Jogamos

Análise: The Raven Remastered (Multi), um remaster sem novidades

Versão remasterizada de The Raven: Legacy of a Master Thief é um polimento superficial de um jogo que retorna com os mesmos problemas técnicos.

A produtora alemã King Art é conhecida por seus jogos em point and click de tramas complexas e intrigantes, como o clássico de fantasia The Book of Unwritten Tales (PC), de 2011, e o recente terror psicológico Black Mirror (Multi), de 2017. Este ano, o estúdio lançou a versão remasterizada de seu título mais icônico, o suspense de mistério The Raven: Legacy of a Master Thief (Multi), intitulado The Raven Remastered (Multi). O jogo traz a mesma qualidade narrativa e visual do original, contudo peca nos aprimoramentos esperados de uma remasterização.

Mistério no Expresso do Oriente

Londres, 1964. O precioso rubi da coleção Eyes of the Sphinx é roubado do Museu Britânico por alguém que se intitula o lendário ladrão de joias e pedras preciosas Raven. Após quatro anos desde a suposta morte do criminoso, seu rival, o inspetor da Interpol, Leland Legrand, retorna para resolver o novo de mistério.

Em meio a estes acontecimentos, o policial suíço Anton Jakob Zellner se vê em uma trama envolta em mistério e assassinato quando o trem Expresso do Oriente, que levava a segunda peça da Eyes of the Sphinx, sofre um atentado durante a viagem. O que coloca o oficial do Departamente de Polícia da Suíça lado a lado com a Scotland Yard e a Interpol para resolver o mistério e levar o tesouro em segurança até uma exposição no Egito.


A narrativa de The Raven Remastered é impressionante, o enredo é baseado nas obras literárias de mistério policial da escritora britânica Agatha Christie, em especial E Não Sobrou Nenhum e Assassinato no Expresso Oriente, o qual fornecem uma história intrigante e bem articulada para o jogador. Todavia este é um mérito vindo do jogo original.

The Raven Remastered usa a mecânica de point and click e, como tal, leva a diversas opções de diálogos e pistas, entretanto essa jogabilidade é falha no que concerne a ação e consequência. A partir de um jogo bem ambientado e cuja trama teces inúmeros caminhos a serem explorados, para uma versão remasterizada, o título The Raven Remastered deveria dispor de novas mecânicas de caminhos alternativos, porém o jogo se limita ao bom enredo original sem expandir os horizontes de uma história propícia para isso

A beleza da Europa de 1964

Os gráficos de The Raven Remastered seguem a arte do jogo original, inspirada na animação As Aventuras de Tintim (Steven Spielberg, 2011). A versão remasterizada traz melhor qualidade de profundidade com luz e sombra e uma colorização com valores tonais mais vívidos. A maior resolução também permite ao jogador admirar a beleza dos cenários e personagens aprimorados na pintura e reflexo da luz.

A arte de animação permeia todo o gameplay de The Raven Remastered, tanto nas cinemáticas quanto na jogabilidade. O encanto proporcionado pelo recurso aprimorado nos dá a sensação de estar jogando um filme de animação ambientado na Europa da década de 1960, tamanha imersão e qualidade gráfica dos personagens, cenários e objetos.


De igual qualidade também é a dublagem, a remasterização traz um áudio caprichado e livre de ruídos, ou baixo volume, que entrega um trabalho excepcional em exibir diversos idiomas e sotaques europeus. O jogo possui diálogos e trechos em inglês, francês e árabe, bem como cada personagem possui voz e entonação diferentes que combinam com suas personalidades. Um trabalho de dublagem primoroso e realista.

Elegância original e ausência de melhorias significativas

The Raven Remastered é um excelente jogo em matéria de história, personagens, gráficos e áudio, contudo ele falha em ser uma versão remasterizada. A maioria dos pontos positivos do título remaster são trabalhos já presentes no jogo original ou aprimorados para essa versão. Mas ainda são poucas mudanças para justificar uma versão remasterizada de um jogo intrigante e bonito por si mesmo.


Os principais problemas técnicos de The Raven: Legacy of a Master Thief continuam. Por exemplo, a física defeituosa dos personagens e falta de naturalidade de ações e movimentos retornam, bem como bugs de transição de cenários que não permitem ao jogador ir de um local a outro sem sofrer para fazer os personagens obedecerem ao comando e a interação problemática com objetos, que ora funciona e ora não funciona.

O jogo é muito desafiador em nível de dificuldade, porém isso também se deve a má otimização dos puzzles e combinação problemática de itens. Esses tipos de bugs já eram um defeito do jogo original e nesta versão remasterizada eles retornam em menor escala, mas igualmente irritantes para o jogador.


No final das contas, The Raven Remastered traz pouco ou quase nada de aprimoramentos desde The Raven: Legacy of a Master Thief, o título vale à pena para aqueles que já possuem o original e recebem a nova versão gratuitamente. Mas se você é um novo jogador em busca de uma obra do gênero, não faz diferença você comprar a versão remasterizada ou original, pois no fim, ambas são praticamente a mesma coisa.

Prós

  • Excelente dublagem em diversos idiomas e sotaques europeus;
  • Gráfico aprimorado e de maior resolução.

Contras

  • Decisões não impactam a história;
  • Bugs de física, interação com objetos e transição de cenários;
  • Pouca evolução técnica do jogo original;
  • Puzzles mal otimizados.
The Raven Remastered — PC/PS4/XBO — 6.0
Versão usada para análise: PC
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook