Blast Test

Crea (PC) tenta inovar como sandbox, mas falha como jogo

Trazendo elementos de RPG para o gênero sandbox, Crea não diverte nem fãs de sandbox, nem fãs de RPG.

Eu não sou o maior fã de jogos do gênero sandbox, como Minecraft (Multi) ou Terraria (Multi). Não que eu ache que eles apresentem defeitos cruciais como jogo, da forma como seus “opositores” apontam, mas simplesmente por não me prender por tanto tempo ou com tanto afinco quanto outros jogadores. Quando li sobre Crea, logo me animei. A introdução de um sistema de níveis, habilidades, crafting e demais outras mecânicas em função de enriquecer o gameplay e fazê-lo sair do espaço comum me empolgaram e achei que aquele seria o jogo do gênero para mim, mas estava enganado.

Diferente apenas por ser

Apesar de considerar que o melhor erro é o erro em tentar fazer algo diferente, erros continuam sendo ruins. No caso de Crea, essa tentativa de se diferenciar acaba falhando na maioria das vezes por não ter um objetivo além de apenas ser diferente. Visualmente o jogo se diferencia de uma forma bacana, tentando fugir um pouco do espaço comum gerado por Terraria nos jogos do gênero, e inicialmente achei legal, mas o visual não parece sólido e tudo desanda graças às animações mal trabalhadas e truncadas.

Diferente, mas não o suficiente.
O sistema de batalha que parece mais rico, na verdade mantém a mesma superficialidade comum do gênero, agravando-se com mecânicas pouco ou nada úteis. Existe desvio, stamina que é consumida com golpes e defesa, mas eles não adicionam nada de fato ao jogo. Os inimigos não são pensados em virtude dessas mecânicas, e elas parecem deslocadas do resto do jogo, sem nenhum motivo para estarem lá. A única ocasião na qual as batalhas parecem estratégicas são nos chefes, mas não é compensador, pois se leva muito tempo para chegar a eles…

Por que tudo é tão lento?

Esse é meu principal problema com Crea: sua lentidão. Não tenho problemas com jogos lentos desde que haja um motivo para tal. The Legend of Zelda: Wind Waker (GC) tinha uma progressão lenta para te fazer se sentir um aventureiro e explorador. o primeiro Castlevania (NES) era lento pois seu progresso deveria ser planejado, e não apenas corrido. Já a lentidão de Crea está lá apenas para se sabotar como um jogo potencialmente divertido.

Construir é divertido, mas o processo pra chegar até aí não é.
 A exploração do mundo e dos biomas é divertida, mas o tempo que se leva para cavar e acessar diferentes localidades é imenso. Os chefes, como citando anteriormente, promovem desafios interessantes, mas até que se chegue neles, o jogo já se tornou tudo, menos divertido. A criação e o sistema de crafting são compensadores, mas são barrados por um sistema de research que exige maior gasto de material, pesquisando como utilizá-lo, fazendo que o jogador tenha que coletar mais material, repetindo um processo já lento. É como se o jogo colocasse obstáculos entre o jogador e a diversão, e eu não entendo porque ele faz isso.

Um potencial desperdiçado

Crea é cheio de boas ideias mal executadas, e até em seus pontos positivos, há defeitos. Os momentos compensadores são adiados pela lentidão do jogo, visuais interessantes comprometidos pela animação, músicas que ambientam bem, mas se tornam repetitivas, controles bons que são frustrados por uma compatibilidade ruim com o joystick, que adapta bem as funções mas não a usabilidade (o movimento dos cursores não responde como o esperado, e muitas vezes é preciso arrastar o cursor que já está fora da tela, deixando tudo mais lento ainda).

Como Crea é um jogo em Early Access, não se pode dizer que é irremediável, principalmente tendo em vista suas boas ideias. Porém, seus defeitos são tão distribuídos e tão elementares que fica difícil acreditar que tudo nesse jogo será resolvido, o que é uma pena para um jogo que tenta inovar em um gênero em que tudo tem ficado tão parecido.

Revisão: Luigi Santana 
Capa: Nívia Costa


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