Discussão: Como o preconceito da sociedade com relação a videogames pode afetar os gamers

Vivemos em um país com índice de desenvolvimento humano e qualidade de vida muito aquém do que nossa economia pode nos oferecer. Isso leva... (por Jonas Sutareli em 16/12/2012, via GameBlast)

Vivemos em um país com índice de desenvolvimento humano e qualidade de vida muito aquém do que nossa economia pode nos oferecer. Isso leva a um baixo nível educacional, já que o investimento neste quesito é ínfimo, o que provoca vários níveis de desigualdades sociais e também a falta de pensamento crítico na população de baixa escolaridade. É daí que nasce o preconceito. Sem ter sido estimulado durante toda a vida, o cidadão apenas consome o que vê, sem pensar, e acaba por vezes sendo preconceituoso. O exemplo que vamos tomar aqui é o "Videogame é coisa de criança. Adulto que joga é desocupado".

Geração dos games

A julgar pelo tempo da civilização moderna, a história dos videogames é algo muito recente. Teve início por volta de 1958, tendo começado sua popularização em meados da década de 1970. A maioria das pessoas nascidas na Geração Y (entre 1977 e 1990) foram as que tiveram os primeiros contatos com este tipo de tecnologia. Crianças da Geração Y foram as primeiras agraciadas, podemos dizer assim, com a bênção dos videogames. Tais jogos eletrônicos foram parte fundamental no que diz respeito à diversão dessas crianças, as quais cresceram com este costume enraizado em sua cultura e nunca deixaram de jogar videogame. Crianças que cresceram e hoje são jovens e adultos responsáveis - ou não (!) -, que estudam, têm família, responsabilidades para lidar, formam a classe trabalhadora do país e são o presente do mercado econômico. Cidadãos com direitos e deveres como todos os outros residentes neste país de proporções continentais. Só que o problema é que em nosso país jogos eletrônicos não são vistos com bons olhos pelo pessoal da Geração X (que são os nascidos entre 1965 e 1976). Nossa equipe tem uma postagem falando sobre o preconceito que os jogos sofrem por serem jogos. Agora é a vez de defendermos com unhas e dentes os jogadores.

Como somos vistos

Não vou nem perguntar quem já ouviu coisas do tipo "videogame é coisa de criança" ou "videogame é coisa de vagabundo". De fato os jogadores da Geração Y que cresceram jogando irão escutar isso ainda por muito tempo. É um mal desnecessário, que temos que aturar e ignorar. Sabemos muito bem que videogames são poderosos aliados de raciocínio, cognição e coordenação motora. Temos uma referência sobre isto em nosso site, com a postagem "Brincando de aprender: videogames e educação". Talvez o grande ponto desse preconceito seja primeiro como as pessoas que criticam os jogos, já que tendenciosamente elas veem os jogadores como produtos dos jogos, dizendo por vezes que eles causam influências no comportamento, escolhas e até no psicológico dos jogadores, como pudemos acompanhar há pouco tempo alguns casos que estouraram na mídia nacional e internacional. Se os jogos continuarem sendo tratados como brinquedos, isso irá perdurar mais ainda.

Mario 8-bit, ícone dos games.

O "coisa de criança" surge da premissa que os jogos são brinquedos, já que os primeiros consumidores foram as crianças da Geração Y, que agora estão crescidas e inseridas neste mercado que amadurece cada dia mais, tanto economicamente quanto em seu conteúdo de hardware e software, enraizando um preconceito desde o começo dos videogames. Uma discussão pertinente sobre o assunto dos jogos serem considerados brinquedos, vocês podem conferir no PlayStation Blast, na postagem "Games: brinquedos ou mídia cultural?". É uma leitura complementar interessantíssima para abranger este artigo (indico que leiam todos os links dispostos durante o texto para ter uma visão mais completa sobre todo o assunto de jogos e preconceito).

A criança cresceu

Quem aborda o assunto com esse tipo de preconceito é quem realmente nunca jogou ou teve pouco contato com esse tipo de mídia e não tem conhecimento suficiente para falar sobre o assunto. Mesmo assim, fala. De fato os jogos eram mais infantis no começo, até mesmo pela limitação técnica da época. Mas mesmo assim já existiam jogos com conteúdo mais maduro e os que exigiam um pouco mais de raciocínio. Mas o tempo passou, a indústria evoluiu e os games também. Os jogos foram crescendo junto com as crianças da época, se tornando maduros, difíceis e exigindo mais raciocínio. Então existe o videogame de criança e existe o videogame de adulto. Ou as pessoas pensam que os jogos que exibem classificação etária de 18 anos são somente para assustarem as criancinhas? A classificação está ali porque é um jogo maduro, destinado a adultos.

Estamos sendo bombardeados

Não adianta, podemos falar mil vezes, mas as pessoas que acham que videogame é coisa de criança não mudarão suas opiniões, não querem e nem se dão ou darão ao trabalho de tentar. Isto pode causar uma retração, causa e efeito. Tendo em vista que somos minoria, vários tipos de preconceitos podem surgir contra nós, pelo simples fato de sermos jogadores de videogames. Podemos ser ignorados, tratados como infantis. Podemos perder namoradas, amigos e até empregos. Se bem que eu penso que namorada ou amigo que te largue ou faça você querer largar videogame alegando ser algo infantil, não merece a atenção, deveria pelo menos ter o respeito já que estão numa posição de relacionamento tão próxima a nós, gamers. Imaginem a seguinte possibilidade: você é um jogador e gosta de vestir camisetas que externam isto. Então você vai para uma entrevista de emprego e o entrevistador é um desses preconceituosos. Ele vê sua camiseta e automaticamente  pensa: "não quero este sujeito infantil trabalhando comigo. Ele não vai saber lidar com as tarefas difíceis". Isso pode acontecer, é extremamente plausível. Isto pode nos afetar nos estudos, nossa vida social, até dentro de nossa própria família. É algo muito sério que deve ser mudado.

Conheço pessoas que têm familiares que repudiam o ato de jogar. Eu mesmo sofro com isso na minha família. Tenho parentes que me consideram infantilizado, imaturo e que me julgam incapaz de crescer pelo fato de eu jogar videogames e ser um fã veemente. Ouço sempre: "Não acha que já passou da época de jogar não? Isso é coisa de criança". Isso me dá uma profunda tristeza, apenas abaixo a cabeça, balanço negativamente e digo: "existem jogos de crianças e jogos de adultos". Jogar videogame estimula raciocínio, cognição e demanda concentração. Não é uma tarefa infantil, é entretenimento para todas as idades.

Revisão: Rafael Becker

"Tudo o que te faz mal e você ama, algum dia vai te matar, de alguma maneira"
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.


  1. Já vi tanta gente com esse preconceito estúpido. E isso só piora com a mídia atacando os video games sempre que aparece algum atirador maluco, como se fossem os jogos que os ensinassem onde conseguir as armas e como atirar.

    ResponderExcluir
  2. Bem explicado amigo,quem ensina a matar é 70% a TV com seus seriados violentos,e vc globo,va se ferrar,vc nao sabe de nada,so fala o que acha,cansei da quela materia que Bully influencia ao Bully,poxa,o que influencia ao Bully é a covardia,ou seja,o mais forte mexe com o mais fraco,ou o mais fraco mexe com o mais pacifista e tem influencia de outros

    ResponderExcluir

Disqus
Facebook
Google