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Análise: Batman - Arkham Knight (Multi), o jogo que Gotham merece

Batman Arkham Knight (Multi) representa tudo que a série Arkham tem de melhor e dá um passo adiante.




Desenvolvido pela Rocksteady Studios e distribuído pela Warner Bros., Batman Arkham Knight (Multi) é, com certeza, um dos lançamentos mais aguardados do ano. O game originalmente tinha sido planejado para ser lançado em outubro de 2014, mas foi adiado, tendo estreia mundial dia 23 de junho de 2015.

Resgatando o melhor das HQs


Com o roteiro escrito por Sefton Hill, que já havia trabalhado nos outros jogos da franquia, a história de Arkham Knight se passa um ano depois dos eventos de Arkham City, onde o destino de Gotham se encontra agora nas mãos do Espantalho que, juntamente com o misterioso Cavaleiro Arkham, aterroriza a cidade através de ataques terroristas utilizando seu gás do medo, o que obriga os cidadãos a evacuarem Gotham. E quanto à história de Batman Arkham Origins (Multi), que foi lançado em 2013? Aonde ele se encaixa na Cronologia Arkham? Bem, segundo a própria Rocksteady, Batman Arkham Origins foi completamente descartado da cronologia oficial do game, em outras palavras, agora só serão consideradas as histórias de Batman Arkham City (Multi), Batman Arkham Asylum (Multi) e Batman Arkham Kinght.



Vale a pena dizer, sem dar nenhum spoiler, que a história contada no jogo representa muito bem alguns dos grandes acontecimentos que marcaram para sempre a vida do Homem Morcego nos quadrinhos, como os arcos: Piada Mortal, Retorno e o Capuz Vermelho, sendo que muitos desses fatos, inclusive, apresentam certa fidelidade a esta mídia.

O game conta com várias personagens femininas fortes, com destaque para a Oráculo, também conhecida como Bárbara Gordon, que não mais se limita a apenas ser vista através do batcomunicador;  a vilã Pamela Lillian Isley, a Hera Venenosa e a braço direito do falecido Coringa, Arlequina; todas tendo um papel de peso na trama.


Da mesma maneira que seus antecessores, Arkham Knight é um jogo de ação e de mundo aberto, com alguns elementos de RPG. O cenário no qual a história se desenrola é novamente a cidade de Gotham, com a diferença de que, agora, além do mapa ter aumentado consideravelmente, ele é dividido em três grandes partes (ilhas) que são conectadas por pontes. No início, com objetivo de isolar as gangues que estão sitiando a cidade, a pontes estão levantadas, entretanto, nada impede que você explore toda Gotham desde o início da jogatina, porém sem o batmóvel.


As mecânicas de jogatina são muito semelhantes à dos jogos anteriores, porém este último título parece apresentar um aumento em sua curva de aprendizagem em comparação aos jogos anteriores. Para isso ele se utiliza de dezenas de simulações, que desempenham o papel de tutorial e serão encontradas à medida que você explora a cidade de Gotham. E, para instigar os jogadores a concluir cada uma dessas simulações, o jogo lhe recompensa com um Wayne Point por cada tutorial concluído. Essa medida, com certeza, não só auxilia os jogadores a compreenderem melhor as mecânicas e melhorarem suas habilidades em game, como também deve diminuir o número de pessoas que sequer terminam a missão principal e desistem ou enjoam do game por falta de perícia ou conhecimento.


O sistema de  combate está muito semelhante aos jogo anteriores, porém, com alguns acréscimos interessantes, como a interação com o cenário e o golpe em dupla. O primeiro lhe permite utilizar o cenário como arma, como lustres e caixas, ou até mesmo roubar a armas de seus inimigos e usar contra eles. Enquanto segundo funciona apenas quando você luta acompanhado de algum outro personagem, como Robin ou o Asa Noturna, onde você pode, em determinados momentos, pressionar o botão correto para que ambos acertem o mesmo adversário.

Também de maneira semelhante ao restante da série, à medida que você avança no jogo, você irá adquirir novos equipamentos, que lhe ajudarão das mais diversas maneiras, desde a se locomover no jogo até a eliminar os inimigos. Entretanto, o que inicialmente parece facilitar o gameplay, na verdade, a longo prazo, faz exatamente o contrário, acrescentando cada vez mais dificuldade ao game, pois você será obrigado a lembrar como funciona e quando usar cada um dos equipamentos tanto para resolver puzzles quanto para facilitar burlar determinados adversários, como os drones. Apesar disso, o jogo, de vez em quando, parece dar uma folga, deixando que você libere a sua criatividade para eliminar os inimigos.



Os jogadores que estão acostumados  com os antigos jogos da série sentiram falta da modalidade multiplayer, que está ausente neste último título, e também e de desafios “rankeados”, como Physical Challenges  e Predator Challenges, que agora atendem pelo nome de AR Challenges e incluem desafios de corrida, utilizando o Batmóvel.

Batmóvel ou não-batmóvel, eis a questão


O batmóvel é, indiscutivelmente, um dos maiores destaques do terceiro título da série. Sua introdução, no entanto, gerou polêmica antes mesmo do lançamento oficial do game. Afinal de contas, o veículo inseparável do Batman, ausente nos dois primeiros jogos da série, tem realmente uma contribuição positiva? Analisando o game em sua totalidade, podemos dizer: sim e não. Sim, pois a nova Gotham foi totalmente adaptada para sua utilização, de modo que isso não se limita às ruas e puzzles, os quais o tanque do morcego é a melhor ou até mesmo a única opção, mas ainda há o fato de que a cidade agora está repleta de carros, tanques e drones, que somente uma arma do calibre do batmóvel poderia dar conta. Não, devido ao fato de que se movimentar pelos céus, pulando de telhado em telhado, utilizando o gancho e capa, para planar, continuam sendo a opção mais rápida e segura de se movimentar de um ponto ao outro. Mas o problema realmente surge quando é preciso ir ao GGPDC (polícia de Gotham), por exemplo, pois a alguns metros de lá, entre você e a delegacia, há um longo túnel, protegido por uma espécie de portão grande e resistente, o que inconvenientemente lhe obriga a evocar o batmóvel, quebrando toda a dinâmica da sua movimentação.



Com ou sem o veículo, mais uma vez, as quests envolvendo o vilão Charada são, de longe, os maiores desafios do jogo. Elas abusarão do seu intelecto, através de puzzles de dificuldade considerável e de sua habilidade com o joystick, exigindo manobras à primeira vista impossíveis de serem executadas. A física do jogo opera de uma maneira estranha, principalmente quando você utiliza o turbo do batmóvel para saltar grandes distâncias, que parecem impossíveis de serem superadas e, de repente, tudo é resolvido através de um cinematic.



Apesar de ter sido lançado com bugs e problemas de performance terríveis em todas as versões, com destaque a enorme que da de frames no PC, principalmente durante as cinematics, que tornam o jogo incapaz de ser jogado, e ao bug de PS4 que impede que você termine o jogo a não ser que se conclua também todas as missões paralelas, Batman Arkham Knight fecha a trilogia com chave de ouro, reunindo tudo o que a série tem de melhor em uma nova e empolgante história.


Prós

  • História representa muito bem as HQs;
  • O batmóvel muda a maneira como você interage com o cenário;
  • Presença de personagens femininas fortes;
  • Novos equipamentos;
  • Aumento na curva de aprendizagem.

Contras

  • Bugs terríveis;
  • A física do jogo, muitas vezes, se comporta de maneira estranha.


Batman Arkham Knight — Multi — Nota 9.0
Versão utilizada para análise: PC

Revisão Vitor Tibério
Capa: Victor Pereira (Ryo)
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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