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Análise: Assassin's Creed Rogue (PS3/X360) dá a cartada final no pulo para nova geração

Veja o mundo com outros olhos ao assumir um novo lado na eterna luta entre assassinos e templários.

Alguns rumores durante a E3 deste ano citavam a existência de um projeto onhecido como Comet. A Ubisoft ignorava esses rumores ao focar suas ações no lançamento de Assassin’s Creed Unity para a nova geração. Um furo de informações a fez confirmar a existência de um último capítulo da franquia Assassin’s Creed para PS3 e X360, como uma homenagem à geração que começou em 2007. E dessa vez alterando o ponto de vista, já que pela primeira vez na série você atua como um templário, caçando assassinos.

O vira-casacas

Estamos na metade do século XVII, uma época em que as potências europeias como Inglaterra, França e Espanha brigavam pelo controle colonial da América, Ásia e África. O conflito se escalou para uma guerra com proporções enormes, conhecida como Guerra dos Sete Anos. O seu resultado desenhou mudanças para o mundo como conhecemos hoje, como a saída da França da América do Norte e o domínio espanhol sobre o Caribe.

Para os veteranos da franquia, estamos cerca de 25 anos após as aventuras de Edward Kenway no quarto jogo, e alguns anos antes do terceiro capítulo da franquia. Assassin’s Creed: Rogue ainda nos reserva alguns personagens conhecidos de ambas histórias em sua trama. Encontre durante sua jornada o já envelhecido Adewale, antigo contramestre de Edward e protagonista de Assassin’s Creed Freedom Cry. Ou assista ao novo protagonista idolatrar o templário Haytham Kenway, pai e antagonista de Connor em Assassin’s Creed 3.
Encontrar Adewale nem sempre é uma coisa boa...

Aqui revemos a história de Shay Patrick Cormac, um novato na Irmandade dos Assassinos. Shay é um descendente de imigrantes irlandeses que perdeu seu pai muito novo e acabou acolhido pela Irmandade dos Assassinos. Ele participa de algumas missões como assassino no começo do jogo. Porém, uma delas acaba de maneira trágica, devastando a cidade de Lisboa, que o faz repensar suas motivações para estar ali. Eventualmente ele abandona os Assassinos que, em resposta, tentam tirar sua vida.

Após quase morrer em uma tentativa de assassinato daqueles que um dia chamou de irmãos, Shay procura a Ordem dos Templários, oferecendo seus serviços contra seus antigos aliados. Ele não concorda com o controle que os Templários querem exercer sobre o resto do mundo. Ao mesmo tempo, entende que os Assassinos são um problema que deve ser destruído o quanto antes. Só assim ele vai conseguir acalmar sua consciência pelos atos que cometeu antes.
A transição de Shay se reflete em suas vestes, se tornando mais sombrio conforme se junta aos Templários.

Uma nova visão de mundo

Aqui seremos apresentados a uma visão diferente referente ao conflito de Assassinos contra Templários. Até esse ponto a franquia sempre o representou como um conflito de bem versus mal, e os produtores de Rogue desejam demonstrar como o conflito é visto pelo outro lado. O poder que os Templários exercem se reflete no que Shay pode fazer para atingir seus objetivos. Diferente dos protagonistas anteriores, ele não liga se pessoas inocentes forem mortas como distração ou no meio do fogo cruzado entre ele e seu alvo.

Shay é um assassino treinado e continua com suas lâminas escondidas para assassinatos discretos. Porém, aqui ele está do lado da “lei”, podendo receber ajuda de guardas em vez de correr deles. Assim como tem acesso a equipamentos e armas que representam o melhor que o dinheiro poderia comprar na sua época. Por isso ele tem acesso a protótipos, como um customizável rifle de ar para assassinar alvos a longa distância, armas com gás sonífero ou até mesmo um lança-granadas para combates mais brutos.
O rifle é uma ótima adição para assassinatos a longa distância.


Mas isso não quer dizer que você terá uma vida fácil. Lembre-se de que você está caçando assassinos, aqueles mesmos que andavam pelas sombras, esquivavam-se de diversos guardas armados, assassinavam seu alvo em silêncio e sumiam segundos depois. Você tem de descobrir onde eles podem estar escondidos ou qual é seu alvo e se preparar para lidar com eles. Aqui temos o retorno da visão especial de assassino, que permite que você tenha noção de onde está seu alvo. Porém, um assassino treinado pode atacar de qualquer direção. Assim como a introdução de uma nova ferramenta, os firecrackers. Lembrando bombinhas de São João, são úteis para forçar um assassino fora de seu esconderijo, permitindo que você se transforme no caçador em vez de ser a vítima.
É bem diferente expor e matar assassinos com ajuda dos guardas.

O novo mundo

O jogo explora a região desde a cidade de Nova Iorque até o extremo norte do Canadá, lar de índios e colônias inglesas e francesas. Mesmo sendo um retorno à cidade de Nova Iorque, aqui ela foi mais detalhada, cobrindo um terreno maior muito maior do que em Assassin’s Creed 3. Um enorme trabalho foi feito para reconstruir a cidade de Nova Iorque conforme suas características do ano de 1750. Prédios antigos e gangues de imigrantes irlandeses e italianos dominam as áreas pobres e obscuras da cidade.

A cidade de Nova Iorque ficou bem maior e mais detalhada que em Assassin's Creed 3

Utilizando a cidade como base principal, Shay navega pelos mares até o extremo norte, chegando ao início do oceano Ártico. Geleiras, baleias e ursos polares serão sua principal companhia desse lado do mundo. E entre as geleiras e Nova Iorque encontramos a região conhecida como Vale dos Rios, com planícies e matas para serem exploradas a pé, após você ancorar seu navio em um dos rios que banham a região.
O Ártico traz belos ambientes para serem explorados, como essa aurora boreal ao fundo. Detalhe também para o grupo de pinguins.

Homem ao mar!

Shay conta com seu barco Morrigan para ajudá-lo a explorar essa enorme região. O nome, nesse caso, não é uma homenagem à lutadora de Darkstalkers, mas sim a uma divindade da vingança e guerra na antiga cultura celta. Seu navio é menor do que o Gralha utilizado em Assassins Creed IV: Black Flag, então é possível explorar caminhos mais apertados como rios. Mas não é menos equipado do que o navio do antecessor. Entre alguns dos novos equipamentos está a possibilidade de jogar uma trilha de óleo no mar e atear fogo seja para despistar inimigos ou então atacar quem tentava te perseguir.
Conheça sua base de operações, o Morrigan. Mesmo menor que o Gralha, ele é extremamente bem equipado e resistente.


Como parte do jogo se paga no oceano Ártico, o navio também possui um enorme quebra-gelo na sua frente para conseguir navegar pela região. Este oceano é bem mais perigoso que o belo Caribe que vimos no antecessor. Icebergs são extremamente perigosos se o navio for arremessado neles. Mergulhar com seu personagem para alcançar algum alvo a nado também é perigoso. A água é muito gelada, e em pouco tempo o personagem pode morrer devido à hipotermia.

O combate naval também recebeu melhorias do jogo anterior, fluindo mais rápido e com uma jogabilidade mais fácil. Além disso, assassinos constantemente tentam invadir o Morrigan, causando confusão entre sua tripulação e eventualmente tentando assassinar Shay. Encontre-os o quanto antes para evitar perdas em sua tripulação. Você sempre vai querer ter tripulação suficiente para ouvir as divertidas músicas que eles cantam enquanto você navega até seu destino.
Os combates navais não se limitam a luta entre navios. Tome cuidado com assassinos tentando te matar no meio da confusão.

Infelizmente alguns desses combates tomam muito tempo, ainda mais se você quiser invadir o navio inimigo em vez de afunda-lo. Chega a ficar chato travar tantas batalhas marítimas para alcançar um objetivo do outro lado do mapa. Tudo isso torna a jogabilidade repetitiva após um certo ponto, ainda mais se você chegou a jogar o Assassin’s Creed IV.
Apesar de serem repetitivos para quem jogou Black Flag, os combates navais ainda são uma das coisas mais legais do jogo.

O pulo do gato

Estamos em um período de transição de gerações, e isso impacta nos lançamentos de jogos. Algumas produtoras escolhem lançar versões para ambos consoles, outras em focar o desenvolvimento em apenas um. Já a Ubisoft fez uma jogada interessante: mobilizou diferentes equipes para trabalhar em jogos diferentes, porém complementares. Até mesmo retirou o modo multijogador online para focar melhor em suas campanhas. E inovou ao inverter a lógica da série. Agora você é gato que caça os ratos que bagunçam sua casa.

Muita atenção foi dada a Assassin’s Creed: Unity por ser para exclusivos de consoles da nova geração, já que vai determinar o novo patamar que a série vai tomar. Porém, a Ubisoft mostrou que não esqueceu dos fãs da franquia que não trocaram seus PS3 e X360 com Assassin’s Creed: Rogue. E fez um trabalho de gala neste que poderia ser considerado o patinho feio. E se for possível, jogue ambos os títulos até o final. Eles possuem uma importante ligação em suas histórias.
Pronto para a ação?


Prós:
  • Veja o mundo pela perspectiva dos Templários;
  • Novos equipamentos e armas;
  • Liberdade para alcançar os objetivos de diversas maneiras;

Contras:
  • História um pouco confusa para quem não jogou os dois títulos anteriores;
  • Exclusão do modo multijogador.

Assassin’s Creed: Rogue – PlayStation 3 – nota 7.5

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Stefano Genachi

é formado em Administração de Empresas pela USP, e mestre em cultura inútil pelas experiências de vida. Desde 1993 gosta de explorar o mundo dos games em seu tempo livre. Pode ser encontrado reclamando da vida no Facebook e Twitter.


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