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Análise: NOT A HERO (PC) mostra uma eleição de outro mundo

Enfrente inimigos e derrame muito sangue para ver um E.T. ser prefeito.



NOT A HERO é um jogo que se enquadra perfeitamente na categoria “politicamente incorreto”. Tendo uma disputa eleitoral como plano de fundo, o game busca gerar um humor sarcástico a partir de brincadeiras com políticos e seus planos para buscar sua eleição. Colocando o jogador como um assassino, espere por muito sangue, risos próprios e reinícios constantes de nível.

Escolha bem seus candidatos

Bunnylord é um E.T. que veio do futuro e está tentando salvar o mundo de um apocalipse. Para que isso aconteça ele precisa ser eleito prefeito. Entrando na disputa faltando 21 dias para a votação, decide reunir uma equipe e assim conquistar os seus eleitores, mas como?


Tropa de elite

No começo do jogo, Bunnylord tem somente um membro em seu time (o qual ele prefere chamar de “funclub”), mas ao passar de mais níveis (e completando os desafios propostos), torna-se um verdadeiro exército com os mais diversos “soldados”.

Há aquele que é extremamente rápido mas com arma de baixa munição; aquele que é lento porém carrega consigo uma arma de alta taxa de tiro; e as diferenças não param por aí, tem quem ande e atire, quem faça execuções corpo a corpo rapidamente, e até mesmo quem dispare simultaneamente nas duas direções.


São nove assassinos, cada um com habilidades próprias, não tendo um exato coringa, que possa ser usado em todas as missões. Cumprir os desafios propostos das fases exige dinamismo entre os assassinos, por exemplo, um personagem que apresente uma arma que despeja muitas cápsulas não é o melhor para se utilizar quando uma das metas seja gastar menos de 100 balas.

Armamento pesado

Para te ajudar com tantas obrigações e com a responsabilidade de contribuir para a eleição de um E.T que quer se tornar prefeito, algumas armas estarão disponíveis para facilitar seu papel nas chacinas. Listamos elas e suas funções.


  • Drillshot: Atira brocas que matam o inimigo em um único tiro.
  • Fatboy: Lança balas que explodem ao toque.
  • Riccoshot: As balas se dividem ao tocar em algo e rebatem pelo local atingindo os inimigos.
  • Powershot: Um forte tiro é disparado empurrando o inimigo e derrubando outros.
  • Thrucover: Atinge até inimigos escondidos.
  • Hicap: O número de balas é duplicado.
  • Laser: Dispara laser que desintegra o alvo.
  • Speedload: Oferece duas recargas rápidas.
  • Nadeshot: Atira uma bala que empurra o inimigo, derrubando os outros, e depois explode.
  • Hotshot: Lança um tiro que incendeia o alvo.

Hoje é dia de matança, bebê!

São 21 dias, 21 missões, cada uma com seu objetivo, e três desafios para cumprir (cuidado, isso pode levar a muitas repetições de fase). As 21 missões são divididas em três blocos, a cada semana matará um chefão que esteja atrapalhando na paz dos cidadãos, que, antes de tudo, são seu possíveis eleitores.


Para quem gosta de perfeição, ou de simplesmente cumprir tudo que é oferecido, os desafios serão um belo presente. No começo são fáceis, categóricos, entretanto logo fica cada vez mais difícil completar todos os três e receber um “Global Megalord”.

Desafios de tempo são uma tortura quando se tem fortes inimigos servindo de barreira. Alguns deles podem atrapalhar muito com que chegue ao ponto desejado antes do limite de tempo, desviando ou ignorando suas rasteiras imobilizantes, precisando de mais balas para morrer, ou simplesmente te matando. Até desafios de mortes podem custar bastante tempo (principalmente os que pedem um determinado número de vítimas em poucos segundos) se houver a presença de certos rivais, como os ninjas de katana para lhe matar em um único golpe. Caso esteja disposto a completar todas as tarefas, também deve estar ciente de que terá que reiniciar bastante.


"O agora é passado. Passou! Viu?"

É nesse ponto que provavelmente irá sentir semelhança entre NOT A HERO e Hotline Miami (ambos publicados pela Devolver Digital). Esses jogos utilizam poucos botões, são difíceis, e extremamente frenéticos, além de serem adeptos do charmoso visual pixelado. Em poucos segundos poderá já ter concluído a fase, ou nos mesmos poucos segundos poderá estar tentando pela quinta vez finalizá-la.


Sua dificuldade não se concentra somente nos inimigos, que são diversos, mas também nos comandos. O botão para deslizar é o mesmo para se esconder, o que gera uma confusão quando se quer ficar protegido, e isso pode estragar uma partida toda, perdendo a vida e reiniciando tudo.

Apesar disso, nada supera a graça de ver seu inimigo no chão, dilacerado, gritando de dor enquanto você o abate, ou até nem fazendo isso pois perdeu a cabeça ao receber um tiro crítico (disparo em curta distância).

Pior que tá não fica

Bunnylord vai te fazer rir, não de maneira exagerada, mas com certeza você irá se pegar sorrindo com suas frases nada convenientes, explicações sem sentido, ações loucas, e seu vício por milk shake, além dos slides exibidos nas reuniões. Diante de uma figura sem limites, foi preciso reservar um tópico para esse ser.

Tocar nos meus testículos? Por que não?

Conclusão

NOT A HERO é um jogo difícil até para criticar. Não se encontra pontos fracos com tanta facilidade. Afinal, ele não promete gráficos de última geração, jogabilidade inovadora, nem uma história complexa e comovente com um final épico.

Ao jogar fica evidente que o título só quer te divertir com um humor ácido, fazendo críticas políticas, chegando a tocar no assunto de legalização das drogas, e aproveitando toda sua construção em grandes pixels para encher a tela de sangue e muito movimento. Serve até para mostrar que nós, eleitores, podemos ser ingênuos ao depositar confiança nos candidatos políticos.


Algumas coisas atrapalham. A trilha sonora tem algumas faixas de ritmo agitado, empolgando o jogador, porém depois a música parece tropeçar em si própria desfazendo toda a inspiração que ofereceu. O uso do botão “A” (gamepad Xbox) também confunde e chega a atrapalhar em alguns momentos, como para deslizar ou se esconder. O problema não é escolher, o fato é aguardar que a ação esperada seja feita. Entretanto, com a variedade de personagens, armas, inimigos e cenários, além do próprio Bunnylord, que é uma criatura hilária de tão esquisita, o jogo com certeza faz valer o dinheiro e tempo gastos (nós precisamos de dez horas para concluir as 21 missões, incluindo uma extra, completando todos os desafios). Além do mais, ainda nos dá um toque, depois desse jogo não irá ver os políticos da mesma forma.

Prós

  • Humor ácido;
  • Muitos personagens jogáveis;
  • Bastantes armas disponíveis;
  • Cenários no tamanho ideal;
  • Variedade de inimigos;
  • Muitas missões e desafios;
  • Bunnylord, ora.

Contras

  • Jogabilidade um pouco confusa;
  • Trilha sonora inconstante.

NOT A HERO ― PC ― Nota 8,5

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araujo


Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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