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Análise: Sword Art Online: Fatal Bullet (Multi) troca a magia de Aincrad e Alfheim pelas armas de Gun Gale Online

O JRPG da Bandai Namco Entertainment é um presente para os fãs de Sword Art Online, mas decepciona jogadores de MMORPG.

Todo fã da ficção científica Sword Art Online já sonhou em jogar os VRMMORPG da franquia, como o jogo que dá título à saga do escritor japonês Reki Kawahara, bem como Alfheim Online, Gun Gale Online e Underworld. Mas enquanto a realidade virtual não chega a este nível de imersão, a Bandai Namco tem investido pesado na presença de Sword Art Online no mundo dos JRPGs. O mais recente título da série é Sword Art Online: Fatal Bullet (Multi), da DIMPS, um jogo que agrada os fãs da light novel e o anime, mas desaponta jogadores que buscam um MMORPG com ação cooperativa e missões multiplayer.

Conhecendo Gun Gale Online

Sword Art Online: Fatal Bullet se passa em uma cronologia diferente da linha do tempo do universo canônico de Sword Art Online, e da mesma forma o jogo possui uma história original escrita pelo próprio autor Reki Kawahara exclusivamente para o game. Os eventos do jogo se passam durante o arco Phantom Bullet, quando Kirito e seus amigos transferem seus personagens para o VRMMOFPS Gun Gale Online.

Diferente dos títulos anteriores, no qual o jogador comandava os personagens de Sword Art Online, em Sword Art Online: Fatal Bullet o jogador é o protagonista da história. Nesta nova trama, você é um jogador recém-chegado a Gun Gale Online, convidado por sua amiga de infância Kureha para auxiliá-la a encontrar um item raro do jogo. Porém, durante o evento de caça ao tesouro, seu personagem encontra a unidade ArFA-sys Tipo X, um item raro que acaba se tornando sua companhia pessoal.


Durante essa missão especial de Gun Gale Online é quando o jogador tem seu primeiro encontro com Kirito e Asuna, se tornando parte do círculo de amizades do casal. A partir de então, seu personagem original tem o objetivo de evoluir a si mesmo e sua IA para poderem ajudar Kirito e seus amigos na nova expansão de Gun Gale Online, chamada SBC Flügel.

Uma jornada por Phantom Bullet

A arte de Sword Art Online: Fatal Bullet reprisa o excelente trabalho gráfico do anime. Os personagens e cenários são belamente desenhados em uma mescla de animação, pintura e arte em cartoon japonês. Ao mesmo tempo, também há gráficos estáticos unicamente na arte em estilo anime, bem como cenários reproduzidos fielmente através da técnica de pintura digital. O ambiente desértico de Gun Gale Online é muito bem ilustrado, assim como as áreas industriais e que possuem vegetação.


É realmente emocionante caminhar pelas ruas da capital SBC Glocken, o sentimento é de estar dentro do mesmo jogo em realidade virtual de Kirito e seus amigos. E a possibilidade de interagir com todos os personagens da light novel e o anime, bem como de reencontrar rostos conhecidos dos jogos anteriores como Philia, Premiere, Rain e Strea tornam a experiência inesquecível para os fãs da saga. O áudio original em japonês acompanhado de legendas no português também contribui com a imersão e familiaridade com o mundo de Gun Gale Online.

Infelizmente toda essa beleza visual é mal aproveitada nas missões de Sword Art Online: Fatal Bullet, o jogo não explora o potencial dos imensos cenários para combates e encontros inesperados, mas deixa muitos espaços vazios e com a ausência de amigos e inimigos. Algo que transmite a impressão de um mundo sem vida.


Outro fator que contribui para a impressão estática são cinemáticas com a mecânica de visual novels. Para um jogo que se propõe um RPG de ação, ter sequências tão longas e enfadonhas de imagens paradas deixam o progresso da história bem cansativo. Essa é a mesma mecânica utilizada no anterior Sword Art Online: Hollow Realization (PS4/PSVita/PC), da Aquria. Entretanto, um sistema que mesclasse o estilo em visual novel com um maior número de cenas animadas de combate e história seria melhor apreciado.

Atirando em inimigos idênticos

Falando em mecânica, no quesito gameplay Sword Art Online: Fatal Bullet simplesmente arrasa. O jogo possui um sistema de combate aperfeiçoado dos títulos anteriores e traz uma experiência ágil e inteligente de comandos e habilidades. A movimentação é fluída e o tempo de respostas para ações executadas é imediato.


Como esperado de um jogo de Sword Art Online que se passa em Gun Gale Online, o foco do título são combates com arma de fogo ou laser. Porém, se você é um amante das espadas, não precisa se preocupar, pois Sword Art Online: Fatal Bullet também oferece a opção de arma branca com a icônica espada de fótons de Kirito.

A categoria de armas é dividida em: pistolas, escopetas, submetralhadoras, fuzis de assalto, fuzis de precisão, metralhadoras, lançadores e espadas. Cada tipo de armamento é passível de ser aprimorado ou transformado em novos tipos de armas, o que acarreta um grande arsenal para combater monstros e cumprir missões pelo mundo de Gun Gale Online.


As missões de Sword Art Online: Fatal Bullet contemplam missões principais, missões secundárias, missões de caça, missões de inimigos únicos e missões de tesouro. Contudo não se iluda com essa pluralidade de quests, os inimigos são majoritariamente um reciclado de insetos e mechas que apenas mudam de cor dependendo das novas áreas abertas. Transformando o que poderia ser um vasto mundo aberto com inúmeras formas de vida e inimigos em zonas desérticas com grupos isolados de oponentes idênticos aos da fase anterior. Frustrante.

Companhia para todas as horas

Uma novidade muito bem-vinda em Sword Art Online: Fatal Bullet foi a IA assistente intitulada ArFA-sys. O personagem é seu companheiro e ajudante pessoal por toda a história do jogo. Altamente cobiçada pelos outros jogadores de Gun Gale Online, sua unidade ArFA-sys Tipo X é um item raro dentro do universo do game e que lhe disponibiliza inúmeros serviços, desde o gerenciamento de sua conta bancária a personalização de roupas e emotes.


Tal qual o personagem original do jogador, criado através de um sistema de criação de personagem que oferece inúmeras opções de altura, tamanho do corpo, cortes de cabelo, tipo de olhos e uma grande variedade de personalizações em detalhes; a IA ArFA-sys também é criada pelo próprio jogador para acompanhá-lo em suas aventuras pelo mundo de Gun Gale Online.

Além da liberdade de criar seu próprio companheiro para o jogo, Sword Art Online: Fatal Bullet possui um sistema de afinidade com elementos de dating sim, inaugurado com Sword Art Online: Hollow Fragment (PS4/PSVita) em 2014. Nessa mecânica, o personagem criado pelo jogador possui níveis de afinidade com outros personagens do jogo, podendo até mesmo chegar a um namoro com seu ArFA-sys, personagens clássicos de Sword Art Online como Asuna e Sinon ou os inéditos Itsuki e Zeliska.


Ao elevar o nível de afinidade com os personagens do jogo, novas missões e cinemáticas são desbloqueadas. Da mesma maneira, quando o jogador reunir NPCs cuja afinidade seja alta em um esquadrão, o trabalho em equipe será superior durante as batalhas, no qual suporte e ataques se tornam mais fortes e harmoniosos. Para aqueles que curtem waifu e husbando, o sistema dating sim de Sword Art Online: Fatal Bulle permite sair em encontros com o personagem escolhido e trocar frases de amor um para o outro.

Uma aventura cooperativa no modo solo

Sword Art Online: Fatal Bullet prometeu uma grande experiência em trilhar seu próprio caminho no jogo. Contudo a mecânica de ações e consequências baseada em escolhas durante os diálogos é pouco eficaz. A maioria das conversas possuem opções que se limitam a dizer praticamente o mesmo. São raras ocasiões em que há liberdade para recusar ou aceitar algo diretamente.


Uma pena o sistema de escolhas ser falho e fraco, pois a trama de Sword Art Online: Fatal Bullet aborda diversos temas atuais e interessantes sobre a relação entre tecnologia e o ser humano. Por exemplo, a amizade crescente entre o personagem principal e sua unidade ArFA-sys Tipo X, que cotidianamente vai demonstrando uma inteligência própria e motivações pessoais. Seria muito interessante acompanhar diferentes desdobramentos da história e conhecer desfechos distintos para eventos e personagens do jogo. Apesar dessa liberdade limitada, o título conta com finais alternativos que valem à pena conhecer.

Outro ponto fraco de Sword Art Online: Fatal Bullet é o modo multiplayer em PvE e PvP. É quase impossível encontrar uma conexão estável para partidas online e quando isso ocorre, há inúmeros bugs de travamentos. Os objetivos das missões cooperativas são muito rasos e rápidos de serem cumpridos e não oferecem nenhum bônus de experiência ou recompensas que valham à pena.


Sword Art Online: Fatal Bullet é um RPG com uma arte encantadora e com amplo número de missões e afazeres, mas infelizmente não agrada a maioria dos jogadores. O título possui defeitos que para os fãs de Sword Art Online são perdoáveis, afinal a atmosfera do jogo nos leva direto para Gun Gale Online e ainda por cima nos coloca como protagonistas da história. Porém os desconhecedores da saga de Reki Kawahara certamente ficarão com a impressão de que faltou mais para o JRPG entrar no hall de grandes jogos do gênero.

Prós

  • Amizade com IA assistente;
  • Áudio original em japonês com legendas em português;
  • Criação de personagem original e ArFA-sys;
  • História interessante e emocionante;
  • Finais alternativos;
  • Gameplay fluído e fácil;
  • Grande variedade de armas, aprimoramentos e transformações;
  • Interação e cooperação com personagens clássicos de Sword Art Online;
  • Nova história original de Reki Kawahara;
  • Reprodução fiel de Gun Gale Online;
  • Sistema de afinidade nos moldes de dating sim.

Contras

  • Cinemáticas, majoritariamente, no estilo visual novel;
  • Cooperativo tedioso e com poucos objetivos;
  • Inimigos genéricos e reciclados;
  • Mal aproveitamento do espaço e cenários do jogo;
  • Multiplayer com lag e falta de conexões para PvE e PvP;
  • Opções de diálogo limitados e parecidos.
Sword Art Online: Fatal Bullet — PC/PS4/XBO — 7.5
Versão usada para análise: XBO
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco.
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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