Gostou de Bloodborne (PS4)? Então, experimente também…

Confira outras obras que podem interessar os caçadores de Yharnam.

em 06/04/2015
Bloodborne (PS4), o último jogo da aclamada série Souls, já conseguiu um lugar especial no coração dos fãs. Com sua ambientação gótica, level design com padrão Souls de qualidade e dificuldade característica, o título promete horas e horas de diversão — e frustração. Mas depois de zerar essa obra-prima (e passar algumas vezes pelo New Game+), o que jogar depois? Ou, ainda, se você não tem um PS4, o que fazer para conter suas lágrimas?


Selecionamos alguns jogos — e obras de outras mídias também — para satisfazer as almas sedentas por mais.

Demon’s Souls (PS3)

Recomendação um tanto óbvia, não é? Se alguém gostou de Bloodborne, é muito provável que também goste dos outros jogos da série Souls. Na verdade, é quase certo que a maioria dos jogadores de Bloodborne já sejam fãs de longa data da série.

Mas por que Demon’s Souls, e não seu irmão mais novo, popular e acessível (e discutivelmente melhor), Dark Souls (Multi)? Por dois motivos: primeiramente, porque muitos não jogaram o exclusivo de PS3. Mais do que um “mero” antecessor espiritual, Demon’s Souls é um título único, com suas próprias ideias e personalidade. Todo fã da série Souls deveria se esforçar para jogá-lo.

Em segundo lugar, porque um dos níveis do game, a Tower of Latria, foi inspiração direta para o level design e ambientação de Bloodborne. Aliás, não só essa parte, mas várias. Hidetaka Miyazaki, diretor da série, chegou a declarar que sua nova obra “carregava o DNA de Demon’s Souls e seu level design bem específico.”

Shadow Tower (PS)

Um dos antecessores da série Souls. Se King’s Field (PS) é um avô de Demon’s Souls, Shadow Tower é o tio estranho e muitas vezes esquecido. Muitas das características amadas da série já estavam presentes aqui: desafio, excelente level design, história críptica, ambientação fantástica sombria…

Diferente de seus sucessores, Shadow Tower possui uma perspectiva em primeira pessoa. Outra grande diferença é a presença de armas de fogo, que tomam destaque no arsenal — assim como Bloodborne. Talvez Miyazaki tenha se inspirado um pouco em Shadow Tower ao fazer seu novo jogo?

Lançado em 1998, é possível adquirir o título na PS Store — ele foi disponibilizado em forma digital na semana de lançamento de Bloodborne. Uma sequência para o game, intitulada Shadow Tower Abyss, foi lançada em 2003, exclusivamente para o PS2. Infelizmente, ela nunca saiu do Japão.

Quake (Multi)

À primeira vista, Quake não parece ter muito em comum com Bloodborne. Afinal de contas, o que um FPS teria a ver com um action-RPG em terceira pessoa? Mas basta uma comparação menos superficial para ver que ambos se assemelham bastante. Excelente level design? Checado. Ambientação que mistura elementos medievais, góticos e lovecraftianos? Checado. Dificuldade insana? Checado. Multiplayer online revolucionário (para suas épocas)? Checado.
Monstros horripilantes que vão lhe matar em poucos segundos? Duplamente checado!

Sunless Sea (PC)

Um dos maiores prazeres de se jogar um título da série Souls é explorar aqueles mundos fantásticos. Eles são de tirar o fôlego, não só porque tentam te matar a cada segundo, mas também devido à ambientação fantástica, rica em detalhes e cheia de segredos.

Sunless Sea destila essas características e faz um jogo focado apenas nisso: exploração de um mundo fantástico e sombrio. No título, você controla um barco a vapor enquanto cruza os oceanos de Fallen London, um universo vitoriano gótico decadente. Muitos perigos aguardam aqueles com coragem de se aventurar pelas águas dominadas pelos deuses do mar profundo: icebergs vivos, caranguejos gigantes, abominações eldritchianas e até mesmo sua própria tripulação, que pode sucumbir à loucura e canibalismo.

Castlevania: The Dracula X Chronicles (PSP)

O mito de Drácula foi uma das influências declaradas de Bloodborne. Miyazaki cita tanto o romance clássico quanto a arquitetura romena como fontes de inspiração. Obviamente, Bloodborne não foi o primeiro jogo eletrônico influenciando pela obra de Bram Stoker. Uma das séries de jogos mais tradicionais a lidar com o tema é Castlevania.

Uma das adições mais intrigantes à série é Castlevania: The Dracula X Chronicles, remake de Castlevania: Rondo of Blood (originalmente lançado no PC Engine, apenas no Japão). Antecessor do clássico Castlevania: Symphony of the Night (PSX), ele é quase que um meio termo entre os jogos cheios de ação que deixaram a franquia famosa no NES e os platform adventures que compõem o “vania” no gênero “metroidvania”. Dividido em estágios e com combate desafiador como os Castlevanias antigos, a história é bem desenvolvida, há vários finais, caminhos alternativos e exige certa exploração para se chegar ao “final feliz”, assim como seus sucessores.

A versão de PSP é idêntica à original, mas com gráficos refeitos, trabalho de voz e inclusão de um modo Boss Rush. Ele ainda vem com o Symphony of the Night incluso no pacote, com novos personagens e retradução — infelizmente, retiraram a clássica frase “What is a man?” no meio do processo.

Legacy of Kain: Soul Reaver (Multi)

Outro jogo com fortíssimas inspirações góticas e lovecraftianas. Sequência de Blood Omen: Legacy of Kain (PC, PS), neste action adventure você controla um vampiro transformado em wraith Raziel. A jogabilidade hack-and-slash não é tão desafiadora quanto os jogadores de Bloodborne podem esperar, mas eles se sentirão à vontade nos ambientes sombrios de Nosgoth e sua história cheia de deuses anciões.

Além dos videogames

Berserk

A influência do mangá Berserk na série Souls é visível desde Demon’s Souls e prevalente em especial em Dark Souls. Ambientação, personagens (Astoria é basicamente Guts!), direção de arte… Há várias similaridades entre as obras. Com Bloodborne não poderia ser diferente. Qualquer semelhança entre a Hunter’s Mark e a Brand of Sacrifice não é mera coincidência.

Há uma adaptação para anime com 25 episódios, além de uma série de filmes intitulada Berserk: The Golden Age. Vale a pena conferir todos.

H.P. Lovecraft

De longe, uma das maiores influências de Bloodborne e todas as outras obras citadas no artigo. Escolher apenas uma das contribuições do autor é um desafio à parte, ainda mais levando em conta o modo como suas histórias se conectam para formar um grandioso mito. Um bom ponto de partida é O Chamado de Cthulhu (The Call of Cthulhu), que inaugura o Cthulhu Mythos e é uma pedra fundamental do gênero de horror cósmico.

O Rei de Amarelo

Robert W. Chambers fazia horror cósmico antes mesmo do termo existir. Seu livro mais famoso, O Rei de Amarelo (The King in Yellow), foi uma das principais influências de Lovecraft. Uma coletânea de contos, as histórias contam estranhos fatos que ocorrem com as pessoas que leem a peça O Rei Amarelo (The Yellow King) — obra meta fictícia que leva seus leitores à loucura.

Muitas outras obras certamente influenciaram Bloodborne, direta ou indiretamente — e, dada a excelência do jogo, não é de se espantar se muitas outras sejam inspiradas por ele. E você, fã da série Souls, recomenda algum outro jogo para os viciados em desafios? E o que achou de nossas recomendações? Não se esqueça de deixar suas opiniões e sugestões nos comentários!

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Daniel Serezane

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.