Blast from the Past

Final Fantasy (Multi), o início de uma famosa e bela franquia

Para comemorar os 30 anos dessa incrível franquia, falaremos sobre o primeiro jogo lançado e sua nostalgia.

Final Fantasy (Multi) é um jogo de RPG desenvolvido e publicado pela Square Co. Ltda para a Nintendo Entertainment System em 1987. Criado por Hironobu Sakaguchi, até então presidente da Square, o jogo foi criado após o sucesso de Dragon Quest (Multi), lançado pela empresa concorrente Enix.


Origem do nome

Hironobu estava querendo que o título do jogo tivesse as iniciais FF, inicialmente seria Fighting Fantasy, mas já havia um jogo de tabuleiro com esse nome, a escolha da palavra final foi aleatória, alega Hironobu. O que o levou a escolher Final Fantasy, que ao contrário do que dizem ele não seria o último jogo da empresa, pois mesmo tendo um período ruim ela ainda não estava em problemas.

Nasir Gebelli foi o programador e Final Fantasy foi o primeiro jogo de RPG criado por ele. Assim como Nasir, o sistema de batalha foi desenvolvido por Hiroyuki Ito, que nunca havia jogado jogos desse estilo antes e Akitoshi Kawazu, que acrescentou informações de Dungeons and Dragons ao jogo. Já a composição das músicas foi feita por Nobuo Uematsu, que fez de Final Fantasy seu décimo sexto trabalho.

Futebol americano e o famoso D&D

O jogo foi desenvolvido com base em esportes profissionais, principalmente o futebol americano e suas estratégias. Além dos esportes, Akitoshi queria deixar Final Fantasy próximo do famoso RPG Dungeons and Dragons. Dando ao jogo um ritmo de tática por turno, permitindo aos jogadores analisarem e pensarem em suas ações.

Para isso ele pegou, de Dungeons and Dragons, um grande número de criaturas, mantendo suas características, como pontos fracos e fortes, incentivando o jogador a conhecer os monstros e lutar com sabedoria. As magias também foram adaptadas, assim como seu sistema de uso, que consiste na queima de pontos, que dependem do nível da magia, para sua utilização.


O jogo se baseia em andar pelo mapa, entrando em cidades, cavernas e outros lugares, com diferentes objetivos, comprar equipamentos, deixar os personagens descansarem e recuperarem seu pontos gastos. Para salvar o jogo era necessário que o jogador passasse a noite em uma taberna, tornando útil.

O jogo trouxe algumas inovações para a época, as batalhas não eram mais em primeira pessoa, colocando os personagens e inimigos frente a frente.  Derrotar os inimigos dá ao jogador Gil, a moeda do jogo, necessária para adquirir equipamentos melhores e Experiência, que ao ser acumulada, permite aos personagens passarem de nível, aprendendo assim habilidades mais fortes.

Guerreiros da luz

Possuindo seis classes de personagens, os guerreiros da luz, com habilidades únicas de combate e pontos de status distribuídos de forma diferente, permitindo uma jogabilidade divertida sempre que jogado. Destes seis o jogador escolhe apenas quatro, e monta sua estratégia com os escolhidos. As classes são:

  • Guerreiro: usuário de armas pesadas e armaduras, perfeito para aguentar os ataques dos inimigos, no desenrolar do jogo se torna Cavaleiro, que também usa magia branca;
  • Monge: lutador sem armas, o personagem que causa mais dano, mas não pode usar armaduras, se torna Mestre no desenrolar do jogo, ficando ainda mais forte;
  • Ladrão: consegue se desviar e fugir das batalhas com mais facilidade, mas, tem armas e equipamentos mais limitados, se torna um Ninja, que pode usar todos os equipamentos e usar magia negra;
  • Mago Branco: usuário de magia branca, suporte do grupo, com magias de cura e magias de aumentar habilidades do grupo, se torna um Feiticeiro Branco, permitindo usar magias brancas mais poderosas;
  • Mago Negro: possui poderosas magias negras, mas é bem frágil nos status, se torna um Feiticeiro Negro, podendo usar magias negras mais poderosas;
  • Mago Vermelho: pode usar algumas magias brancas ou negras e possui força próxima do guerreiro, se torna um Feiticeiro Vermelho. 

Os cristais da luz

O jogo se passa em um mundo com três continentes sem nome. O estado do mundo é  determinado pelos quatro cristais, cada um governando um dos quatro elementos. Mas cada um dos cristais perde a luz ao ser atacados pelas bestas que governam os elementos, deixando o mundo num estado de caos.

Começamos com a chegada de nossos heróis, cada um deles segurando um dos cristais sem luz, em um reino chamado Cornelia. Em Cornelia descobrimos que a princesa foi sequestrada por Garland, um antigo cavaleiro. Os heróis a salvam e viajam pelo mundo lutando contra as bestas e revendo a luz dos cristais.


Eles voltam ao passado para impedir que Chaos crie um loop temporal, criando as bestas e mandando-as para o futuro. Pois, Chaos é Garland, que foi enviado para o passado pelas bestas, gerando esse loop para se tornar imortal. O vilão é derrotado em sua forma de demônio e os heróis retornam para seu tempo.

Com isso a ordem é restaurada, mesmo que ninguém tenha conhecimento, já que a memória dos heróis é apagada. Essa narrativa para a época gerava uma certa confusão, pois o assunto de viagem no tempo, mudar o passado, loop temporal, não eram bem difundidas. Como os seus sucessores, Final Fantasy, traz uma mensagem para seus jogadores, sobre bem e reconhecimento.

Outras mídias

Além dos remakes de Final Fantasy, como Final Fantasy Origins (PS1) e o conjunto que possui Final Fantasy II, a história dos heróis da luz ainda ganhou uma Novel e um mangá. A novel foi lançada pela atual Square Enix, para comemorar os 25 anos de Final Fantasy, lançada para os três primeiros jogos da franquia em 2012.

Já o mangá foi lançado em dezembro de 1989 por Yuu Kaimeji, na Takarajima COMIC. A história traz os poderosos guerreiros da luz em sua missão de salvar o mundo de Chaos. A diferença entre o mangá e o jogo é que nossos heróis já possuem nomes e personalidades, além de novos companheiros como o robô que lhes dá os cristais no início do jogo.

Cenário e temas

Os gráficos contidos em Final Fantasy mostram o trabalho e cuidado que os criadores tiveram com o mundo, deixando-o muito detalhado para a época, e tornando seu visual um pouco diferente dos jogos do mesmo gênero. Mas com os re-lançamentos do título, jogadores podem experimentar o titulo com novos gráficos e mais conteúdo.


A trilha sonora do jogo varia de suaves nuances a batidas agitadas, demonstrando as habilidades de seu compositor. As quais aparecem em diversos jogos da franquia, como Fantasy Fanfare, o clássico tema para a vitória do jogador e também a abertura do jogo, com seu ritmo suave e relaxante entre outras. A trilha sonora ajudava na imersão pois as batalhas possuem músicas mais agitadas, enquanto, a jornada por florestas já possuía uma música mais calma.

Final Fantasy possui diversos elementos que acabaram sendo mantidos em seus sucessores, como os cristais, Chaos, monstros e classes, com estes elementos se tornando a alma do jogo. Assim como sua trilha sonora, ambientações detalhadas de um cenário fantasia, além dos elementos adaptados de Dungeons e Dragons, tornando Final Fantasy o pilar para a franquia que foi se aperfeiçoando com o tempo.

Ainda vale a pena?

Final Fantasy foi um sucesso no Japão, se tornando o segundo jogo de RPG mais popular para a época, mas a sua versão norte americana foi recebida com um sucesso mais modesto. O jogo que mistura belos elementos de fantasia possui uma boa trama e se tornou o ponto inicial para seus sucessores. Com uma dose de desafio contínuo, belos cenários para o ano em que saiu, incrível trilha sonora e uma boa história.

Final Fantasy consegue agradar muitos fãs ainda hoje, com as inovações para a epoca. O jogo merece atenção de fãs e amantes de jogos das gerações passadas, marcando o ponto inicial para esta franquia que se prolonga até hoje. Esperamos que estes incríveis personagens façam mais aparições em títulos da Square Enix e que essa história sempre prossiga.


Revisão:João Paulo Benevides
Antonio Stark escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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