Análise: Unravel (Multi) une lembranças e mistérios em uma ótima ambientação

Com um protagonista cativante, o jogo consegue deixar um sorriso no rosto dos jogadores, graças a seus puzzles criativos e humor sensível.

em 21/02/2016

As lembranças são responsáveis pela formação de todos os indivíduos. Com base em vivências, vamos aprendendo a lidar com as diversas situações do mundo, sejam felizes, surpreendentes, tristes, assustadoras e por aí vai. Desenvolvido pela Coldwood Interactive, distribuído pela EA e disponível para PC, PS4 e Xbox One, Unravel trabalha o aspecto da memória de forma magistral em um gameplay cheio de puzzles e metáforas escondidas pelos cenários.


Dentro dessa premissa, acompanhamos o protagonista Yarny (um simpático ser surgido à partir de um novelo de lã) em sua exploração curiosa por cenários variados em busca de pedaços de um passado. Recheada de simbolismos e momentos marcantes, a jornada de Yarny é marcada por descobertas emocionantes de um mundo novo para ele

Um mundo de lembranças

Logo que se toma controle do protagonista, o jogador é apresentado a alguns cômodos de uma casa com aspecto antigo, onde há diversos objetos espalhados pelo cenário inicial. As fases do jogo são acessadas por meio das diversas fotografias distribuídas pelas salas, cada uma simbolizando alguma lembrança. Em cada fase, Yarny deve buscar por uma peça de lã específica que comporá a capa de seu livro de fotografias.
Enquanto explora os magníficos cenários, o jogador descobrirá pequenos pontos da história, mas nada será explicado de forma habitual. Não existem diálogos ou interações com quaisquer outros personagens, logo, fica para a capacidade de interpretação e o interesse do jogador a resolução da história completa explorada por Yarny. Para conseguir extrair o máximo da narrativa, o jogador deve ficar atento aos cenários, que são responsáveis por contar boa parte das memórias descobertas pelo protagonista. Em alguns momentos pontuais, uma espécie de fotografia surge ao fundo, ilustrando aquele ponto do passado. 

A opção por contar a história por meio do design dos cenários e das reações do protagonista é muito bem-vinda, pois adiciona um fator de sensibilidade e atenção para o jogador, onde cada trecho dos cenários pode conter uma pista sobre determinada situação. Como é de praxe em jogos plataforma, alguns eventos automáticos ocorrem no decorrer das fases, todos bastante surpreendentes e divertidos, que geram alguns sustos interessantes para o jogador.

Lã para todo lado

Composto apenas por lã e um par de olhos simpáticos, o pequeno e frágil Yarny logo aprende todas as possibilidades que pode realizar com o uso dos fios que formam seu corpo. Capaz de dar curtos pulos e, principalmente, se equilibrar por aí com seu longo fio, Yarny resolve os mais criativos desafios espalhados pelos mundos que explora. Como a lã que compõe o personagem é finita, o jogador deve ter atenção para a quantidade de lã utilizada na resolução de puzzles ou mesmo durante a exploração do cenário.

Unravel, porém, jamais é injusto: caso Yarny fique sem fios (não podendo,portanto, explorar o cenário), certamente em algum trecho lã foi utilizada em excesso. Logo, o jogador deve retornar e refazer seu percurso para resolver o problema. Essa opção de jogabilidade força o jogador a pensar bastante durante um puzzle, pois o protagonista pode acabar preso em algum ponto do cenário, fazendo que seja necessário utilizar o comando para retornar ao último checkpoint. Reposições de lã estão espalhadas em pontos específicos das fases, de forma a manter constante a jornada de Yarny. 

Como não há qualquer HUD ou informação na tela, a quantidade de lã disponível é perceptível no corpo de Yarny, que vai ficando mais magro e lento a medida em que perde seus fios. A atenção do jogador deve ser redobrada em fases com água, pois o contato do protagonista com o elemento por mais de alguns segundos já é o suficiente para matá-lo.

A jogabilidade do título funciona muito bem durante o uso da lã para alcançar locais altos, construir roldanas e realizar outras atividades, mas o controle direto de Yarny pode ser um pouco frustrante. Seus saltos são ligeiramente imprecisos e em alguns momentos isso pode ser decisivo entre o sucesso e o fracasso de um puzzle.

Beleza em cada pixel

A aventura de Yarny é vivida em uma grande variedade de cenários: desde sua casa, passando por florestas, áreas industriais, praias e muito mais. Em cada um dos ambientes é possível ver a grande qualidade dos gráficos que, apesar de simples, cumprem muito bem seu papel e entregam um mundo lindo, melancólico e recheado de detalhes. Leve, o jogo é capaz de rodar fluidamente mesmo em configurações mais simples de computadores. 

Contando com poucos elementos em sua composição, é impressionante o quanto Yarny consegue ser carismático como protagonista. Por conta do ótimo uso de linguagem corporal para exibir suas emoções, o jogador é capaz de identificar rapidamente o que se passa pela cabeça do pequeno ser. Em diversos momentos, me peguei rindo de situações bobas, mas que, graças ao carisma e inocência de Yarny, se tornam cativantes. 

A fantástica ambientação de Unravel é complementada por um design de som que mescla os efeitos sonoros das fases com uma trilha sonora variada, o que deixa a jornada de Yarny ainda mais épica. A variedade de composições é vasta e jamais fica cansativa em momento algum. 

Jornada memorável

Toda a aventura de Unravel me demorou pouco mais de oito horas para ser completada, pois alguns puzzles foram realmente desafiantes, fazendo com que algumas fases durassem mais de uma hora. Outras, no entanto, puderam ser completadas mais rapidamente. Um jogador experiente pode facilmente terminar a aventura em menos de quatro horas. Alguns segredos estão espalhados pelos cenários e para completar 100% do jogo, a atenção deve ser redobrada para descobrir a localização de todos.

Apesar de curta, a jornada de Yarny não deixa de ser fantástica. A emblemática história, uma vez compreendida, é doce e triste, de forma a aproximar, por meio de identificação, o jogador com sua trama. As metáforas encontradas no jogo são simples de serem compreendidas, mas carregam uma forte carga dramática, especialmente nos níveis finais. 

Com uma ótima ambientação, Unravel desenvolve sua história de forma fluida e sem usar recursos narrativos habituais. Além de seu excelente visual, a experiência de conduzir Yarny por sua jornada é gratificante e repleta de momentos marcantes. Fãs de jogos plataforma, puzzles complexos, histórias misteriosas, ou que buscam apenas um ótimo jogo, certamente encontrarão tudo isso em Unravel.

Pontos positivos

  • Yarny
  • Belos cenários e ambientação
  • Puzzles criativos

Pontos negativos

  • Jogabilidade não responde bem em alguns pontos

Unravel - PC/XBO/PS4 - Nota final: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Gabriel Verbena
Capa: João Leal

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