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Bayonetta: uma caçadora de estilo sexy e fatal

De casa nova, conheça mais sobre a bruxa caçadora de anjos que trouxe charme, beleza, sensualidade e muita pancadaria em alta definição para as telas do WiiU.

em 19/11/2014
Bayonetta, cujo nome verdadeiro é Cereza, é uma das personagens de videogame mais marcantes dos últimos anos. Criada pela mente brilhante do lendário Hideki Kamiya, responsável por personagens como Okami, Viewtiful Joe e os The Wonderful 101, ela é conhecida mundialmente pelos seus dotes físicos e sua imagem altamente feminista, destacando-a num meio praticamente dominado por personagens masculinos. A jovem (nem tanto assim) causa diferentes opiniões quando o assunto é a sua personalidade e estilo. Embora sua presença marcante quebre as convenções tradicionais pré-estabelecidas pelo mercado, sua sexualidade tem sido ponto de crítica e discórdia. Não teve chance de conhecé-la na geração passada? Ficou curioso para saber mais dessa beldade que acaba de dominar o seu Wii U? Seja qual for o motivo, conheça um pouco mais sobre esta que promete ser uma figura cada vez mais presente no universo Nintendo.

Como nascem as bruxas?

Perseguidas pela inquisição, as mulheres medievais que, de alguma forma, desafiavam as ordens católicas eram taxadas e eternizadas como Bruxas. Algumas, por duvidarem das explicações religiosas ou contestarem os ensinamentos antigos, foram parar em fogueiras. Como até mesmo a utilização de remédios caseiros era motivo de repressão e morte, imagine então desfilar sensualidade? Mas e hoje, como será o processo de criação de uma bruxa moderna? 

Se existe um lugar onde a imaginação e a liberdade encontram solo fértil para dar vida a sonhos genialmente loucos, este lugar são os videogames. Desafiado a criar um novo game de ação pelo produtor Yusuke Hashimoto, diretor do projeto, Hideki Kamiya decidiu desenvolver uma protagonista feminina para o título, sentindo que ele já tinha feito tudo o que poderia ser feito com heróis masculinos, principalmente levando em consideração o nível de originalidade de cada uma. Para este fim, foi-lhes proposto pelo game designer Mari Shimazaki que criassem uma personagem com três características centrais: que fossem necessariamente uma heróina feminina; uma bruxa moderna; e que fizesse uso, de alguma forma, de quatro armas. Estava dada a receita. Era só misturar os conceitos com algumas mentes pensantes, que logo essa bruxa viria a luz do dia. 
Seu nome foi dado pelo barman vendedor de armas, Roudin, e foi inspirado por uma baioneta, arma que mistura um pequeno sabre com pistola ou espingarda.
O processo, que teve um ano inteiro de desenvolvimento, passou por umas centenas de desenhos de personagens e tantas outras alterações, com as aparências iniciais semelhantes a uma bruxa tradicional, com uma roupa desfiada. A cor preta na roupa persistiu durante todo o processo, descrito por Shimazaki como sendo sua cor tema, por, claro, se tratar de uma bruxa. A ela foram dadas pernas mais longas e braços compridos para fazê-la mais atraente, além de contribuir para seus dotes durante a ação do jogo, contrariando o que Shimazaki sentia ser uma tendência de personagens femininas em tais jogos com membros curtos e finos.

Não basta um rostinho bonito, tem que ter estilo.

Com os detalhes e algumas características centrais definidas, era preciso criar o visual, assim como o estilo, além de remodelar um paradigma tradicional de bruxas, que na maioria das vezes nos são apresentadas como velhas rabujentas cheias de verrugas, vestindo trajes esculhambados e de porte de vassouras e o tradicional chapéu preto pontudo. Conhecendo o senhor “originalidade” Kamyia, não é difícil de imaginar que teríamos algo completamente diferente.

Como alternativa ao chapéu pontudo, foi sugerido um penteado descolado que lembrasse o estilo tradicional. No entanto, apesar das preocupações, Kamiya não teve dúvidas sobre o corte do cabelo, aprovando, logo cedo, o visual sem chapéu e com madeixas longas. Logo em seguida, por insistência do criador, foram-lhes dados os famosos óculos, na intenção de diferenciá-la de outras personagens femininas, bem como para lhe dar uma "sensação de mistério e inteligência”. 
Shimazaki e Kamiya, posteriormente, declaram que o fato da personagem ficar sem roupas ao convocar as criaturas mágicas é um dos seus aspectos favoritos em Bayonetta. Porém, a opção de não exagerar tanto nos dotes da bruxinha foi uma opção do seu criador, com a justificativa de que o mistério, em vez do exagero, seria mais atraente para o jogador.
Suas armas também não foram escolhidas por acaso. A premissa das quatro pistolas foi pensada para que Bayonetta pudesse ser capaz de fazer movimentos rápidos, precisos e robustos. Para isso, era necessário um armamento capaz de produzir fogo rápido de forma simples e eficiente. Kamiya aprovou a ideia, alegando sentir que a arma seria "quente" em uma mão feminina
A escolha pelos óculos de Bayonetta, segundo alguns produtores, revela a preferência do seu criador por mulheres com aspecto intelectual, e que façam uso do acessório. 
Já as roupas são um caso à parte, ou melhor, seus cabelos que se transformam em vestimenta. Como de costume, a equipe de desenvolvimento da Platinum Games pensava em algo, digamos, exótico e original. O que mais poderia ser unicamente genial do que cabelos que serviam de roupa e evocavam demônios? Com certeza, nada. Ele foi projetado para ser um “meio de adorno e proteção”, dando-lhe aspectos de moda, ao mesmo tempo em que acentuava as curvas e seus movimentos. 

Já no segundo game, Bayonetta surge com novo visual. Mais leve, intelectual e descolado. Os cabelos curtos são a novidade na bruxa, já suas roupas receberam novas cores e aspectos. Tendendo para o tom mais azulado (e aproveitando a importância da água no novo game), é posssível observar uma textura mais puxada para o couro. Os próprios designers do game afirmam que Bayonetta estará sempre atenada com a moda, e que não é de sua personalidade permanecer estagnada no tempo. Ou seja, esperem por novas mudanças para os próximos games.

O fruto de um amor proibido                           

A história de Bayonetta se passa em algum lugar da Europa, chamado Vigrid. Lá viviam aqueles que eram denominados como os Observadores da História. Esses seres estavam divididos entre dois clãns: As Umbra Witches, bruxas seguidoras das trevas, e os Lumen Sages, sábios seguidores da Luz. Ambos eram responsáveis pela proteção da terra, mesmo que em lados opostos. No entando, o equilíbrio entre as duas forças foi perdido de repente, quando, do fruto da união proibida entre um sábio e um bruxa, nasceu uma criança. Esta, por sua vez, viria a se tornar motivo de caos e discórida, representando o fim da harmonia da terra.

A mulher foi aprisionada e o homem banido, pois a profecia dizia que a união entre luz e trevas traria caos e calamidades para o mundo. Certa ou não, parece que a profecia acertou, pois, logo em seguida, uma guerra entre os dois clãs tomaria conta do planeta, gerando uma disputa pelos olhos do observador.

Com a guerra acabando e  grande parte dos exércitos dos dois lados sendo mortos, chega o momento em que ela se encerraria. Justamente quando os sábios estavam próximos de tomar o poder total, a criança com o poder das bruxas é selada e escondida em um lugar secreto. 500 anos depois, Bayonetta é encontrada por um jornalista, morto pouco depois de liberá-la. Sem saber quem realmente é, Bayonetta segue em busca da sua história enquanto arrasa esquadrões inteiros de anjos demoníacos.

Sem memória, mas com instinto

Mesmo sem saber suas origens, Bayonetta parece seguir seu instinto natural de caçadora de anjos. Quando não está tentando levar uma vida normal como freira num igreja local, a sensual sacerdotisa do reino da paz encontra horas vagas entre suas orações para encher de balas qualquer criatura angelical que cruze o seu caminho. Durante o caminho em busca da sua verdade, a jovem de curvas acentuadas e poses desconcertantes encontra os mais variados desafios. Entre eles, derrotar criaturas giganticamente bizzaras e duelar contra sua antiga rival, Jeanne.
Santa essa Bayonetta.
Enquanto vence seres angelicais que mais parecem demônios vindos do inferno, Bayonetta jamais perde a pose. Dona de uma beleza monumental e sensualidade natural, a bruxa mais sexy dos videogames vai, aos poucos, descobrindo sua verdadeira origem.
Jeanne é uma das bruxas Umbra Witch que lutou na antiga guerra contra os anciões. Rival de Bayonetta desde esses tempos, foi a jovem loira quem selou nossa heroína momentos antes de ser morta. Você vai se encontrar muito com ela durante as jornadas, pois esta coadjuvante tem papel fundamental na trama.
Seu nome, na verdade, é Cereza, filha de Balder, o sábio que pretende ressuscitar Jubileus, o Deus Criador. Na sua jornada, ela ainda encontra sua própria imagem em forma de criança, trazida do passado pelo seu pai. A pequena Cereza, inclusive, confunde nossa amada heroína com sua mãe, sendo peça fundamental para a recuperação das memórias da verdadeira Bayonetta. Mais tarde, tendo descoberto que, na verdade, é a própria força do olho esquerdo (poder capaz de trazer de volta o Deus Jubileus), Bayonetta junta forças com sua amiga/rival, Jeanne, para derrotar seu pai, o ancião da luz, Balder, e para trazer paz de volta à Terra.

Já em Bayonetta 2, título exclusivo do Wii U, a aventura se passa poucos meses após os eventos do primeiro jogo. Bayonetta e Jeanne estão lutando contra uma horda de anjos quando uma evocação de demônio dá errado e Jeanne é morta por Gomorra. Bayonetta, então,  propõe-se a resgatar a alma de Jeanne do inferno, indo para a montanha sagrada de Fimbulvinter para encontrar a porta de entrada para o Inferno e trazer sua amiga de volta à vida. 

Fatalmente atraente

A bruxa Bayonetta é capaz de causaros mais diversos tipos de sensação no meio gamer (e até mesmo fora). Mesmo seu primeiro game não tendo sido um sucesso de vendas, apesar das críticas memoráveis, como a nota máxima na revista Famitsu, a rainha da sedução abalou as estruturas do universo virtual quando chegou quebrando tudo no PS3 e Xbox 360. Por vezes, tida como mais interessante do que o próprio enredo do game, e elogiada como a mais sexy colocação de pixels já vista, a bruxinha tem deixado muitas veteranas virtuais preocupadas com o posto de musa dos jogadores.

Bayonetta, ou Cereza, caso prefira chamá-la pelo nome original, é uma personagem realmente única e extremamente marcante. Basta um olhar para que toda a sua personalidade capture a admiração do observador. Embora sua sensualidade seja bastante acentuada, em momento algum ela parece transmitir uma sensação vulgar.

Unindo beleza, charme, sensualidade, personalidade e independência, Bayonetta chegou para cravar com ferro e fogo o seu nome entre os principais personagens de videogames de todos os tempos. Com carisma e originalidade contagiantes e, por que não dizer, viciantes, sua atitude hipnotiza e a transforma em musa, mas seu imenso  poder de fogo a recoloca no posto de temível heroína das trevas. É justamente essa união de beleza e perigo que a tornam unicamente atraente e um dos símbolos na nova geração de games. Certamente ela pode cuidar de si mesma em uma luta, mas não é uma boa ideia cruzar seu caminho, principalmente se você possui auréolas.

Revisão: Jaime Ninice
Capa: Douglas Fernandes


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