DiGrátis

Jogos gratuitos recomendados da semana

Cinco jogos bons e divertidos na faixa.

Não é exagero dizer que todos os dias centenas, talvez até mesmo milhares de jogos são lançados. Programar jogos nunca foi tão fácil, com várias ferramentas para criação de games livres e de relativamente fácil uso disponíveis na internet. Plataformas como Google Play, App Store, itch.io, Game Jolt e Newgrounds permitem que qualquer pessoa publique suas obras de maneira simples e rápida.



Nesta vasta ludoteca, boa parte dos títulos é gratuita. Teoricamente, um gamer poderia passar o resto da vida jogando sem pagar um centavo por isso — além da conexão à internet e energia elétrica, é claro. Na prática, a situação é um pouco diferente. Há uma gigantesca oferta de jogos gratuitos, sim, mas maioria deles tem qualidade… duvidosa, digamos assim.

Por isso, selecionamos alguns jogos gratuitos que se sobressaem na imensidão de obras lançadas diuturnamente. Eles podem não se comparar a grandes títulos AAA e jogos mais tradicionais, mas são todos interessantes e valem a pena ser jogados. Confiram:

Carcará — Asas da Justiça (PC/Mobile)

Carcará pode parecer apenas uma “cópia” de Phoenix Wright, mas a melhor palavra para descrevê-lo seria como uma “adaptação brasileira” do clássico visual novel. Uma adaptação bem, mas bem brasileira. Todos os exageros que tornaram o título da Capcom conhecido são reproduzidos aqui, mas fazendo-se uso de figuras e estereótipos nacionais. O mais impressionante? Funciona, e muito bem.

Apesar das enormes semelhanças temáticas, há também diferenças notáveis. Carcará tenta ser mais “pé no chão” em sua representação do sistema legal, com casos inusitados e engraçados, mas mais críveis. Ele também faz uso de leis verdadeiras da nossa Constituição, tomando ares (quase) de um jogo educativo. Mesmo assim, não deixa de ser uma experiência bem divertida e agradável. Bom de se jogar especialmente no smartphone, já que conta com ciclos de iteração curtos e uma ótima interface touch.

Recomendado para: quem gosta de Phoenix Wright e quer um joguinho para passar o tempo no ônibus ou fila do banco.
Não recomendado para: quem procura um substituto de Phoenix Wright.
Quanto custa? Nada.
Onde jogar? Site oficial.

Sword of Xolan (Android/iOS)

Poucos gêneros sofrem mais com interfaces touch do que o de plataforma. A falta de feedback tátil das telas sensíveis torna a missão de controlar personagens com precisão árdua e difícil. Neste cenário, o simples fato de haver um jogo de plataforma mobile com controles aceitáveis já é positivo por si só.

Mas Sword of Xolan não é apenas um “jogo de plataforma para smartphones com controle que funciona”; ele é um bom “jogo de plataforma para smartphones com controles que funcionam”! A pixel art é muito detalhada, a trilha sonora gruda na cabeça e os níveis são bem projetados, fazendo ótimo uso das mecânicas do título. Com dois modos de jogo, 30 níveis e vários itens para colecionar, tem um bom tamanho (para jogo mobile) e é divertido.

Recomendado para: quem procura um bom exemplo de jogo de plataforma otimizado para plataformas mobile.
Não recomendado para: pessoas com aversão a gráficos pixelados.
Quanto custa? 0 reais.
Onde jogar? Site oficial.

Spaera (PC)

Tetris (Multi) é um dos poucos jogos que consigo considerar “perfeitos”. Não há nada nele, desde suas mecânicas até o visual e trilha sonora, que eu mudaria. Ele é a definição de design atemporal. Isso, é claro, não impede que algumas pessoas tentem experimentar com a fórmula. Às vezes, com muita sorte, o experimento dá certo. Spaera é um desses casos bem-sucedidos.

O foco aqui é a experiência multiplayer. Cada linha limpa é jogada para o “campo” do adversário, colocando-o mais próximo do temido limite horizontal. Eliminando-se linhas com orbes especiais é possível acumular pontos para se ativar habilidades especiais. Há um total de oito “lutadores” diferentes, cada um com diferentes mágicas que podem mudar completamente os rumos da batalha.

Com as mecânicas viciantes de Tetris, visual agradável e ótima trilha sonora, Spaera é um ótimo jogo… ainda que um péssimo Tetris. Aficionados pelo clássico vão olhar torto para o sistema de rotação das peças e o hard drop que não faz jus ao nome. Mas se você consegue relevar essas diferenças, certamente perderá um bom tempo com este título.

Recomendado para: quem sente saudade de Super Puzzle Fighter II Turbo.
Não recomendado para: quem leva Tetris a sério.
Quanto custa? "Digrátis".
Onde jogar?  Site oficial.

Hets (PC)

Hets vende-se como um jogo de plataforma e shooter 2D frenético. Que ele pertence aos dois gêneros é incontestável. Mas ele acaba adentrando em outro gênero no meio do processo: roguelike. Níveis gerados aleatoriamente? Checado. Mortes permanentes? Checado. Dificuldade insana? Duplamente checado.

O curioso é que ele não se descreve como um roguelike, muito provavelmente porque ele não tinha a intenção de ser um. Sua intenção era ser apenas um jogo sobre pular e atirar. Ele se transformou num roguelike por mero acidente, como efeito colateral de seu game design.

É estranho dizer que Hets fez algo acidentalmente porque, dentro do jogo, nada é acidental. Tudo foi extremamente bem projetado, do recuo que a arma do protagonista causa ao visual escuro e psicodélico que reage com cada inimigo. Com controles precisos, estética fantástica e dificuldade deliciosamente desafiadora, é um dos melhores roguelikes acidentais da história.

Recomendado para: fãs de plataforma, roguelikes, shooters 2D e psicodelia.
Não recomendado para: daltônicos e epilépticos.
Quanto custa? Entrada franca.
Onde jogar? itch.io.

Chase (PC)

A melhor forma de descrever Chase é: o filho perdido de Enduro (Atari 2600) e Super Hexagon (PC).

Assim como no clássico de 1983, você controla um carro extremamente pixelado (ou uma formiga, dependendo de como você interpretar) que deve desviar de obstáculos. Você pode deslizar para os lados ou pular. Seu objetivo é conseguir a maior pontuação possível antes de se chocar com algum objeto e morrer. Mecanicamente, as diferenças são mínimas.

Esteticamente, por outro lado, são games completamente diferentes. É nesse aspecto que Chase lembra Super Hexagon: colorido, vibrante, com uma trilha sonora pseudofuturista inspirada na música eletrônica que não sai da cabeça de forma alguma. E difícil. Extremamente difícil.

É só uma pena que haja apenas um modo de jogo e uma única música. Não que o título canse rápido (muito pelo contrário, ele é bem viciante), mas uma variedade maior seria bem-vinda. Quem sabe no futuro não surja um Super Chase, assim como Super Hexagon surgiu do mais simples e básico Hexagon?

Recomendado para: qualquer pessoa que já jogou um clone de Enduro naqueles minigames com 100 jogos.
Não recomendado para: quem não gosta de morrer 1000 vezes antes de pegar o jeito.
Quanto custa? O patrão ficou maluco e liberou de graça.
Onde jogar? Game Jolt.
Esta é apenas uma fração dos vários jogos gratuitos que são lançados toda a semana, e certamente vários outros games excelentes acabaram ficando de fora. Conhece alguma gema que merece atenção? Deixe sua recomendação nos comentários abaixo! Nos vemos semana que vem com mais recomendações!

Revisão: Vitor Tibério

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.