Resultado da parceria com a revista Road & Track que trabalhou intensamente com a EA para trazer todo esse realismo ao jogo.


Todo esse detalhismo e esmero na confecção do jogo foi primordial para o seu sucesso, ainda mais contando o salto tecnológico que ele propiciou de uma geração para outra. Afinal, antes do seu lançamento para o 3DO, a grande maioria estava acostumado com jogos como Top Gear, Out Run ou Super Monaco GP, que eram referência nos consoles 16 bits. Ao apresentar esse jogo no 3DO, a EA mostrou todo o potencial da próxima geração de consoles, o que deixou muita gente boquiaberta.

Road & Track presents: The Need For Speed

A primeira versão foi batizada de Road & Track Presents: The Need for Speed, evidenciando a força e influência que a revista americana teve na confecção do jogo.


Nos painéis internos, quando usamos a câmera in car, vemos claramente isso. Em cada um dos modelos foram usadas fotos detalhadas de cada veículo para poder dar esse realismo, nada ficou de lado. A mecânica de cada carro foi muito bem estudada, e o desempenho deles foram minuciosamente colocados no jogo, sempre com a supervisão dos especialistas da Road & Track.

Mais impressionante era o ronco dos motores, exatamente iguais aos reais. De fato, no jogo, quando ouvimos a Lamborghini roncar é o motor da Lamborghini, em todo seu esplendor, que escutamos. O que os desenvolvedores fizeram foi gravar os sons de cada uma daquelas máquinas funcionando, e o resultado foi excelente. Tudo isso nos levou a um jogo com um realismo nunca antes experimentado nos consoles anteriores e foi o motivo de alguns abastados comprarem um 3DO.

O jogo

A versão do 3DO, talvez por ter sido a primeira, veio mais "podada", com uma interface mais simples e poucas opções de desafio. Nela só tinham dois, ou você corria contra o relógio — apenas tentando diminuir seu tempo a cada corrida — ou disputava um "racha" contra um cara muito mala chamado "Mr. X", interpretado pelo ator Brenan Baird, falecido em 2014.

Brenan Baird deu vida ao fanfarrão Mr. X no primeiro NFS

Além disso, esta versão continha apenas três pistas — Alpine, City e Coastal — e oito super carros da época (Lamborghini Diablo VT, Ferrari 512TR, Chevrolet Corvette ZR-1, Dodge Viper RT/10, Porsche 911 Carrera, Acura NSX, Mazda RX-7 e Toyota Supra Turbo) que podiam ser escolhidos livremente, sem restrições em ter que adquirir dinheiro ou desbloqueá-los.

Geralmente os mais escolhidos eram o Lamborghini, o mais veloz do jogo, porém uma máquina difícil de ser domada, pois não tinha uma resposta boa na direção e era casca grossa nas curvas; a Ferrari, segunda mais rápida e mais fácil de ser domada com uma boa resposta nas curvas; e o Porsche, com uma aceleração melhor e também era o melhor para fazer curvas mais fechadas.

Todo o detalhismo no painel do Corvette

As versões para PlayStation e Saturn (lançadas em meados de 1995) ganharam novas pistas — Atumn Valley, Rusty Springs e Vertigo Ridge — e novos desafios, como o modo Tournament e Time Trial, além de permitir o modo multiplayer com dois jogadores (coisa que não havia na versão do 3DO). Mesmo assim algumas coisas foram retiradas nessas versões, como as famosas cutscenes que tanto chamavam a atenção na versão original.

Mudanças de jogabilidade nas outras plataformas

O 3DO foi a primeira plataforma a receber o jogo, talvez tenha tido esse privilégio pelo fato do presidente da Electronic Arts ter sido o idealizador do console, porém no ano seguinte seus rivais ganharam versões do bem sucedido jogo de corrida, com algumas alterações ao original.

Quando o jogo migrou para o Saturn e PlayStation, houveram mudanças consideráveis em sua jogabilidade: o jogo ficou mais rápido e também bem mais difícil que a versão do 3DO. Alguns jogadores reclamaram disso, pois o jogo tinha perdido aquela essência de simulador para virar mais um jogo genérico de corrida.

Porém, upgrades trazidos para esta plataforma, como o modo tournament e o multi player, tornou o jogo mais atrativo, deixando ele mais desafiador, ainda mais podendo competir com o amigo player 2. Isso acabou dividindo a preferência entre aqueles que conheceram o jogo na sua forma original, com cara de simulador, e os que enxergaram nas outras plataformas um jogo mais divertido, mais palpável, e que se possa ficar algumas horas competindo com os amigos nas várias opções de jogo que o port oferecia.

Uma franquia de sucesso

Road & Track Presents: The Need For Speed começou como, segundo a própria abertura do jogo diz, "an Electronic Arts experience" (uma experiência da Electronic Arts), mas de cara deixou todos maravilhados diante da sua qualidade gráfica e jogabilidade inovadora.


Este jogo foi uma amostra do grande salto tecnológico que houve no início da década de 1990, da 4ª geração para a 5ª geração de consoles, demonstrando tanto o poderio gráfico que essas novas máquinas eram capazes de produzir, como a nova tendência que seria seguida nos jogos de corrida.

Daí por diante a franquia só cresceu, virou uma marca de peso, inspirando não só novos jogos como também filmes em Hollywood (bem que o filme não foi tão bom assim). E esta franquia resiste até hoje, trazendo muitos jogos excelentes, outros que foram bastante criticados, mas mantendo a mesma força de seu lançamento, sendo sempre bem aguardado ao anúncio de cada novo jogo.

Revisão: Luigi Santana

 
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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