Pipoca Blast #02: magia, mortos-vivos e crises existenciais

Ponha o joystick um pouco de lado e confira as dicas do GameBlast do que ler ou assistir durante as férias.

em 26/01/2015
Olá, Blasters! Como estão aproveitando suas férias? Talvez as recomendações que demos semana passada não foram o suficiente. Não temam: estamos de volta com novas dicas de filmes, livros, quadrinhos e animações para você aproveitar durante este período. E caso elas não sejam o suficiente — certamente temos dois ou três mestres na arte de assistir as séries inteiras em uma semana entre nossos leitores — voltaremos semana que vem com ainda mais dicas!


Lucas Pinheiro Silva

Uma de minhas resoluções de ano novo foi de que leria mais em 2015. Sendo assim, comecei terminando uma obra que já estava em minha lista de leitura há algum tempo: A Cor da Magia (The Colour of Magic), do autor inglês Terry Pratchett. Estou me perguntando até agora por que não li esse livro antes.
Que viagem, hein?

A história se passa na terra mágica do Discworld, um mundo plano suportado por 4 elefantes gigantes em cima de uma tartaruga cósmica que está viajando para o centro do universo. Parece loucura? “Loucura” é o combustível do Discworld, onde deuses aparecem na porta de ateus para prestar contas, alguns magos não sabem absolutamente nada de magia e espadas mágicas tagarelas comentam sobre seus tempos de glória. Seu personagem principal é Rincewind, um mago cínico e incompetente, mas especialista no famoso esporte de “fugir-da-morte”.

Com uma narração leve e divertida, Pratchett conta uma das histórias mais engraçadas e ingênuas que já tive o prazer de ler, com um meta-humor fantástico e criatividade aparentemente ilimitada. A Cor da Magia é apenas o primeiro livro da saga Discworld, que já conta com 41 obras no repertório — todos igualmente hilários e criativos.

Gilson Peres Tosta

Gosta de um bom livro? E do universo de heróis da Marvel? Bom, minha dica dessa semana agradará com certeza ambos os grupos. Exatamente no ano de estreia do aguardadíssimo Vingadores 2 - Era de Ultron e também Homem-Formiga, temos disponível o livro Guerra Civil, escrito por Stuart Moore.

O livro é uma adaptação de uma das maiores e mais famosas sagas dos quadrinhos da Marvel. Após um evento catastrófico envolvendo um grupo adolescente de heróis, o governo impõem que todos os mascarados sejam cadastrados num banco de dados do governo. A postura rígida divide os heróis mais poderosos da terra em dois grupos, um a favor do registro (comandado por Tony Stark) e outro contra (comandado por Steve Rogers, também conhecido como Capitão América).
Biscoito ou bolacha? Escolha seu lado.

O final desse embate, só lendo para descobrir! Não esquecendo também que os eventos dessa saga servirão de pano de fundo para o próximo filme solo de Rogers, chamado Capitão América - Guerra Civil, mas aí já não estaremos mais em 2015.

Fellipe Camarossi

Imaginem uma sociedade evoluída décadas a frente do nosso tempo. Um universo onde um único sistema consegue reger a ordem de maneira exímia. Esse sistema consegue interpretar padrões de comportamento e fatores biológicos para definir em qual profissão cada pessoa deve se encaixar melhor, e pode até mesmo prever crimes antes que estes aconteçam. Claro que, com uma dependência tão grande de um único sistema, a sociedade por ele regido pode encontrar sua perdição se este falhar, não? É em torno disso que gira a trama de Psycho-Pass.

O anime (que lembra muito o seriado Minority Report em alguns aspectos) é um prato cheio para amantes de ação e uma história profunda, capaz de colocar o espectador para pensar e repensar seus ideais de utopia. Além disso, a animação de excelente qualidade foi feita pela Production I.G., estúdio responsável pelas artes de animações de Tales of Symphonia e pelo anime Attack on Titan (“Shingeki no Kyojin” no original), além de ter trabalhado com a Nintendo nas animações de Fire Emblem: Path of Radiance, Fire Emblem: Radiant Dawn e pela trilogia Thanatos Rising de Kid Icarus: Uprising, que ficou disponível através do Nintendo Video do 3DS.

Psycho-Pass foi lançado em 2012 e está disponível online em diversos sites como Crunchyroll e Anitube. Com 22 episódios, existe uma nova versão do anime com o nome “Psycho-Pass New Edit”, com cenas adicionais e episódios de maior duração, porém com apenas 11 partes. Depois de terminar, também já foi lançada a continuação, “Psycho-Pass II”, com a sequência da trama. É entretenimento pra muito tempo!

Vinícius Veloso

A segunda metade da quinta temporada de The Walking Dead só estreia em fevereiro, mas, para os mais ansiosos, já é possível ir se preparando para o ataque zumbi. Lançado em outubro de 2014, o livro The Walking Dead: A Queda do Governador - Parte 2 detalha o fim da história de um dos vilões mais sádicos do universo pós-apocaliptico, o Governador. Neste capítulo final, o déspota planeja como se vingar dos habitantes da prisão, após ter sido gravemente ferido por Michonne. Com seu senso doentio e muito particular de justiça, ele convence a todos habitantes de Woodbury que a única forma de acabar com o mal é destruindo Rick e seu grupo de sobreviventes.

Apesar de os fatos narrados no livro já terem sido mostrados na HQ e na série de TV, é interessante reviver a história pelo ponto de vista do Governador, conhecendo melhor os motivos que justificam suas atitudes.

The Walking Dead: A Queda do Governador - Parte 2 é o último (e melhor) de uma série de quatro livros que contam como aconteceu a transformação do indefeso Philip Blake no impiedoso Governador. Antes, já haviam sido lançados “A Ascensão do Governador”, “O Caminho para Woodbury” e “A Quedo do Governador - Parte 1”, todos scritos por Robert Kirkman, criador dos quadrinhos, e Jay Bonansinga.

Também é interessante dizer que se você viu apenas a série, tem a obrigação moral de ler o quadrinho.
Outro ponto positivo é que, além de concluir a saga do Governador de maneira brilhante, a obra também serve de prefácio para outra história inspirada no universo walker, que deve chegar em breve ao Brasil, o livro Descent. Nele será contado qual foi o destino de Lilly Caul, personagem apresentada nos livros anteriores, e como ela tenta reconstruir Woodbury após o ataque frustrado à prisão.

É por tudo isso que The Walking Dead: A Queda do Governador - Parte 2 é leitura indispensável para os fãs dos mordedores.

Alan Kottwitz

Eu sempre adorei a ideia de universos paralelos. A velha questão “e se” sempre me interessou, me forçando a imaginar um final diferente para algum filme ou alguma história, algo que fuja do cânone. Se os pais do Bruce Wayne não tivessem sido assassinados, ele viraria o Batman? E se a aranha radioativa tivesse picado outra pessoa e não o Peter Parker? E é falando no alter ego do espetacular Homem-Aranha que eu gostaria de mencionar o excelente arco Universo-Aranha (Spider-Verse, no original), a trama que atualmente se desenrola nas HQs do cabeça de teia.
Todos os cabeças de teia!

Decorrente dos eventos do arco do Superior Homem-Aranha, descobrimos que homens, mulherese criaturas com os poderes aracnídeos de incontáveis realidades alternativas estão sendo caçados e mortos por inimigos poderosos e imortais que se autointitulam  Os Herdeiros. Como uma contramedida a este “aranhacídio”, os Aranhas sobreviventes decidem se reunir para formar um exército capaz de derrotar os Herdeiros. Praticamente todos os Homens-Aranha já passaram pela TV ou pelas páginas dos quadrinhos, marcam presença nesta saga. Além do Peter Parker original, temos o Miles Morales, o Aranha do universo Ultimate, a Mulher-Aranha, Seda, a recém-chegada da saga Pecado Original, os clones do Parker, como o Aranha-Escarlate, a Gwen Stacy (de uma realidade onde é ela que é picada pela aranha que lhe conhece os poderes aracnídeos), o Homem-Aranha 2099, o Porco-Aranha (é sério), o Homem-Aranha do Disney Channel, o Superior Homem-Aranha e, acreditem se quiser, até mesmo o Homem-Aranha Tokusatsu, com direito a Leopardon e tudo!
♫As gatas, se amarram, robôs gigantes♫

A parte interessante desse arco é que algumas edições não acompanham o confronto entre o exército aranha contra os Herdeiros, mas se foca em mostrar a história das pessoas-aranha de realidades paralelas. Por exemplo, em uma dessas realidades alternativas a revista é apresentada como um daqueles periódicos de terror dos anos 50, ao estilo Histórias Horripilantes, para apresentar uma versão monstruosa de Peter Parker. Em contra-partida, para nos apresentar o universo da Garota-Aranha, os traços da HQ se tornam cartunizados, como se fosse um gibi da Turma da Mônica.

A saga do Universo-Aranha segue atualmente em publicação e muitos Aranhas já perderam suas vidas nesse confronto. A história é interessante e nos desperta aquela vontade de querer saber o que acontece a seguir. Para quem é fã do escalador de paredes, amigão da vizinhança, vale muito a pena dar uma conferida.

Leandro Fernandes

A TV americana foi dominada por protagonistas homens, cheios de defeitos e com uma ética duvidosa. Seja Breaking Bad, House of Cards, The Wire, Dexter… a receita do sucesso atual parece estar pautada nessa fórmula do protagonista complicado. The Good Wife, uma série que passa desapercebida pelo grande público na maior parte do tempo, é exibida pela Globo americana, a CBS, mas parece mais série da HBO. A protagonista é Alicia Florrick, que ao ser traída pelo marido, o procurador do estado de Illinois que vai para a cadeia envolvido com um escândalo de corrupção,  volta à advocacia para se sustentar e, bom… digamos que ela não deixa nada a desejar em relação a suas contra-partes masculinas de séries de sucesso. Alicia é determinada, forte, divertida, dona de si e ao mesmo tempo tem defeitos o suficiente para que possamos encará-la como um ser humano.

Além disso, The Good Wife tem um formato que mistura o procedural, aquele esquema de “caso da semana” com arcos narrativos que se estendem por vários episódios. Dessa forma, os personagens têm espaço para se desenvolver e a série não cai na mesmice de utilizar os casos da semana para dar sentido a sub-tramas - na verdade, na maior parte do tempo é o contrário que acontece. Junte isso a um time de roteiristas que trabalha em equipe (raridade nesse tipo de série), um elenco excelente e uma insistência em não se solidificar em uma fórmula pronta. Afinal, a série está no sexto ano, recém-saída de um tipo de renascimento que mexeu com todas as estruturas narrativas e com o próprio reconhecimento da série: Julianna Margulies, a Alicia, ganhou o Emmy do ano passado, desbancando outros nomes mais cotados, e a série voltou a ser indicada para grandes prêmios, graças a essa renovação.

A boa notícia é que a série está completinha até a quinta temporada na Netflix. A má notícia é que as chances de você assistir a três ou quatro episódios seguidos por vez é grande.

Ramon Oliveira de Souza

Histórias de vampiros que brilham, heróis olimpianos moderninhos e jovens super poderosos já te cansaram? Calma, não entre em pânico! Eu tenho uma dica de leitura para você que quer uma ficção que prenda sua atenção com um humor diferenciado. Já ouviu falar da série de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias? Tenho certeza que sim. E o que acha de aproveitar essas férias para começar a “trilogia” de cinco livros?

Adaptado de uma espécie de rádio-novela dos anos 70, Douglas Adams escreve com muito humor a história de um terráqueo comum, Arthur Dent, que foi salvo pelo seu amigo, o excêntrico extraterrestre Ford Prefect, no último dia de vida do nosso querido balão azul, sendo levado para um passeio interestelar. Viajando pelos mais variados planetas, Ford e Arthur têm em mãos o famoso Guia do Mochileiro das Galáxias, que é uma espécie de dicionário/enciclopédia utilizada pelos viajantes intergalácticos que têm definições interessantíssimas sobre todas as coisas e lugares da vida, do universo e tudo mais.

A coleção é composta pelos livros O Guia do Mochileiro das Galáxias; O Restaurante no Fim do Universo; A Vida, o Universo e Tudo Mais; Até Mais e Obrigado Pelos Peixes! e Praticamente Inofensiva. O Guia, como é chamado carinhosamente pelos fãs, é um livro indispensável pra quem gosta de um bom e excêntrico humor e uma ficção científica bem escrita.
Não entre em pânico, são bons!

Luiz Filipe Cremonezi do Valle

O que é ser jovem nos dias de hoje? O filme We All Want to Be Young se propõem a nos ajudar a esclarecer esse questionamento. A produção é fruto de diversos estudos realizados, durante cinco anos, pela empresa especializada em tendências de comportamento e de consumo, BOX1824.

A obra traz o relato do histórico comportamental três gerações: os baby boomers, a geração X e o grande foco do vídeo que são os millenials ou geração Y. É interessante ver como esta geração é protagonista de diversas transformações, como a internet se tornar a principal fonte de entretenimento e informação (principalmente através das mídias sociais), e a indústria dos jogos eletrônicos crescer a ponto de ultrapassar a do cinema.  Inclusive, testemunhamos a chegada dos videogames ao ambiente acadêmico, sendo tratados com seriedade, como matéria de relevância cultural e artística.

Embora o filme tenha sido lançado há mais de quatro anos e especialistas apontem para o surgimento da geração Z, os assuntos abordados ainda são muito atuais e é certa a identificação tanto dos membros do Blast quanto de nossos leitores com a temática. Vale muito a pena assistir.


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Capa: Daniel Silva
Revisão: Leonardo Nazareth

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