Blast from the Past

Ayrton Senna's Super Monaco GP 2 (Mega Drive): Uma declaração de amor da Sega

Lançado em 1992 pela Sega, o jogo é uma continuação direta do clássico Super Monaco GP e foi uma verdadeira declaração de amor dos japoneses ao ídolo brasileiro.


Um ano antes, em 1991, Senna havia conquistado seu terceiro título mundial entrando de vez no panteão dos melhores pilotos da história. Então um jogo com o atual melhor piloto do mundo estampando sua capa não seria nenhuma surpresa.
Mas a ideia do jogo veio longe da sede nipônica da Sega, mais precisamente da terra natal de Senna, o Brasil. A proposta veio da Tectoy direto à Sega. Não foi espanto nenhum quando os japoneses abraçaram a ideia, afinal Senna não era só um ídolo no Brasil, ele era igualmente idolatrado pelos japoneses, os quais o consideravam um verdadeiro samurai na Fórmula 1.

Assim deu-se início a elaboração deste clássico jogo de corrida que ainda contou com a colaboração do próprio Senna. Tamanho era o profissionalismo do brasileiro, ele não só emprestou seu nome e imagem ao jogo, como fez questão de participar da elaboração dele.

Sobre o jogo

O jogo trouxe algumas melhorias em relação ao seu antecessor, o Super Monaco GP, sendo elas, principalmente gráficas. Outras foram a atualizações das pistas, pois com a ajuda de Senna, o desenho delas ficou bem mais fiel às verdadeiras, bem como vários detalhes técnicos que o piloto brasileiro ajudou a melhorar.

O jogo trouxe as 16 pistas do campeonato de 1992 e, é claro, o próprio Ayrton Senna como o cara a ser batido. Porém, assim como o jogo antecessor, a Sega não tinha os direitos sobre os nomes dos outros pilotos, tampouco sobre as escuderias, e tiveram que usar, salvo algumas modificações, os mesmo pilotos e escuderias do primeiro Super Monaco GP.

O modo carreira permaneceu o mesmo, sendo que agora você pode escrever seu nome e sua nacionalidade ao iniciar o jogo, coisa que não havia no primeiro e você passava toda a temporada correndo como “Player 1” do país “Your Country”.

A estratégia no modo carreira não mudou, sendo que, para conseguir ganhar o campeonato e fechar contrato com a melhor equipe – a Madonna – você teria que subir aos poucos, vencendo primeiro as equipes mais fracas, assim abrindo caminho até chegar às melhores equipes, capazes de rivalizar com a Madonna.

Além do modo carreira foi acrescentado o modo Senna GP – uma reconfiguração do modo Super Monaco GP do primeiro jogo – que contém três pistas especiais, todas elas desenhadas pelo próprio Senna, sendo que uma existe de verdade, trata-se da pista de Kart que existe na fazenda que o piloto na cidade de Tatuí em São Paulo. Local onde Senna se reunia com amigos e parentes em seus períodos de férias.

Dificuldade

O jogo teve sua dificuldade aumentada. É um jogo um pouco mais difícil que o primeiro, principalmente por trazer um realismo maior, bem como uma maior realidade na competitividade entre os carros, pois existe uma diferença enorme de qualidade entre os carros da elite e os intermediários.


Com isso se torna praticamente impossível você ser campeão com um carro fraco. Para se ter ideia, no primeiro Super Monaco GP eu já consegui vencer o campeonato com a Zero Force, o pior carro do jogo, já neste, tal proeza é praticamente impossível.

Porém, facilitando mais o andamento do jogo, foi instalado neste jogo uma bateria de lítio que permite salvar o jogo, extinguindo os longuíssimos passwords que existiam no seu antecessor. Eram centenas de caracteres que devíamos anotar para continuar o campeonato.

A mão do campeão

A participação de Ayrton Senna foi primordial nas melhorias do jogo. Senna apontou vários detalhes dos circuitos, dos carros e até a dirigibilidade destes, trazendo mais realismo ao jogo.

Um dos detalhes importantes apontados por Senna foi o uso da zebra. No jogo anterior o carro perdia velocidade ao subir na zebra, porém, com os apontamentos de Senna, isso mudou, deixando mais próximo a realidade com o que Senna e os próprios pilotos estavam acostumados nas pistas de Fórmula 1. Neste caso, tinha-se que descobrir o momento certo de freada para que você não desse de cara numa placa ou jogasse o carro para fora da pista. Este realismo foi um dos principais motivos da dificuldade do jogo ter aumentado.
Além disso, podemos ouvir a voz de Senna nos motivando o tempo todo durante as provas. A priori a Sega pretendia colocar comentários sobre cada uma das pistas com a voz de Senna, mas, devido ao pouco espaço do cartucho, isso não foi possível. Senna, inclusive, chegou a gravar esses áudios.

Um detalhe interessante foi que, na pista de Barcelona, Senna havia se negado a fazer os áudios. Por ser a primeira vez que ele iria correr nela, não seria possível falar sobre a pista. Senna chegou a declarar: “Não posso fazer isso. Como eu vou falar de algo que eu não conheço?“. Porém seu profissionalismo e compromisso eram tão grandes que, assim que terminou a sua primeira volta, ele logo pegou o gravador e fez os comentários sobre a pista.

Uma declaração de amor e respeito ao eterno ídolo


A Sega do Japão havia feito nenhuma manifestação sobre uma continuação do seu clássico jogo de corrida de 1989, quando a Tectoy, no longínquo ano de 1992, chegou à Sega japonesa com a proposta de fazer um jogo com o ídolo brasileiro, os nipônicos quase que de imediato abraçaram a ideia.

Por conta disso nasceu essa belíssima continuação de um jogo já clássico da Sega, ainda por cima contando com a colaboração do próprio ídolo Senna, que foi decisivo nas melhorias do jogo dando o seu toque de genialidade e conhecimento nas pistas.

Ayrton Senna’s Super Monaco GP 2 foi uma verdadeira homenagem da Sega e Tectoy a um dos maiores ídolos do automobilismo de todos os tempos e que, com a colaboração do próprio Senna, transformaram este jogo não só num dos melhores jogos de corridas da geração 16 bits, como num dos melhores de todos os tempos.
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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