A noite é escura em Minecraft. Conheça os terríveis perigos que aguardam do lado de fora

Eu não me lembro exatamente o que aconteceu com o mundo. Só me lembro de estar no meio do nada, sem ninguém à minha volta, acompanhado ... (por Ok em 01/11/2013, via GameBlast)


Eu não me lembro exatamente o que aconteceu com o mundo. Só me lembro de estar no meio do nada, sem ninguém à minha volta, acompanhado unicamente por alguns animais e uma incrível certeza de que eu precisava arranjar um abrigo antes que o Sol, aquele quadrado luminoso no céu, se pusesse. Foi somente essa certeza que me salvou de ser devorado pelas criaturas mais horrendas que alguém pode imaginar.

Só que, um dia, eu decidi que era hora de parar de me esconder. Eu já tinha conseguido coletar recursos o suficiente para montar um pequeno arsenal, incluindo armas e equipamentos de proteção para mim, então decidi trocar a noite pelo dia e me tornar um caçador de monstros. Essa foi a decisão mais estupidamente divertida que eu já fiz.

Entre grunhidos e explosões

O primeiro passo foi ir à procura de alguns monstros durante a noite. Na maioria das vezes, eram eles que me encontravam, mas agora eu era o caçador. Foi então que encontrei um ser que muito me lembrava os homens com quem um dia andei, exceto pela carne podre que se via no lugar do corpo. Eu estava diante de um legítimo Zumbi, aparentemente ansiando por me devorar "os cérebros".

"Dá cá um abraço".

Meu maior problema com este cara foi justamente sua pele pútrida. Toda vez que eu encostava nela sentia minha própria pele queimar. Alguns golpes de minha espada, no entanto, e ele vinha ao chão. Nada mal para uma primeira vez. Não demorei a encontrar minha próxima vítima, um ser razoavelmente parecido com o Zumbi que acabara de derrotar. Este, contudo, possuía quatro pernas e nenhum braço. 

"Sssss... Bum!"

Meu maior erro foi achar que ele seria uma presa fácil. Com um único golpe de minha espada vi a criatura começar a inchar. Foi então que uma explosão de gosma verde veio na minha direção. Não me matou, é claro, mas eu sentia a pele arder e meus ossos doerem. O nome Creeper pairava pela minha cabeça, sem eu ter certeza do porquê. Me lembrei da época dos computadores e do primeiro vírus a infectar uma dessas máquinas. Qual era mesmo o seu nome?

Arqueiro branco

A amiga da vizinhança.
Naquela mesma noite, cheguei a encontrar uma peluda Aranha escaladora de paredes. Para seu azar, consegui colocá-la em uma enrascada quando ela subiu em um barranco e eu pude atacá-la por baixo, sem concedê-la nem mesmo a chance de descer para me atingir. Quem diria que eu me daria bem caçando estas criaturas?

Foi quando já estava amanhecendo que eu ouvi um som muito estranho, aparentemente algo cortando o ar. Eu senti a dor antes de vê-la: uma flecha acabara de ser cravada em cheio no meu joelho. Senti a visão turvando enquanto levantava para correr em busca de uma proteção para poder contra-atacar, mas foi então que o grande quadrado luminoso fez sua parte e pude simplesmente assistir enquanto um Esqueleto vivo queimava.

O último dos Cavaleiros Fantasmas.

Fiquei me perguntando qual era o limite da estranheza nesse não pacífico mundo novo. Afinal, como era possível que um simples Esqueleto pudesse andar por aí, puro osso, e manter sua cabeçorra quadrada em pé ao mesmo tempo em que atira flechas em minha direção? Decidi que era hora de descansar e procurar um alimento, além, é claro, de me recuperar das feridas da noite anterior.

O homem alto

Sinal dos tempos?
Passei mais algumas noites fazendo basicamente a mesma coisa: caçava alguns monstros, derrotava quantos eu pudesse antes de me sentir cansado, voltava para casa, dormia um pouco, minerava em busca de novos recursos durante o dia e fazia tudo de novo. Não poucas vezes acabei encontrando Esqueletos e Aranhas no subterrâneo. Uma vez juro que vi as duas criaturas bizarramente unidas, o monte de ossos montado no aracnídeo, antes de cair de um desfiladeiro.

Eu cada vez me sentia mais forte e cada vez detonava mais criaturas antes de regressar ao meu abrigo. Mas então, numa noite, encontrei a criatura que viria a habitar todos os meus pesadelos: uma imensa criatura hominídea completamente preta, à exceção dos olhos. Aqueles terríveis olhos púrpura me encarando foram a coisa mais assustadora que eu já vi, mas o pior ainda estava por vir.

Aparentemente incitado pelo contato visual, a terrível coisa veio atrás de mim, querendo eu acreditar ou não, se teletransportando de um lugar ao outro. Corri o máximo que pude enquanto o monstro me jogava pedaços do que quer que ele encontrasse no caminho: pedras, árvores, montanhas... Nada parecia impedir a fúria da criatura que, mais tarde aprendi, chamava-se Enderman.

Esses olhos...

Passei o resto da noite tentando encontrar uma brecha para contra-atacar, mas sempre que eu pensava que iria detê-lo ele simplesmente evaporava e aparecia em outro canto. Nem mesmo o Sol foi capaz de queimar a criatura, e eu me via prestes a sucumbir a qualquer momento pelas longas mãos do Enderman. Sem saber mais o que fazer, atravessei um rio a nado em busca de abrigo. Só quando cheguei na outra margem é que me dei conta de que a criatura tinha sumido.

Muito mais do que isso

Minha jornada, naturalmente, não parou por aí. Uma vez recuperado, continuei minha luta contra as forças do mal, intercalando entre a busca por recursos durante o dia e a caçada aos monstros durante a noite. Numa nova oportunidade, encontrei o Enderman sossegado carregando pedaços de coisas de um lado para o outro. Na ocasião, tentei não olhar por nada para os olhos da criatura e, vagarosamente, uma flecha de cada vez, um golpe de espada de cada vez, fui minando sua saúde até que a criatura sucumbiu.

Minha sensação de vitória foi imensa, e pude sentir o poder fluindo do corpo morto para mim como uma onda arroxeada. Pensava eu ter derrotado a mais temida criatura do mundo apenas para, dias depois, encontrar mais um espécime.

Quem sabe um dia?

Foi quando eu encontrei, em um antigo livro, a referência a outras dimensões com criaturas ainda mais insanamente poderosas do que o Enderman, e os portais que podem me levar até elas, que senti o estômago embrulhar. Neste exato momento encontro-me em preparação para uma jornada cujo destino é incerto. Por enquanto, deseje-me sorte (seja lá quem estiver lendo isso).

Revisão: Catarine Aurora
Capa: Daniel Silva

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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