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Suba a bordo do Queen Zenobia, o sombrio navio infestado de monstros de Resident Evil Revelations

Quando se pensa em Resident Evil , muitos se lembram dos ambientes fechados, claustrofóbicos e cheios de zumbis e outras mutações bizarr... (por Gabriel Gonçalves em 15/08/2013, via GameBlast)


Quando se pensa em Resident Evil, muitos se lembram dos ambientes fechados, claustrofóbicos e cheios de zumbis e outras mutações bizarras, principalmente se referindo aos primeiros jogos. É simplesmente impossível esquecer da Spencer Mansion ou dos esgotos de Raccoon City. Cada canto parecia querer esconder algo para simplesmente assustar.


A partir de Resident Evil 4, isso mudou. Os ambientes fechados foram trocados por grandes espaços e a quantidade de inimigos (e munição) praticamente triplicou. Por essa razão, o jogo foi recebido com certo espanto pelos fãs. Onde estavam os zumbis? Por que os inimigos estavam tão rápidos? É claro que, passado esse choque inicial, o game virou um ícone. Ainda assim, boa parte dos jogadores sentiram falta dos ambientes escuros e sinistros, que não voltaram em Resident Evil 5. 

Porém, quando Resident Evil Revelations (originalmente para 3DS, mas adaptado mais tarde para consoles de mesa) foi anunciado em 2011, surgiu uma esperança. O que mais chamou a atenção foi o ambiente onde se desenrolaria a maior parte da trama: um luxuoso e mal iluminado navio chamado de Queen Zenobia. 

Atenção: esse texto possui revelações sobre o enredo (spoilers) de Resident Evil Revelations. Leia por sua conta e risco!

Um primo distante da Spencer Mansion

Segundo a história do jogo, o Queen Zenobia foi um navio de luxo construído em 1978, junto com suas "irmãs", o Queen Semiramis e o Queen Dido (os nomes são de rainhas da antiguidade). Até o ano 2000, ele foi um cruzeiro de luxo exemplar, até misteriosamente desaparecer. Em 2004, foi usado como base operacional pelo grupo bioterrorista Veltro para atacar a cidade de Terragrigia, embora esse fato só viria a ser descoberto no ano seguinte por Jill Valentine e Chris Redfield

Quando Veltro, supostamente desarticulado, estava mais uma vez tentando se reerguer (usando o Zenobia como esconderijo), uma sabotagem fez com que o T-Abyss, um vírus mutante, vazasse por toda a embarcação, transformando grande parte das pessoas a bordo em monstros horrendos. Ele é deixado à deriva até que Jill, junto com seu novo parceiro, Parker Luciani, o encontram para investigá-lo. 
Zenóbia, rainha da Síria,
 inspirou o nome do navio.


Logo no início do game, fica bem claro que devemos dizer adeus à predominância de ambientes abertos. O Queen Zenobia é escuro e claustrofóbico, e os corredores são estreitos e mal iluminados. De fato, o seu design lembra bastante os lugares em que se passavam os jogos antigos, principalmente a mansão do primeiro Resident Evil.

O navio ainda tem várias referências aos elementos dos três primeiros games que, por alguma razão, acabaram se perdendo nos jogos mais recentes. Ou vai dizer que as chaves com símbolos especiais, os quartos bagunçados e os armários nos quais os monstros se escondem não lembraram os velhos tempos? Resident Evil Revelations ficou conhecido por trazer um pouco do terror de volta à série, e o grande responsável por isso foi o Queen Zenobia. Tanto que nas poucas partes que se passam fora do navio, o jogo tende a ter mais ação e tiroteio.

Completamente à deriva

O navio é variado na questão de ambientes. Por um lado, temos os velhos corredores apertados, com inimigos se esgueirando pelas paredes e saindo sorrateiramente (ou às vezes nem tanto) de dutos de ventilação. Logo nos primeiros momentos do jogo, que se passam na área onde ficava a tripulação, temos uma boa ideia disso. Os Oozes, os monstros mais comuns, ocupam quase toda a largura dos corredores, e quem joga pela primeira vez fica sem saber o que fazer. De fato, esses ambientes claustrofóbicos são os responsáveis por fazer o jogador se sentir tenso, e isso é feito com maestria.

Mas o Queen Zenobia também é um cruzeiro de luxo, então obviamente há ambientes que mostram isso. Basta ver a enorme sala de jantar ou o observatório. É claro que alguns papéis de parede estão rasgados e há muitas manchas de sangue, mas isso faz parte do clima de navio abandonado, não é mesmo? 


Além de dormitórios bagunçados e salas gigantescas, a embarcação também possui um porão. Quando chegamos nessa parte do jogo, ele está cheio de água, onde os Sea Creepers se aproveitam para se esconder. De certa forma, ele lembra muito os esgotos de Raccoon City.

Por fim, sendo um Resident Evil, é impossível não haver um laboratório secreto onde cientistas faziam experimentos com vírus mutantes. Em Revelations, ele mostra uma mistura de elementos. Se algumas partes apresentam, mais uma vez, pouco espaço para fuga, outras lembram Resident Evil 4 e 5, onde há mais mobilidade. Talvez não tenha sido o melhor laboratório da série, mas com certeza cumpre muito bem o seu papel. 

"Podemos ajudá-la em algo, senhorita?"

"Abandonai as esperanças, vós que aqui entrais"

A célebre frase de Dante Alighieri, em sua obra A Divina Comédia, referindo-se à entrada ao inferno, é frequentemente citada na trama do jogo. E, de certa forma, não tem frase melhor para descrever o Queen Zenobia. O navio trouxe elementos que os fãs mais veteranos sentiam falta, e, ao mesmo tempo, não descarta as evoluções dos jogos mais recentes. A grande responsável pela aceitação de Resident Evil Revelations pelo público é, sem sombra de dúvidas, a embarcação abandonada. 


Com uma mistura quase perfeita entre tensão, terror, sustos (e uma pitada de ação também), o Queen Zenobia mostrou que a Capcom não se esqueceu completamente  de como se faz um bom survival horror. Após tanto tempo, finalmente tivemos um lugar digno de se por como cenário de um Resident Evil.

Revisão: Marcos Vargas Silveira
Capa: Diego Migueis

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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