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Participe do fim do Terceiro Reich em Downfall (Call of Duty: World at War)

em 19/04/2013

A Batalha de Berlim Entre abril e maio de 1945 a humanidade testemunhou uma das mais selvagens batalhas jamais vistas sobre a face do p... (por Lucas Palma Mistrello em 19/04/2013, via GameBlast)


A Batalha de Berlim

Entre abril e maio de 1945 a humanidade testemunhou uma das mais selvagens batalhas jamais vistas sobre a face do planeta. Nos últimos dias da II Guerra Mundial, o exército soviético conseguiu realizar o cerco em Berlim e durante alguns dias preparou aproximadamente 2 milhões e meio de combatentes para a invasão da capital alemã. A queda de Berlim, mais uma vez, em menos de 30 anos, era a última barreira para a paz mundial.

Em Call of Duty: World at War, último título da consagrada série a ter a II Guerra Mundial como cenário, o jogador é levado a fronts menos explorados pelo entretenimento em geral, o front do Pacífico (que aparece com relativa frequência) e o front oriental, esse mais raro de figurar nos jogos, filmes e livros.

As batalhas nas ruas de Berlim.
No dia 20 de abril a artilharia soviética iniciou o bombardeio por terra sobre Berlim, que cessaria somente após o término da guerra, duas semanas depois, deixando a cidade completamente em ruínas.  O avanço de cada metro a dentro da cidade era selvagem, os alemães defendiam sua capital no limite da sobrevivência humana. Foi uma luta que iria até as últimas forças.

Nas missões anteriores, o jogador luta através das ruínas da cidade, em certos momentos até dentro do que sobrou do sistema de metrô de Berlim, na época já contava com 8 linhas, sendo um dos maiores do mundo. Logo depois a batalha é focada no lado de fora do Reichstag, o imponente antigo prédio do parlamento alemão.


A Batalha pelo Reichstag

Donwfall, a última das missões de Call of Duty: World at War se passa no interior do Reichstag, imponente edifício construído no final do século XIX para abrigar o parlamento do império alemão (também nomeado de Reichstag até o fim da II Guerra).  Após o término do conflito, com ele em ruínas, o prédio foi abandonado, parcialmente reconstruído na década de 1960 e restaurado totalmente na década de 1990 para abrigar o novo parlamento da Alemanha reunificada, o Bundestag.

A batalha no sagüão do Reichstag
Logo de início, o jogador invade o saguão do edifício, uma imponente entrada com longas escadarias e um altíssimo teto. Há soldados alemães por todos os cantos, barricadas montadas em todos os corredores, andaimes escorados nas paredes, lotados de metralhadoras e atiradores. Na entrada há um oficial soviético dando gritos de motivação para os soldados que invadem o prédio.

Assim que vencido o saguão, em uma batalha feroz que pode durar vários e vários minutos dependendo do nível de dificuldade, o jogador chega ao parlamento propriamente dito, a sala da assembleia. Inicialmente na parte superior, nos mezaninos em volta das cadeiras do parlamento são enfrentados outras centenas de alemães ali e à distância. Logo após circundar o centro, o jogador desce às cadeiras, para mais batalhas. O clímax desta parte é alcançada após a queda do gigante símbolo do partido Nacional Socialista (a águia segurando a suástica), que ficava preso na parede da assembleia, representando a queda do Terceiro Reich.

A câmara do parlamento dentro do Reichstag no jogo, onde se passa a maior parte do estágio.
Mas ainda não chegamos ao final, a última etapa da missão é o caminho até o telhado do edifício, enfrentando hordas e mais hordas de alemães, dispostos a irem até as últimas consequências para defender o que resta de seu país, muitos sendo jovens na faixa dos 14 a 16 anos. Ao final da caminhada, o jogo recria o hasteamento  da bandeira soviética no topo do Reichstag, cena imortalizada na famosa fotografia.

A vitória total de uma guerra total

As guerras mundiais do século XX inauguraram uma das maiores tragédias que a humanidade já conheceu: as guerras totais. Diferentemente dos conflitos até então conhecidos, as guerras totais exigem que toda a sociedade envolvida nelas se desdobre para a manutenção do combate. Isso apresentou destruição, sofrimento e mortes em uma escala jamais conhecida.

O mapa real da feroz e selvagem batalha pelo Reichstag que durou cinco dias de combates ininterruptos. Foram três dias lutando apenas para o avanço de pouco mais de 500 metros, e dois para entrarem e tomarem o prédio.
Mas isto não somente ocasionado pela alta tecnologia bélica que avançou muito no final do século XIX e início do XX. A grande diferença era que as guerras totais exigiam vitórias totais. As Guerras Mundiais não tinham limites nem objetivos claros de vitória, elas objetivavam eliminar por completo o inimigo, varrê-lo da face do planeta, no limite, conquistar o mundo.

A Primeira Guerra Mundial, que inaugurou a era das Guerra Totais não teve um desfecho à altura. Depois de 4 anos de destruição e lutas ilimitadas, a Alemanha realizou uma grande ofensiva, mas apesar de ganhar muito território, não alcançou Paris. Sabendo que um contra-ataque dos Aliados viria e seria fulminante, ela desistiu e se rendeu mesmo sem ter seu território violado. Um final incompatível com a crueldade daquele conflito.
O Final da Primeira Guerra Mundial: Após de 4 anos
de lutas devastadoras, a Alemanha se rende à França sem ser
 derrotada. Uma paz incompatível com a crueldade do conflito.
Falando teleologicamente, a II Guerra já começou aí. 
As querelas não resolvidas fizeram com que apenas vinte e um anos depois o mundo estivesse no mesmo estado novamente, mas desta vez o final deveria ser definitivo. Enquanto no Pacífico os Estados Unidos utilizaram a mais temível arma de todos os tempos contra o Japão, dizimando completamente duas cidades em segundos, na Europa a vitória deveria varrer o nazismo do mapa.

Os Aliados sabiam que o Nacional Socialismo era forte e perigoso demais para receber um tratamento que levasse a uma paz amistosa. Hitler era um inimigo que deveria ser exterminado, humilhado perante ao mundo. Por isso mesmo com todo a Alemanha caída a União Soviética não poderia parar em Berlim, o massacre deveria continuar, ainda que contra adolescentes no campo de batalha.

Com exceção das guerras locais de desmembramento da Iugoslávia, no final dos anos 90, o trágico e desolador desfecho, com a bandeira vermelha tremulando no ponto mais alto de uma cidade destruída pôs fim, paradoxalmente, há milênios de conflitos de larga escala na Europa, a região mais conturbada da história da humanidade. Após perder mais de 60 milhões de vidas e  conhecer a tragédia em proporções inimagináveis, o continente – ainda que dividido por 45 anos posteriormente – iniciou um grande programa de interação social e cultural que (não se deixem enganar pela crise econômica) é a esperança de um futuro melhor para raça humana.


Revisão: Leandro Freire
Capa: Douglas Fernandes
Erguendo a bandeira no topo do Reichstag: Yevgeny Khaldei

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