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Daylight (PC) é um jogo de terror que assusta, mas não surpreende

Título desenvolvido pela Zombie Studios garante alguns momentos tensos, mas não mostra nada que já não tenhamos visto em um jogo de terror.


A personagem acorda em um lugar abandonado. Confusa e sem qualquer memória de como chegou lá, ela passa a explorar o local. Não demora muito para perceber que alguém – ou alguma coisa – está seguindo-a.


Esse é o enredo de Daylight, título desenvolvido pela produtora independente Zombie Studios. Já dá para ver que ele é o pano de fundo mais genérico que poderíamos encontrar para um jogo de terror. E no fim, é isso que Daylight é: mais um game assustador desprovido de qualquer personalidade.

Eu já vi isso antes…

Em Daylight, tomamos controle de Sarah, uma mulher que recobra a consciência em um hospital abandonado e, guiada por uma misteriosa voz, fará de tudo para escapar do macabro local. É bom não esperar muito da história: além de ser sem graça e previsível, não há qualquer desenvolvimento da protagonista ou de outro personagem. 


Mas não há problema, já que o gênero de terror é conhecido por pegar as premissas mais simples e saturadas e tirar as experiências mais inusitadas delas, certo? Sim, é verdade. Por exemplo, em Amnesia: The Dark Descent (PC), a boa e velha história do personagem sem memória rendeu uma das experiências mais aterrorizantes no mundo dos videogames. O que surpreendeu nem foi a história – e sim a jogabilidade inteligente e diversificada. 

Infelizmente, Daylight não consegue fazer o mesmo. As fases constituem-se basicamente do mesmo objetivo: achar "x" objetos, prosseguir para uma porta que foi desbloqueada em algum lugar do mapa e então repetir o processo mais uma vez até o final do jogo. A missão não é tão fácil quanto parece, já que a cada objeto coletado a personagem fica mais sucetível aos ataques dos monstros. Isso não soa familiar? Afinal, estamos jogando um jogo novo ou um mod de Slender: The Eight Pages (PC)?
"Quem é você? Onde está o Slenderman?"
Por outro lado, o jogo contém uma boa dose de tensão para quem for jogá-lo. Preferindo uma abordagem mais psicológica ao invés de jogar sustos aleatórios na tela, o título cria um clima aterrorizante ao adicionar barulhos de passos e gritos distantes. Sarah inclusive reage a esses eventos, o que ajuda o jogador a criar empatia com a personagem. No entanto, a grande sacada no terror do jogo é o fato dos ambientes serem gerados aleatoriamente. Dessa maneira, não é possível usar a mesma rota de fuga duas vezes, o que certamente colocará os jogadores em situações tensas. 

Estamos em um hospital, um porão, ou nos dois?

Daylight usa a Unreal Engine 4 e com isso esperávamos gráficos nada menos que belíssimos. Mas qual foi o resultado? De fato, os gráficos estão bonitos, com alguns efeitos de fogo e névoa muito bem feitos. No entanto, não foi explorado nem 30% do potencial da engine, e muito disso se deve ao level design genérico. As salas do hospital são iguais às salas do porão, que são iguais às salas de uma cabana no meio da floresta e por aí vai. Os únicos elementos que mudam são alguns poucos detalhes nessas localidades.
Apesar de abaixo do padrão esperado, os gráficos são bonitos.
No entanto, o que mais incomoda mesmo nos aspectos técnicos são as frequentes quedas na taxa de quadros por segundo, que fazem o jogo ficar lento ou mesmo travar em diversas ocasiões. Isso ocorre quando há muita iluminação no ambiente ou até quando monstros aparecem. Considerando que jogos de survival horror exigem reação rápida, é um pouco frustrante quando isso acontece. O patch lançado pela Zombie Studios melhorou a situação, mas o game ainda sofre travamentos mais do que seria aceitável.

A parte sonora é decente, mas não chega a impressionar. A trilha ajuda a construir tensão algumas vezes e a dublagem dos personagens é boa. A única ressalva são algumas falas de Sarah que não combinam com o momento. Por exemplo, às vezes ela falará coisas como "o que foi isso?" ou "que barulho foi esse?" sem ter ocorrido absolutamente nada. O resultado chega até a ser engraçado.

Slender sem Slenderman

Que fique claro que Daylight, no fim, é um jogo assustador. O que mais frustra é o fato dele não ter um pingo de originalidade. Ao invés de tentar algo novo no ramo do survival horror, prefere reciclar uma fórmula já saturada no gênero. E, considerando como o horror tem ficado de lado na indústria de videogames ultimamente, é triste ver uma produtora indie desperdiçar seu potencial com um título clichê como esse.

Quem é fã de terror pode até se divertir com Daylight. Mas ao lado de opções como Amnesia: The Dark Descent e Anna (PC), quem vai querer jogar algo que parece apenas mais uma cópia de Slender?

Prós:

- Atmosfera tensa e assustadora;
- Textura gráfica bonita;
- Boa dublagem.

Contras:

- Enredo clichê e sem nenhuma originalidade;
- Objetivos repetitivos;
- Quedas frequentes na taxa de quadros por segundo;
- Level design genérico.

Daylight – PC – Nota: 5.5

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Sybellyus Paiva 

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
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