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Análise: Horizon Chase Turbo (PS4/PC) — aquecendo o coração com um clássico moderno

Cada sessão de jogatina foi como voltar à minha infância, repleta de tardes de Top Gear no Super Nintendo.


Em 2015, o estúdio brasileiro Aquiris Game Studio trouxe para iOS e Android uma espécie de revival de grandes jogos de corrida das décadas de 80 e 90, como Lotus Turbo Challenge (Multi), Top Gear (SNES) e Out Run (Multi). Corridas e controles simples, trilha sonora composta por Barry Leitch (de Top Gear) e uma nova estética fizeram do game um sucesso inegável. Era uma questão de tempo para que o game ultrapassasse fronteiras além das plataformas mobile.

O nome de tudo é simplicidade

Horizon Chase Turbo (PS4/PC) é um game de corrida em estilo arcade bastante focado na simplicidade. Escolha um carro, vá para a pista e corra até a linha de chegada. Cada um dos mais de 30 carros possui características próprias, com velocidade, controle e aceleração únicos, e é possível sentir a diferença quando trocamos de veículo. Há corridas especiais que, se vencidas, desbloqueiam melhorias definitivas para todos os veículos, e a escolha de qual melhoria instalar é, possivelmente, o que mais se aproxima de complexo no jogo.

O modo campanha é chamado de Volta ao Mundo. São 12 copas, cada uma com um número variado de corridas em diversas localidades do mundo, como Brasil, China, Emirados Árabes e Índia. Cada região é única, com pontos turísticos ao fundo servindo de paisagem enquanto aceleramos a toda velocidade nas pistas. Para progredir, é preciso terminar as corridas ao menos em quinto lugar, garantindo assim pontos para desbloquear novas copas, veículos e modos de jogo. Em fases iniciais, tudo parece muito tranquilo e fácil de vencer, mas conforme iniciamos copas avançadas, a dificuldade das pistas e da inteligência artificial começa a se elevar, exigindo um pouco mais de nossa coordenação, atenção na hora de fazer curvas fechadas e ultrapassagens em trechos estreitos e uso certeiro e preciso dos nitros disponíveis.



Para adicionar uma pitada de desafio, temos um conjunto de moedas espalhadas pelas pistas. Coletá-las rende pontos extras e, vencendo a corrida coletando todas as moedas, desbloqueamos um troféu especial que indica nosso domínio máximo sobre o circuito. Não será uma tarefa fácil, mas para os complecionistas, atingir 100% do modo Volta ao Mundo é um desafio a mais.

Os layouts das pistas variam bastante, com algumas sendo curtinhas e outras um tanto quanto longas. Mais uma vez, a simplicidade atinge em cheio aqui, e não há nenhuma complexidade no design das pistas, seja em forma de atalhos ou elementos no cenário. Morros aqui e ali, curvas fechadas em ziguezague e trechos bem estreitos são os principais desafios oferecidos pelos níveis de Horizon. Não necessariamente o game inova neste aspecto, mas em momento algum me senti incomodado, e credito isso ao fator nostalgia desperto em mim pela jogatina.



Modos adicionais

Além de Volta ao Mundo, temos também os modos Torneio e Resistência, que são desbloqueados conforme progredimos no modo principal. Torneio consiste em um conjunto de quatro pistas. O jogador soma pontos de acordo com sua colocação e, ao final, aquele com maior pontuação vence. Já o modo Resistência consiste em um grupo de corridas escolhidas aleatoriamente e o jogador deve finalizá-las ao menos em quinto lugar para seguir correndo. Ambos os modos possuem as dificuldades Amador, Profissional e Expert, sendo o último o desafio máximo, especialmente no modo Resistência, que coloca todas as 109 pistas para o jogador superar em modo aleatório. São elementos que fazem o pacote de Horizon Chase ainda mais completo.

Deixando os modos extras ainda mais atraentes, é possível jogá-los em tela dividida com outros três amigos, deixando a nostalgia bater ainda mais forte enquanto disputam para saber quem é o melhor corredor. Curiosamente, o game não possui nenhuma modalidade on-line que não seja os placares de tempo entre amigos e global. Para aqueles que quiserem jogar on-line com os amigos, este será um ponto fraco.



Reminiscências e identidade própria

Horizon Chase Turbo certamente se inspira fortemente em clássicos antigos, como os mencionados Top Gear e Out Run. Embora muitos de seus elementos sejam facilmente reconhecíveis por aqueles que os jogaram, como o reabastecimento de gasolina dentro das pistas, a paisagem ao fundo girando e a simplicidade absurda das pistas e corridas, o game consegue construir para si uma identidade muito particular, especialmente por seu visual voxelizado e cheio de cores. Toda complexidade inexistente é compensada por um visual polido, bem-feito e maravilhoso aos olhos do jogador, com cenários construídos ao nosso redor que nos fazem sentir de fato nos locais onde as corridas ocorrem. As cores vibrantes deixam tudo ainda mais vivo e com um aspecto leve. Ciclos de dia e noite e climas variados, como chuva e tempestades de neve e areia, agregam ainda mais valor ao aspecto estético do game.

Horizon Chase Turbo (PS4/PC) é a chance dos jogadores mais novos conhecerem como eram os games de corridas de décadas passadas. Sua simplicidade é um de seus maiores trunfos, sendo acessível e aprazível tanto para jogadores casuais quanto para aqueles mais hardcore, que podem buscar com fervor desbloquear tudo o que o game tem a oferecer. Há tanto conteúdo para modalidades singleplayer que a ausência de modos online não se torna um ponto negativo, particularmente falando. Além disso, o multiplayer local para até quatro jogadores pode oferecer uma dose extra de diversão entre amigos. Em nenhum momento Horizon Chase Turbo deve ser percebido como uma revolução no gênero, já que esta nunca foi sua proposta. Mas no que diz respeito em trazer nostalgia, identidade própria e diversão simples e direta, o game realiza com louvor.

Prós

  • Simplicidade em todos os conceitos;
  • Quantidade de conteúdo oferecido;
  • Visual belíssimo;
  • Multiplayer local para até quatro jogadores.

Contras

  • Ausência de modos online pode ser um ponto fraco para alguns jogadores.
Horizon Chase Turbo — PS4/PC — Nota: 10

Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: João Pedro Boaventura 
Análise produzida com cópia digital cedida pela Aquiris Game Studio 
Francisco Camilo é ex-viciado em platinas na família PlayStation e sonha em ser escritor no futuro. Divide suas jogatinas entre jogos de todos os tipos e partidas de Battlefield e Call of Duty.

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